Comida, música, esporte, cinema, negócios, modo de vida. Se gosto não se discute, como diz o adágio, pelo menos critério para dizer se uma coisa boa ou ruim, sim. Vamos lá.
O que quero dizer é que o fato de eu não gostar de uma coisa não significa necessariamente que a mesma seja ruim. Ou seja, eu posso tanto gostar de uma coisa e saber que ela é ruim, quanto não gostar dela e ter a consciência de que ela é boa. Vamos a um exemplo bem simples, a comida.
Bacon. É comecemos por ele. Quem me conhece sabe que eu realmente gosto de bacon, sozinho ou acompanhando qualquer coisa. Em minha opinião bacon é muito bom, mas faz mal. E então, bacon é bom ou ruim?Analisemos.
Sendo simplista, os alimentos têm uma função principal e um plus. A função é nutrir, alimentar, sustentar o corpo, certo? O plus é o prazer, proporcionado pelo aroma e sabor. Assim dizer que um alimento é bom, teoricamente deveria passar pelos dois quesitos, nutrição com peso dois, é claro. Voltando ao início, estamos falando que ele é bom e não gostoso, saboroso, lembram-se? Por que partimos do pressuposto que gosto não se discute.
Assim, o famigerado toucinho de porco defumado é bom ou ruim? No que se refere à saúde ele é péssimo, todo mundo sabe. Mas o gosto é bom. Então no quesito alimento o bacon é ruim, já que sua principal função ele cumpre mal. Já no quesito iguaria ele é muito bom, mas aí cai na história do gosto pessoal, no caso, do meu paladar. Finalizando, eu gosto de uma coisa que sei que é ruim.
Vamos à outra possibilidade agora. Não gostar de uma coisa não quer dizer que ela seja ruim. Pra exemplificar isso, entro num terreno perigoso, as artes, mais especificamente a música. Quando ouvimos uma música, como no caso da quando comemos, temos estímulos sensoriais que nos fazem sentir prazer ou não, lembrar de alguma coisa, que vimos ou de um lugar onde estivemos. A música, assim, seria essencialmente subjetiva, e, portanto, totalmente inclassificável se boa ou má. A questão é que podemos perceber a música de várias formas. Podemos apenas senti-la, e isso é pessoal. Podemos observar o domínio teórico do compositor a partir das soluções harmônicas encontradas por ele para fechar a sua obra. Podemos analisar o comprometimento do autor com aquilo que ele se propôs a fazer. Ainda, é possível pensarmos no que ele quis dizer, com tais palavras, no caso da canção, ou com um certo arranjo, na questão instrumental. E podemos simplesmente analisar se a música está bem executada, arranjada e produzida. Ou podemos só curtí-la. É, como bacon. Deixaria então, a nutrição para a salada de cada dia. É por isso que às vezes apreciadores puristas de música mais sofisticada, quando se vêem envolvidos por um axézão ou algum outro estilo como esse, assim, como vou dizer....Bacon, acabam extrapolando. Afinal, quem nunca comeu melado....
Assim, o gosto no caso da música, vai da percepção de cada um podendo envolver estudo, por exemplo. Muito mais relevante, no entanto, é a experiência de vida identidade, ideologia e etc.
Para explicar, mais um exemplo pessoal. Eu até tento às vezes, mas não consegui ainda gostar de ópera. Não adianta. Eu sei da riqueza musical de vários gênios compositores de obras antológicas (to parecendo o Faustão!). Sei também da excelência técnica dos instrumentistas e cantores conseguida a duras penas, para poder executar obras de Puccini, Biset e outros. Mas não adianta, eu não gosto. De coração! Ou seja, tecnicamente reconheço todas as qualidades e seria leviano de minha parte dizer que ópera é ruim. Assim, não gostar de uma coisa, não quer dizer que ela seja ruim.
Para terminar a jornada músico gastronômica, posso dizer que a maioria dos nutricionistas recomenda que o importante é ter uma dieta balanceada. Parece simples mas nem todo mundo consegue fazer isso. Mas no caso da música os que o fazem viram gênios da arte, mesmo que muitos não conheçam, gostem ou admitam.
Afinal, como disse no início, gosto não se discute, critérios sim. Mas isso é só minha opinião.