UM DESENHO POR SEMANA

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Coisas que irritam nas festas de fim de ano – I

Que Beleza! Apesar de usar muito essa expressão com meus caros amigos, nunca o fiz em m texto. Então vamos novamente: que beleza! “Sinos tocam que alegria, tralalalala lala lala”. Amanhã é primeiro de dezembro, daqui a pouco está chegando o natal e como acontece todos os anos, em meio a presentes e comilanças uns ficam deprimidos outros fingem estar felizes e outros realmente ficam contentes. E num devaneio digno de Fausto Silva, podemos vislumbrar aquelas cenas recorrentes em toda época de festas de final de ano. Tanto as boas como as ruins. Mas trataremos aqui nos próximas semanas, até o maravilhoso evento natalino, principalmente das ruins, aquelas que geralmente, se não irritam, nos deixam exaustos.
Comecemos então.

Coisas que irritam nas festas de fim de ano I – Amigo Secreto
Categoria da irritação – Financeiro-sócio-cronológica
Nível de irritabilidade – moderada - dependendo do presente, do gasto e do local da confraternização podendo chegar ao nível “intensa”
Possibilidade de escapar: zero


Caracteríticas:
O processo se inicia com a discussão do nome da brincadeira. “Na minha cidade é invisível, no meu bairro é amigo oculto”. É, amigo secreto é uma coisa que não faz o menor sentido Você tira um papelzinho com um nome e outra pessoa tira um com o seu. Você olha numa lista e vê o presente que o seu “amigo” escolheu, com sorte, dentro da faixa de valores determinado com o consentimento de (desculpem-me a repetição das aspas) “todos”. Você compra exatamente o CD edição européia do artista x , que a pessoa tanto queria , mesmo ultrapassando o valor estipulado. Por que na verdade você está no lucro, já que pelo menos sabe o que comprar.


Mas você é uma pessoa simples e com bom senso, não força a amizade no preço do presente que pede, afinal, é fim de ano, todos têm sobrinhos, irmãos, pais e mães para presentear . Pede uma camiseta básica branca. Ainda ajuda a pessoa. Não tem como errar. É simples, barato, útil e possível de encontrar em qualquer armazém de bairro.
E você ganha? É claro que não. Você ganha uma camisa rosa com quadriculados amarelos e roxos. E responde a pergunta: “Gostou?” com um evasivo e sorridente “Nossa, uau, poxa, obrigado” , enquanto que no balãozinho de história em quadrinhos que estaria acima de sua cabeça está escrito “Meu Deus! Qual é a dificuldade de comprar uma camiseta branca?!”

Não adianta. Se você está pensando em escapar, desista. Amigo secreto é pior que Alcatraz, fuga impossível. Não existem desculpas, habeas corpus, doença, capaz de te livrar dessa. Se você estiver no hospital, aquele que nunca te visitou leva o papelzinho e fala “pensou que ia escapar, é?! só sobrou esse! Você foi ficar doente no dia do sorteio!”. Você pode passar no sinal vermelho e não tomar multa e todos te perdoam. Você pode matar aula, até faltar no trabalho, mas se você cogita a possibilidade de não ir ao evento o universo cai sobre a sua cabeça. É tachado de anti-social e ou coisa pior.

Aliás, esse é o fator número um em irritação, no caso do amigo secreto, você não tem escolha, você vai. Você poderia ir para qualquer lugar aquele dia, ou até ir gastar os tostões que não tem com os últimos presentes que faltam, ou poderia dormir, ir jogar botão, sei lá!Mas não, é inexorável, você vai.
E se você acha que poderá dar só aquela passadinha, também esqueça. Quanto mais tarde você chegar, mais tarde você voltará pra casa. A revelação (uau, que nome pomposo!), acontece sempre depois da comida.

O que fazer? perguntar-me-á vossa senhoria. Eis que te digo: Pesquise na internet o melhor preço da edição européia daquele CD que vão te pedir, e economize alguns centavos, e contente-se com isso, porque de resto você não vai conseguir mais nada.
E você ainda achava que tinha vontade própria...
Jingle bells!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A receita de bolinho de chuva





E não é que foi difícil escrever? Foi sim. Tive mil idéias, linhas, perspectivas do assunto. Comecei vários textos, ainda na lua-de-mel foram muitos. De algumas idéias até gostei e provavelmente me servirão para posts futuros. Mas nada para agora, para o momento do casamento.
Mudança, encontro, projeto, vida, jornada, início, etapa, amor, paixão, aprendizado, conquista, pensei em todas essas palavras inerentes às núpcias. No entanto, surpreendentemente o que veio à mente mais forte foi a receita do bolinho de chuva.
É, foi isso. Me veio assim, de repente. Poderia falar aqui do nosso primeiro encontro ou do dia em que a pedi em casamento. Podia muito bem falar do nosso maravilhoso primeiro mês de namoro e também dos subseqüentes meses estranhos. Falaria do nosso primeiro cinema juntos ou mesmo contaria sobre nossas brigas. Poderia falar o quanto é difícil o processo do casamento a partir do momento em que se marca a data. Sobre como o mundo parece conspirar para o casamento não acontecer. Poderia até falar como essas dificuldades são fundamentais tanto para o sucesso futuro quanto pra desistência de outros no meio do caminho. Somando-se a isso, então, poderia falar da pressão de todos, sociedade, família, igreja. Mas também falaria da pressão quem vem de dentro, provavelmente a pior de todas.
Nada disso. O assunto que está na minha cabeça é a receita de bolinho de chuva.
Talvez fosse mais natural falar das nossas músicas, falar dos Beach Boys, do Wallflowers ou do Simoninha. Fazer uma declaração de amor, colocar uma foto nossa aqui, dizer que sou uma pessoa muito melhor hoje. Seria certo dizer que, novo no assunto, não sei o quanto a vida dois é difícil e que casamento é compromisso. Mas o que interessa é a receita...
Poderia - graças a Deus - fazer versos com os atributos físicos de minha esposa, tentar descrevê-la descendo pela nave da igreja.
Poderia dizer quem é a Cyntia, ou quem sou eu, ou ainda mais, quem hoje somos nós juntos. Mais normal seria falar das dificuldades domésticas, da troca do chuveiro ou dos problemas hidráulicos. Ou como numa entrega de prêmio, poderia agradecer a todos que nos ajudaram das mais diversas formas. Poderia falar da lua-de-mel, do hotel ou das dunas de Natal, ou da importância do protetor solar. Poderia falar o quanto custa casar, em tempo e dinheiro, fazer um manual, um gráfico, um desenho. Mas sei lá,o bolinho...
Poderia falar do prazer de ter uma casa. Poderia falar sobre a visão de ter minha própria família. Poderia falar da responsabilidade de zelar por alguém todo o tempo. Poderia falar de sexo, de amor. Poderia falar de planos para o futuro. Poderia falar que Deus gosta muito dessa história de casamento. Talvez se tivesse falado essas coisas, eu até citasse como em tudo é imprescindível o toque feminino e também a objetividade masculina, às vezes truculenta, outras necessária. Poderia pensar na maravilhosa aventura que é estar casado e dissertar sobre o assunto. Poderia, mas não vou. Vou falar sobre a receita de bolinho de chuva. Vamos lá então, a receita é a seguinte:
Bem, na verdade não tem receita, eu sei os ingredientes e talvez eu vá passando aos poucos. Agora, as quantidades você vai pegando com o tempo e a prática, nem precisará de medidas, xícaras ou colheres. Pelo menos foi assim que eu aprendi a fazer...

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