UM DESENHO POR SEMANA

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Para calar a boca do Galvão eu conheço a solução.

É simples. Pare de falar dele. Como fazer isso? Também é simples, aperte o “mute” da sua TV ou troque de canal.

A piada já está ficando sem graça e sem sentido. Eu também me irrito com a narração dele. Por isso não assisto jogos pela Globo quando ele narra. Mas isso para mim não adianta mais, porquê por causa da gozação ele está em todo lugar.

O narrador Galvão Bueno, tem ainda mais voz hoje, exatamente por aqueles que tiram o sarrinho dele. Ele já aparece demais na copa e, para ajudá-lo a aparecer mais o pessoal requenta a piada e o deixa onipresente, mesmo falando mal.

Colocaram o locutor no Trending Topics. O que vou dizer? Agora até quem não conhece o cara no mundo inteiro vê o nome dele ali do lado direito da página do Twitter.Ou seja, de um jeito ou de outro o Galvão ganhou o mundo.

Na verdade já estou pensando que essa pegação de pé é mesmo uma homenagem. Estamos o transformando num ícone, numa lenda da comunicação.

Parabéns Galvão, você está no inconsciente coletivo. Parabéns aos piadistas, agora, até quando o Sr. Bueno está em silêncio ele fala através de vocês.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Luísa e os pés na borda

Olhou para os pés enrugados. Olhou para água. Viu o menino de nove anos que subia na borda para pular de novo. Sem mover a cabeça levantou os olhos. Na piscina, duas meninas da mesma idade e um outro menino brincavam. Já haviam pulado, se divertiam agora de outras formas. Molhada e com o frio de quem está do lado de fora, enquanto se encolhia e juntava os braços ao resto do corpo, pensava, queria mas não ia.Todo mundo pulou. Água, pés, água. Tchibum. O menino de nove anos pulou de novo. Mergulhou, na verdade. Enquanto ele voltava do fundo seus olhos o acompanhavam e seu corpo tremia. Ele voltou à tona, ela voltou à borda.

Concentrou-se novamente em sua questão. As outras crianças foram pular do raso, para poder ficar saltando e voltando freneticamente - já tinham pulado do fundo, mas de lá demorava muito para saltar de novo.

Ela não podia saltar do raso, ainda não havia tentado o fundo. “Você não precisa pular, ta? Só se você quiser” dizia a voz materna que aparecera calmamente ao seu lado, depois de aproximar-se e abaixar-se bem perto dela. Nenhuma reação, os olhos nos pés na borda.

O menino de nove anos saiu outra vez mas não pulou. Ficou ao lado dela alguns segundos. “Olha, é fácil, você vai um pouco pra frente e pula. A sua bóia não vai deixar você afundar”. Ela olhou de lado para ele e voltou a observar a água da piscina.

“Olha, assim ó” o menino disse antes de pular da maneira mais simples que conseguiu, para mostrar como era fácil e encorajá-la. Ainda tremendo, ela o acompanhou com seus olhos, até o derradeiro “ta vendo, é fácil, você consegue!” do menino de nove anos. O viu baixar a cabeça na água e nadar até o outro lado da piscina.

Voltou ao seu dilema. Naquele momento, entre o frio de fora e o frio do medo, preferiu o morno da água. Sentou-se na borda e sem pensar mais, entrou na piscina, deixando as difíceis decisões da vida para outro dia, quando não fosse prioridade apenas brincar.

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