UM DESENHO POR SEMANA

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Apenas um de nós


Fernando Meirelles
É ele.
Quarta-feira agora, finalmente fui ver Ensaio sobre a cegueira. Fiz questão de apesar de acompanhar a repercussão do filme, ler e ver matérias sobre ele, não ler crítica alguma.
Vi o filme de um diretor que depois de aparecer para o mundo no totalmente brazuca Cidade de Deus, e mostrar que pode na boa com grandes produções em O jardineiro fiel, parece dizer “faço o cinema que eu sei, tranqüilo, aprendendo, se vocês gostam, eu fico muito feliz”. Bem, está dando para perceber que no final, esse texto é muito mais sobre o cara que dirigiu do que sobre o filme propriamente dito.

Aparentemente em nenhum momento, Meirelles parece querer mostrar algo a alguém - talvez excetuando-se ao autor do livro que deu origem ao filme, José Saramago, a quem mais de uma vez disse que não queria desapontar. Não se percebe a tentativa de dizer alguma coisa de uma forma pré-concebida, apenas o que foi enxergado na sua própria visão da história do livro (não é esse o trabalho de um diretor?). Ok, ele contou com astros de Hollywood, e o que isso tem de mal? Todos bons atores, que ajudam com que a produção seja vista por mais pessoas. E por que não chamá-los?

No blog
diário de blindness ele fala de como Juliane Moore preenche o plano e como sua presença facilita o trabalho. Aliás, esse blog é a prova de que o diretor de Ensaios... quer ser apenas um de nós, mas, um que de vez enquando participa de produções que custam 20 milhões de dólares. Fernando escreveu para nós, em português. Contou o dia a dia da produção, suas dificuldades, felicidades e descobertas durante as filmagens.
Lá, ele fala de como teve que mudar a montagem, em como aceitou opinião de amigos, entendeu faltas e excessos, antes de finalizar a produção.

Na tela estão o viaduto do Xá, ruas e avenidas de São Paulo, como personagens do filme. O diretor aparenta querer que nos vejamos lá. Na verdade ele quer se ver lá, ainda que saiba que o dirigiu. No filme está Alice Braga, sua pupila, sua revelação, simples como ela mesma pode ser. No filme está seu fiel escudeiro César Charlone. Está também o grupo mineiro
Uakti fazendo a trilha. Não é uma esmola ou uma graça para brasileiros, é uma exigência para si. O filme foi rodado também no Uruguai e no Canadá e é falado em inglês. Filme feito com atores brasileiros, japoneses, norte-americanos e mexicanos. Obviamente a idéia é não situar a trama num determinado país. Existem sinais de trânsito em português, placas em inglês e o personagem que dá início à estória é japonês, com muitos diálogos no seu idioma.

Nas entrevistas e no blog, Meirelles não fala como um diretor consagrado, talvez ainda não o seja. E aparentemente também não espera ser. Sua grande vantagem em relação a uma outra geração de diretores é que nunca quis ser artista, ou lutar pelo cinema brasileiro. Apenas trabalhou, de arquiteto a diretor de filmes publicitários chegando à disputa do Oscar. Não faz discursos, apenas trabalha do jeito que parece saber, ou como está aprendendo. E por isso sua mente está livre de preconceitos estéticos, de linguagem e mais além , de mercado. Não quer ser legalzinho, bacaninha ou francês, um mal que acometia a classe dos diretores no Brasil. Por isso ele é um de nós.

E a felicidade maior ao fim da execução, é sair do cinema com a certeza não de ver um “filme brasileiro”, mas sim de assistir a um bom filme feito por um brasileiro.

uma nota só - III


"Queria ser suficiente poeta para conseguir falar sobre a beleza do risco que junta e separa o céu e o mar.
"

(Jean Marcel)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

oqéissodrops III

Notas sobre praia
- As praias mais distantes são sempre as melhores;

- Na praia, toda criança deita de bruços na marola, ergue o pescoço, e age como se estivesse nadando;

- Há sempre alguém contemplando o mar sem fazer mais nada, tomar sol ou etc.

- Na praia tudo é mais caro;

-Em cidades de praia sempre existem hotéis cujo nome é formado por:
O nome da cidade + mar, sol ou praia
O nome da cidade + “plaza” ou “palace”
Mar, sol ou praia +“plaza” ou “palace”

- Uma bela praia é bonita até com chuva;














- Segundo o oqéissodatasensus, 89% das cidades litorâneas brasileiras importantes possuem um forte do século XVI;

- Não adianta, gente branca como eu, não fica bronzeada. Graças a Deus já entendi isso faz tempo, não tento mais, e não fico tal qual um camarão;

- É simplesmente impossível, e porquê não dizer insano, olhar a divisão/encontro entre o céu e o mar e achar que não existe um Deus;

oqéissodrops II

Notas sobre Salvador II
- Não há crianças pedindo nos faróis, gente fazendo malabarismos, limpando vidros ou vendendo coisas

- Segundo o oqéissodatasensus, em 94,7% das músicas de axé existe a frase “joga a mão pra cima” antes do refrão;

- Existem mais churrascarias por habitante que em São Paulo.

- Uma baiana que vende acarajé, que já tenha um certo nome, chega a ganhar cerca de R$120.00 por mês só vendendo as famosas iguarias.

- Não falta lugar para ver um belo pôr-do-sol na capital da Bahia;







Só reiterando oqéissodrops são a impressões deste q vos escreve quem passou apenas 1 semana na terra do ex-ministro da cultura

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

oqéissodrops

Notas sobre Salvador
Oi gente,
oqéisso? de férias mas não parado, apenas “malemolente”.
Nesse período de até agora 3 dias aqui na capital mundial do acarajé, para provar o apreço por ter você como nosso leitor, mando breves comentários sobre coisas q vejo, ouço e vivo aqui. São notinhas, cápsulas, drops, pinceladas...bem, acho q deu para entender!!!!
Vamos lá:

- Todas as praias são lindas, a diferença é o nível de perigo de cada uma com relação aos banhos de mar e quem a freqüenta pela localização (leia-se a distinção entre farofeiros, turistas, e gente da grana)

- Na Bahia, ou pelo menos em Salvador, a comida não tem sal. A não ser a carne-de-sol(pelo menos eu imagino q essa seja salgada, por motivos óbvios, já q eu não comi). E é tudo muito caro.

- O Pelourinho é incrível(para quem gosta de coisas históricas e culturais) e muito bem cuidado. O que pega é todo mundo querendo te dar fitinhas a cada 5 metros que você anda.

- O mercado municipal de São Paulo é muito mais interessante que o mercado modelo de Salvador;

- O transporte público é bom, muito elogiado aqui, e não muito caro, R$2,00. Curiosidade: os cobradores - ou trocadores dependendo da região do Brasil em que você está lendo - frequentemente saem pegando o dinheiro da passagem só depois que você já passou a catraca e se sentou.

- Axé music depois de 15 minutos alopra. Mas não toca em todo lugar, só na praia.

-Nota sobre nota - Um exemplo da nota acima é q fui a um cyber café no meio do Pelourinho descarregar as fotos da máquina, e lá tava tocando Men at Work;

-ACM é queridíssimo aqui.

-Nota sobre nota - ACM Neto lidera as pesquisa para a eleição municipal.

Obs . Se você mora ou é de Salvador, reitero, isso é apenas uma impressão do q oqéisso? está percebendo com olhos de turista/escritor/blogueiro/branquelo/paulista, nos parcos dias em que está lá vendo, ouvindo, experimentando e anotando tudo num famigerado bloquinho..
.
Por enquanto é só pessoal, afinal ainda estou de férias! Deixa eu ir pra praia...
Em breve fotos, vídeos e ilustrações!
Até mais

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Oqé um acelerador de partículas? Dou 1.21 Gigawatts a quem acertar...

Kaboooommmmmmm! Ou seria” Big Baaaaaaaang”? Que barulho faz o encontro de dois prótons? O mundo está sendo re-criado entre a Suiça e e a França. Você deve ter visto ou ouvido alguma coisa sobre isso. Sim, cientistas de todo mundo, inclusive do Brasil estão de mãos dadas para reproduzir o que segundo eles, provavelmente foi a origem do universo. A plataforma para isso é o acelerador de partículas. Ah, o acelerador de partículas... você nunca ouviu falar no acelerador de partículas? Como assim? É uma simples máquina, devo dizer, a maior já construída no mundo, que surpreendentemente, como posso explicar, acelera partículas! Sim o acelerador de partículas acelera partículas. Não existe só esse no mundo, mas o LHC (Large Hadron Collider) construído na Europa é gigante em tamanho, equipe e pretensão, basicamente apenas experimentar como é criar um universo. Quem já não pensou nisso, não é?

Tudo bem, mas para mim, reles profissional da área de humanas, um acelerador de partículas é só mais um equipamento que provavelmente foi utilizado pelo Dr. Emett Brown. Ah não, você desconhece a identidade desse distinto senhor? Aí a coisa fica grave. Não saber o que é um acelerador de partículas tudo bem, mas não conhecer o gênio de nossa época, não dá.

Dr. Emmet Brown foi o criador do capacitor de fluxos, algo que seria mais importante para história da humanidade que o acelerador de partículas, já que com ele não precisaríamos tentar recriar o Big Bang, pois poderíamos voltar ao dia em que o universo foi criado apenas dispondo de 1.21GW de força e um Delorean . Assim como H. G Wells já imaginava com sua Máquina do Tempo, mas com muito mais estilo. E para quem não sabe – se é que existe quem não saiba disso – para conseguir 1.21 GW de força é só utilizar um pouco de plutônio ou conseguir canalizar a energia de um raio numa tempestade, pelo menos segundo o Dr. Brown.

Bem, depois do último parágrafo podem ter acontecidos 2 coisas: ou você não entendeu absolutamente coisa alguma, ou você já sorriu ao lembrar de um dos mais divertidos filmes produzidos por Steven Spielberg. Devo acrescentar que De volta para o futuro está entre os topten dos filmes preferidos do autor deste texto. Estão lá guitarras, rock’n roll, aventura, vilões, mocinhos, comédia, viagens científicas, teoria da relatividade e um monte de cenas e citações que se tornaram clássicas entre a cultura dos anos 1980.

Enfim, entre o acelerador de partículas e o capacitor de fluxos , eu fico com o segundo. Aliás, antes que a experiência feita na França abra um buraco negro e nos trague para ele, acho que vou assitir ao filme de novo antes que “a barra fique pesada”...
“Tem alguém aí, McFly ?”
De volta para o futuro, 1985 - D. Robert Zemeckis


Alguém conhce alguma citação do filme? posta aí!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A mais imperfeita tradução

Flickr. Clipe de casamento. Porta retrato. Álbum de família empoeirado em cima do guarda-roupa.Todos portam imagens que revelam (perdoe-me pelo trocadilho) informações sobre épocas, pessoas, lugares e momentos, por algum motivo julgados relevantes no instante em que foram capturados. Não importando se são aquelas envelhecidas do começo do século passado, ou imagens compostas por megapixels tiradas de celulares. Diferenças, semelhanças e evolução no fazer fotográfico do usuário comum que apenas deseja guardar momentos. E uma coisa de uns tempos para cá fica mais e mais clara à medida que todos podemos colocar nossas fotos à disposição da curiosidade de qualquer um: todo mundo é feliz nas fotografias.

Sim, qualquer um pode ver. Principalmente hoje, em que as fotos não queimam.
Seu dedo apareceu na imagem? Simples, é só tirar outra. Olhos fechados, outra. Sorriso amarelo, outra. Quase sem limites de quantidade, dependendo do seu chip, ou cartão de memória, ninguém mais tem maiores pudores. Ficou mais ou menos, tira outra. E nem é necessário apagar na hora. Depois é só escolher a melhor das 37 que você tirou da mesma coisa. E se alguém na foto não ficou legal, para isso existe o Photoshop, tira ele de lá. Isso faz com que nossos álbuns fiquem cada vez mais alegres, felizes e perfeitos. Uma perfeição às vezes mentirosa.

Quando olhamos álbuns virtuais, ou fotos em sites de relacionamento, achamos que não existe tristeza no mundo. Não vemos dificuldades, sofrimentos. Certo, ninguém vai querer fazer um álbum de “como eu era infeliz nessa época” ou também “como sou triste hoje”. Bem, pelo menos, quase ninguém. Mas as fotos caseiras revelam o que achamos que queremos ser, ter ou sentir. Achamos, porquê na verdade ninguém deseja ficar com, por exemplo, aqueles três marmanjos num camping para sempre, ou vivendo eternamente na casa de parentes ou ainda na escola. Não desejamos perpetuar nada. Apenas provar que lá estivemos não para os outros, mas para a nossa própria incredulidade. Esse “lá” pode ser um lugar, um grupo de pessoas, uma situação, uma conquista. Uma boa e simples lembrança daquilo que não se pode guardar na memória. E para que esforçar nossa limitada cabecinha, se temos 2, 4, 8 Gigabytes disponíveis ao alcance das mãos?

A facilidade de obter fotos em quantidade, limita a relevância das mesmas. Qualquer coisa é motivo para capturar a imagem mas nem tudo realmente lembra alguma coisa que importe.

Trocando em miúdos, dos lambe-lambes ao celular, nosso fascínio por apreender o instante numa imagem, continua de maneira diferente mas ainda assim com uma coisa em comum, a necessidade de sublimar a tristeza, dor ou mágoa, num sorriso, abraço ou pose . Ninguém vê o que está por traz da alegria aparente.
E quem é que quer fazer isso? Ah, desconforto, teu nome é sinceridade.

Anteriormente falei sobre a perfeição das fotos, que ás vezes parece mentirosa. Tudo aquilo que parece perfeito raramente o é, seja uma foto ou a pessoa que a tira. E no caso, como há ser humano no meio, certamente não há perfeição.
Há tempo para sorrir e para chorar. Não importa a pose da foto.
Pelo sim, pelo não, diga “xiiiiiss”

idéia original: Júnior Valler

texto: Jean M.

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