UM DESENHO POR SEMANA

segunda-feira, 30 de março de 2009

oqéissodrops – Indianidades, retrancas e Rubinhos

Reflexos do fim-de-semana:

  • Ontem fui a uma feira de roupas com a Cyn, e estavam lá uma moça com um negócio grudado na testa e um stand de roupas e decorações indianas. A índia é importante, esta no BRIC junto com o Brasil e tal, mas essa coisa de enfiar a cultura indiana em tudo quanto é lugar é de amargar. Antes mesmo da novela pegar, via na programação da emissora que exibe a novela várias matérias dizendo que tal roupa ia ser moda, tal dança ia ser sucesso e tal expressão seria uma febre. Ou seja, nada foi expontâneo, tudo foi pensado, e não é que deu certo? Um belo exemplo de como às vezes é fácil induzir as pessoas a fazer o que você quer quando se tem os instrumentos certos nas mãos. Puxa, eu já vi isso em algum lugar...
  • A seleção jogou na retranca contra o Equador. Foi feio, mas já vi jogos piores dessa mesma seleção. Júlio Baptista é um coringa, um atacante que joga no meio campo ou um meio campista que joga no ataque. Nenhuma pessoa no Brasil em sã consciência diria que gostaria dele jogando na seleção, mas toda vez que ele entra, joga bem.
  • E não é que a equipe do Barrichello parece que é vai bem mesmo? E na boa, contra o resto do universo, eu curto o Rubinho. Ele ganhou muito dinheiro fazendo o que gosta e sem se importar com o que os outros dizem continua fazendo. Você não faria o mesmo se pudesse? Outro dia falo mais sobre ele.

Por hoje é isso, em breve outros. Intés!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Não dá para engolir

“Tudo o que eu queria aquela hora era conseguir engolir normalmente e poder ir dormir.”

O irônico é que dias antes estava meio chateado com as coisas da vida, mas pensando comigo mesmo, como diriam nossas mães “pelo menos não estou doente como há duas semanas porquê aí eu me lembraria de como as coisas estão bem.” Às vezes uma simples dor de garganta pode fazer a gente pensar que há dois dias éramos seres felizes e realizados. Nada grave, não precisam ser seus últimos momentos de vida. Uma dor de garganta, um resfriadozinho mais forte dão conta de te mostrar como a vida era bela até bem pouco tempo.

Foi o que aconteceu comigo. Já ouviu a expressão “não dá pra engolir”? Pois é, foi basicamente isso, uma amidalite e nada passava, nem mesmo água. Uma dor sincera me pegava só de engolir. Aconteceu depois de uma 5ª e 6ª feira febris, um sábado com A garganta mais inflamada de todos os tempos, pelo menos pra mim. Sem o prazer, fome ou a vontade de comer, por causa da dor a cada garfada. Está me achando dramático? Não estou sendo, o contrário disso.

Nesse momento comecei a pensar em como era uma pessoa feliz 3 dias antes, podia, por exemplo beber água sem sentir dor, numa boa, assim, quando sentisse sede, ou mesmo que não sentisse, só porquê quisesse. Tinha a liberdade de engolir alguma coisa no momento em que desejasse.

Percebi então que engolir é mais uma daquelas coisas nas quais não prestamos atenção. Não damos o menor valor. Eu era uma pessoa feliz quando engolia. Não que agora fosse me atirar de um prédio, mas há três dias com a minha incrível, livre, indolor capacidade de engolir eu era muito mais. Arrisco dizer que os passarinhos cantavam mais bonito, o sol brilhava diferente, casais de namorados andavam pelas ruas, avôs levavam os netos para tomar sorvete nas tardes de domingo e provavelmente o índice de criminalidade era incrivelmente baixo e o de desemprego inexistente.

O conhecimento popular diz que nós valorizamos mais uma coisa quando a perdemos. Taí, ENGOLIR! Coloque também dormir, respirar, enxergar, ouvir e etc. Acrescente outras prazeres mais evoluídos tais como, olhar para o céu, ir ao cinema com a namorada, ouvir o barulho do mar, assistir filme de madrugada, tirar o sapato e tal. Ok, eu sei pareceu meio piegas. Talvez seja, e não é a minha cara.

Agente perde o sono por coisa menos importante, se preocupa à toa com o que não tem jeito, ou com o que não merece preocupação. Digo isso já que escrevi esse texto na minha área de serviço às 02h30 da madrugada porquê não conseguia mesmo dormir, mas por causa das minhas dores na garganta. Não via a hora de nos dias seguintes deitar na cama, dar adeus a qualquer dificuldade da vida e em paz pegar num simples e leve sono.

Ah, bons e simples prazeres da vida! Nada de sentir vossa falta!
E é nessas horas que a gente vê que aquilo que aprendemos na quarta série sobre a água não ter gosto, é a maior besteira! A água é a coisa mais gostosa do mundo. Como é bom bebê-la numa boa novamente. Como é bom perceber as coisas novamente.
Simples assim.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Todo dia é dia

Vi um comercial da Marisa sobre o dia internacional da mulher, dentro da atual campanha da loja na qual Thaís Araújo conversa com suas amigas atrizes. Aí uma delas fala “Blá, blá, blá porquê todo o dia é o dia da mulher.” Foi aí que eu soltei a frase: ”nossa que coisa mais demagógica, pra vender mesmo!” no mesmo segundo, minha digníssima esposa perguntou: “e não é mesmo todo dia o dia da mulher?”

Eu tinha conceitos prontos na minha mente, e meu comentário foi puro reflexo ao texto do comercial. Para mim a frase em questão é utilizada para quase qualquer coisa. Você pode fazer o teste, tente preencher a lacuna:

Todo dia é dia de...

Dentre outras coisas você pode ter colocado:
· “pomarola” (um comercial famosos dos anos 80 que tinha um jingle que grudava na orelha);
· “das mães” - um hit nas escolas e no comércio ainda nos dias de hoje;
· “doar sangue ou de “ser solidário” e etc;
· “índio” – música de Jorge Benjor (que já foi Jorge Bem) interpretada por Baby do Brasil (que já foi Consuelo);

Ou seja, todo o dia é dia de alguma coisa, mesmo que não o seja oficialmente. Colocar qualquer categoria nesse balaio só tira a relevância da mesma. Falar que todo dia é dia da mulher é algo demagógico sim, tanto para homens quanto para mulheres.

As mulheres merecem todos os dias, assim como as mães, que por coincidência são todas mulheres também. Exatamente por isso merecem também ser tiradas da insignificância do jargão "todo dia é dia de"...Não merecem ser comparadas com qualquer outra coisa(essa é a palavra mesmo) não merecem nem justificar que devam ser valorizadas. Às vezes até auto-valorização, ainda que merecida pode jogar contra o patrimônio. Elas não precisam disso.

Posso dizer que esse é o primeiro ano que passo a data que aponta o “dia internacional da mulher” conhecendo uma mais profundamente, no caso aquela com quem me casei. Mesmo que seja um tempo curto, pouco mais de um ano, vejo , sem demagogias, que realmente todos os dias são poucos e um dia só é simplesmente ridículo para ser da mulher.
Não são todos os dias, não é um dia só. Apenas é. E toda mulher “É” e muito. Pelo menos tirando pela que eu conheço melhor.

Assim digo a todas, parabéns, não hoje ou domingo, mas o dia que vocês quiserem.

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