UM DESENHO POR SEMANA

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2009

Em 01/01/09 exatamente como no dia 31/12/08, ( a não ser que um meteoro bata na terra na virada do ano) você VAI ver ou ouvir de qualquer jeito:
· Que o Ronaldo está gordo (e quanto ele emagrece por dia...);
· que Israel e o Hamaas continuam trocando gentilezas e mísseis,
· Depois de um belo bocejo, ao acordar, alguém dizer “ já são duas da tarde?!”;
· Lula dizer que a crise não é uma “marola”, mas também não é um “tsunami”;
· Que o número de mortes nas estradas aumenta nas festas de fim-de-ano;
· Que na Bahia o carnaval já começou
· Que alguém vai começar o regime na segunda-feira

Em 01/01/09 você NÃO vai ver ou ouvir de qualquer jeito:
· As pessoas de mãos dadas cantando canções bregas dos anos 70 sobre o “ano novo”
· Que a roupa íntima amarela , vermelha ou ocre traz ou trouxe alguma benesse para o então ano corrente;
· Que agora tudo vai dar certo;
· Que alguém sente que tudo mudou;
· Que a crise passou;
· Que o Hammas e Israel deram as mãos e cantaram uma linda canção;

Parece uma visão pessimista mas não é. Mudança não ocorre de um dia para o outro e geralmente não com data marcada. O dia de posse de Obama vai ser uma data histórica, mas nada vai mudar. O processo é o que conta para a mudança. Dizer que vai emagrecer, não emagrece. Agente ainda tem que fazer a diferença para que ela aconteça, uma folha de calendário não muda como pensamos, tão pouco os ponteiros do relógio.

O bom de tudo isso é ver que você deu conta dos últimos 365 dias, e de repente se você melhorar algumas coisas que você percebe que precisa, será mais forte, melhor e vai aproveitar períodos, sejam eles de 12 meses, 12 dias, 12 horas ou 12 anos.

Esse é o meu desejo de ano novo. Que você aproveite o período da tua vida. Não tenho fórmulas prontas, mas certamente todos recebemos muitas dicas dadas pela própria vida.

Até dia 01 de janeiro de 2009.
Ou talvez dia 02, né?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mensagem de Natal:oqéisso?

Banco de imagem.
Busca pelo termo "xmas".
Resultados: 2000 imagens.
Dessas, com alguma referência a Jesus, manjedoura
ou etc: 4 imagens.

Mensagem de Natal que não cite as palavras “Jesus”, “nascimento” ou derivados, e “Deus” não pode ser considerada propriamente uma “mensagem de natal’. Está mais para mensagem de fim-de-ano, o que acaba por incluir também o tal “Feliz ano novo”. Afinal, Natal é isso. Não “espírito de natal”, de fraternidade de paz com a família ou qualquer coisa assim, e nem vou tocar na história dos presentes e do Papai Noel...Natal não tem a ver com sentimentos bons do ser humano, ou com qualquer coisa do tipo. Natal tem a ver com o chamado Emanuel que significa “Deus conosco”. E se Ele, especificamente não estiver na coisa é como ver uma partida de futebol sem bola, assistir televisão sem imagem ou aproveitar rádio sem som.

O Natal deveria ser uma festa basicamente para quem comemora o nascimento do Cristo. Comemorar o natal sem fazer menção a isso, seria como um chinês cantar “feliz aaano nooovo, adeeeus aaano veeelho, que tudo se realize...” quando começa o ano novo judaico. Alguém que não seja judeu faz isso? Ou inventa relações com qualquer coisa só para o fazer?

Ok, por motivos históricos, todos, acreditem na manjedoura ou não, são bombardeados há séculos pela coisa natalina, o que justificaria uma tentativa de democratização da festa, com coisas e sentimentos mais genéricos. Mas não justifica. Dizer “feliz natal” já não faz sentido, creia você no messias Jesus ou não. (Aliás, o que significa isso? “Tenha um feliz dia de aniversário de Cristo”? é isso que desejamos ao outro quando falamos?) O que você deseja quando diz isso? Não sou de apostar, mas se o fizesse, tenho certeza que a maioria das respostas incluiria palavras tais como, “coisas boas, desejos de felicidade, de paz” oqéisso?

Não, não sou contra desejar coisas boas! Desejar coisas boas é bom. Mas todo dia é dia disso. Dizer “que você tenha muita paz” deveria ser feito em 26 de dezembro, 19 de fevereiro, 23 de julho e 5 de agosto. No dia 25 de dezembro, deveria ser dito por quem acredita no Natal, “obrigado pelo Jesus que nasceu aqui nesse mundo em condições precárias, sem luxo, ou mesmo conforto algum”. Ou dizer “Obrigado pelo presente” para o Pai. O 25 de dezembro deveria ser um memorial, um agradecer especial.

O resto do ano deveria ser um desejar de paz, harmonia alegria e etc. de forma constante.
Se você crê no carpinteiro filho de Deus, faça esse exercício. Gaste menos com tudo o que é genérico, seja específico naquilo que diz e que faz nesses dias. E deseje coisas boas todo o resto do ano. Se você não crê, tente conhecê-lo de verdade, quem ele é, o que disse, ver se vale a pena ser grato ou não. Se achar que não vale, não deixe o comércio te convencer, não festeje o Natal. Se prepare para o fim do ano comemore o novo. E de repente mude de idéia ano que vem.

Sei que o que peço parece impossível, mas sei lá, eu creio num Deus que se fez homem nascido de uma virgem, e sofreu, só para que hoje todo o que também cresse tivesse paz, alegria, vida...


(sobre esse período do ano, leia também os textos referidos no marcador "festas de fim de ano" abaixo)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Impressões de "Capitu"

Pela primeira vez posto aqui desenhos meus. Como prometido, eis minhas breves e últimas impressões sobre a adaptação para a TV da obra de Machado de Assis. Enquanto eu ia assistindo, ia fazendo. Enfim, impressões...

(clique na imagem para ampliá-la)





quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Redimiu?

Depois de um atraso de 3 dias por perder o último capítulo e conseguir resgatá-lo no Youtube, posso dizer: não sei se Capitu redimiu Dom casmurro, mas eu estava certo numa coisa, é realmente a melhor produção do ano exibida na rede Globo.

A minisérie foi tudo o que eu esperava e mais um pouco. Para os traumatizados pela escola, deixo uma pergunta: dá pra falar mal da história de “Dom Casmurro agora? Ah Luís Fernando Carvalho... O diretor declarou que fez “Capitu” para os jovens, exatamente pelos motivos que escrevi aqui no Será que “Capitu” redime “Dom Casmurro” ?

Ótima trilha sonora, contando com a surpreendente banda Beirut, a independente Manacá – banda de Letícia Persiles, intérprete da jovem Capitu, como meu amigo Junior Valler havia adiantado aqui em comentário, - Pink Floyd, entre muitos outros. Uma mistura de coisa novas e antigas cheia de referências pop no que de melhor a palavra pode significar.
De comentários, só isso, a trilha sonora. Depois deixo aqui outras e breves impressões.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Tudo é lindo e nada é meu

Ás vezes vejo-me fantasiado de libelo da luta pela verdade artística.
Um bastião da originalidade, da sinceridade musical, literária,
na busca pela pureza plástica, de intenção.
Aí, de repente olho-me no espelho e rio.
Depois, a feição muda, ruboriza
Como na vergonha de quem acabou de derrubar o garfo no chão
no jantar em que se conhece o pai da namorada
Segue-se então, um reprovar-se a si mesmo
Pela eloqüente negação da relevância da obra dos outros
É nesse momento que escuto uma canção,
enquanto imagens em movimentos se sobrepõe
Enquanto cores se misturam a tudo e palavras vem à minha mente
Nenhuma delas parece ser minha
São todas usadas, gastas
Nenhuma das cores foi misturada por mim
Tão pouco as imagens e as melodias
Mas, tudo é lindo e nada é meu
Tudo, na verdade sou eu
E aí a sinceridade e apureza aparecem
Volto-me ao original que não existe
E de maneira clara percebo que sempre esteve aqui

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Será que “Capitu” redime “Dom Casmurro”?

Você como eu ficou traumatizado ao ser obrigado a ler Dom Casmurro com 14 anos lá pela sétima, oitava série? Ou de repente, anos mais tarde um vestibular, fez com que tivesse que ler correndo junto com mais outros 12 livros? Se você disse sim, provavelmente essa violência terá deixado em sua vontade de ler, marcas indeléveis. E se isso também te aconteceu, você como eu deve ter demorado a saber o que quer dizer “indelével” , - ou ainda não sabe – já que não quis mais ler livro nenhum por um bom tempo. Mas não fique triste, você passou por um trauma e ainda pode se recuperar.

Estréia hoje, logo no fim do ano, o que promete ser a melhor atração da rede Globo do ano. Não, não é o Show da virada, o Roberto Carlos ou coisa parecida. É a minissérie Capitu.

Mas porquê essa seria a melhor atração do ano?
Porquê agora virou tradição na emissora do Roberto Marinho passar uma minissérie dirigida por Luís Fernando Carvalho, que geralmente faz tudo saindo da mesmice da TV brasileira, ao contrário do que a própria rede Globo faz diariamente. E fora isso, a adaptação pode sim, redimir Dom Casmurro, um dos nomes que mais causa traumas nos alunos nas escolas desse país.

Só pelo fato de fazer diferente, Fernando Carvalho já ganharia pontos, mas resgatar uma das obras máximas da literatura brasileira, não é para qualquer um, principalmente nos dia de hoje e na TV. Será que ele consegue?

Fernando fez o ótimo“Hoje é dia de Maria” e o um pouco difícil “A pedra do Reino” que tinham como principal defeito o horário em que passaram, quase meia-noite. Cenografia diferente, referências circenses e folclóricas, fizeram de suas minisséries oásis de originalidade e resgate da cultura brasileira sem qualquer engajamento piegas.

A adaptação da obra de Machado de Assis, não é algo incomum. Existem peças, livros, ciclo de debates, pesquisas acadêmicas sobre o livro. Existe até a péssima adaptação para o cinema com o filme “ Dom”.
O irônico é que Maria Fernanda Cândido viverá novamente Capitu - foi ela quem interpretou a amada do tal Dom Casmurro, no já citado e malfadado “Dom” - tudo por causa dos seus “olhos de cigana obliqua e dissimulada” ou ainda “ olhos de ressaca”.Nos nossos dias não poderia ser outra atriz. Quem sabe o Luís Fernando Carvalho não redime além do livro, a intérprete da personagem que da nome á mini-série.

Se você ainda está olhando torto para o tal do “Dom Casmurro”, de repente é bom dar uma chance a ele e ao Luís Fernando Carvalho. Como disse antes, eu fui traumatizado aos 14 anos, mas lá pelos 25 tomei coragem e decidi ler novamente. Venci o trauma, conheci o maior escritor da literatura brasileira, e comecei a realmente ler e escrever.

No mínimo, provavelmente será um bom entretenimento, apesar do horário.
Quem sabe você dá uma colher de chá pro Machado e não lê o livro, hein? Até porquê, ler é perguntar e responder para si mesmo...

Oqéissodrops - Continuam...


...Pessoas morrendo durante as partidas de futebol, mesmo num jogo sem muita rivalidade;

...Distintos senhores chegando com dinheiro na cueca;

...o São Paulo sendo campeão. Chega né? ta na hora de ter uma nova academia alvi-verde;

...o dólar subindo. A R$ 2,50 pelo menos está mais fácil fazer a conversão de cabeça;

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A sacola vermelha

Precisou um estado inteiro ficar debaixo d’água, confesso o meu pecado.
Depois de um ano, mais especificamente treze meses de casado, e seis de insistência da Cyn, para que eu separasse roupas para doar, o fiz. Toda a falta de tempo, por causa da rotina da vida, preguiça e falta de vergonha na cara, foram deixadas de lado e uma grande sacola vermelha começou a ser enchida.

Vários itens que eu sabia que seriam enviados e outros tantos que fui descobrindo enquanto procurava. Algumas roupas usadas apenas uma vez, outras ainda nem estreadas foram se acumulando. Além disso, alguns perecíveis.

Momento antes, enquanto víamos na TV pessoas arrasadas por perdas materiais e familiares, conversávamos assustados como alguns outros milhões de brasileiros que assistiam os telejornais noturnos, sobre a tragédia. “Passou da hora, né?”, foi minha pergunta-confissão, assentida com um balançar vertical do rosto da Cyn.

No dia seguinte ao voltar para casa, depois do trabalho, dei de cara com a enorme sacola vermelha, resquício ainda dos presentes de casamento, agora servindo a outro propósito. Comecei a pensar em mim e nos outros. Em mim e nos outros. Nos outros. Nos outros...Por quê os desabrigados por causa de uma catástrofe natural eram especiais? Lembrei dos amontoados de gente, às vezes escondidas por cobertores que vejo no frio da manhã durante a ida para o trabalho, e na volta, ali na praça, perto de casa. Porquê não existe uma campanha por eles todos os dias? Os desabrigados sociais, não tem o mesmo valor?


Talvez seja porquê sua situação seja mesmo responsabilidade nossa, não seria uma ação de soliedariedade, mas de obrigação mesmo. Não nos colocamos na pele do outro na condição de miséria. Nos colocamos na situação de quem perdeu tudo por causa da natureza (de Deus diriam alguns). Isso sim, poderia acontecer conosco. Ao ver as doações em minha cidade, percebi que muita gente hoje em dificuldade no quintal ao lado poderia estar muito bem, e que catástrofe é na verdade a indiferença.

Indiferença. Engraçado foi perceber como um ano passa rápido, mas pode ser o suficiente para muita coisa boa e ruim mudar em nossa vida, até mesmo numa rotina. No início a presença dos abrigados por marquises e ralos cobertores nos incomodava muito. Às vezes tínhamos medo, ou no mínimo ficávamos sempre desconfortáveis. Mas depois de uma dúzia de meses, ou até menos que isso, já nos acostumáramos. O bom, velho e cômodo acostumar-se com as coisas. Não que nunca mais nos chocássemos, mas o impacto certamente foi diminuindo a cada dia.

É foi aí q a chuva começou a cair sem parar no sul do Brasil. E aconteceu...Impacto! Algo que nos atinge, nos pega de todos os lados. Não conseguimos nos afastar ainda que estejamos a milhares de quilômetros de distância. Números assustadores, desabrigados, mortos, perdas econômicas. Nos assustamos, nos movemos. Sentimos pelos outros novamente.
Nós, sentimos pelos outros.

Nós pelos outros.
Pelos outros.
Outros.
Nós.

Nós , sei que não falo só por mim. Importava, agora a nós agir. Por dois motivos simples. Porquê existe quem precisa dessa ação e porquê em breve nos acostumaremos com essa necessidade. Como em relação a todas as outras coisas. A tudo a gente se acostuma. Coisa que nem imaginamos mais, que nos incomodavam, já nem ligamos.

A sacola vermelha estava lá. Passei por ela, cansado, cônscio e alerta que a velocidade frenética do mundo, nos deixa letárgicos em relação ao outro. É isso que o pensamento, ritmo e as necessidades de hoje provocam em nós. No dia seguinte levei-a até um dos pontos de arrecadação.
É, nós. Se eu amar o próximo como a mim mesmo,” NÓS” seremos todos.
Nós. E aí não será mais necessário chover tanto assim (e muito menos usar a sacola vermelha).


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