Isso geralmente acontece às segundas-feiras pela manhã.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Os Monkees eram todos
Todo mundo desatou a falar dos Beatles por causa da tourné de Sir Paul McCartney (com fim nesta última madrugada) aqui na pátria amada, idolatrada, salve, salve. Ok, é um assunto relevante mesmo, e todo mundo tem uma história sobre a influência musical, sobre os pais, avós etc. Inclusive eu, mas não é bem disso que se trata este post.
A ideia dele nasceu quando comemorava meu aniversário de casamento há um mês.
Comecei a twitar videos do youtube de músicas que falavam de amor, algumas de minhas preferidas, algumas da bela história com a minha esposa. Ao procurar God Only Knows, dos Beach Boys apareceu entre as opções de vídeos relacionados o clip abaixo.
Por mais “Beach” que fossem os caras da banda, para mim esse clipe não fazia o menor sentido, não combinava com a imagem e postura que eu sempre enxerguei neles. Mas ok, twitado God only Knows, ia mandar para a galera a próxima música, Happy Together, The Turtles
Uepa! Mais um clip com os membros da banda fazendo coisas sem noção. Aí pensei, “nossa, nos anos 60 todos os clips pareciam com episódios dos Monkees” (Hein, os Monkees?)
E o que é que Sir McCartney tem a ver com tudo isso? Resolvi procurar uma referência Fabfour da mesma época
Voilà, clip do filme da música Can’t buy me Love extraído do filme A Hard day’s night, 1964
Foi aí que lembrei que não eram os clips das bandas que pareciam com os Monkees, mas os Monkees é que pareciam com os clips das bandas sessentistas. A série de TV retratava a imagem que se passava da maioria das bandas da época, com garotos esquisitos e meio sem noção, sendo perseguido por fãs e fazendo coisas totalmente nonsense. Uma fórmula que deu resultado por duas temporadas (66/67 e 67/68) e rendeu dois discos para os atores metidos a músicos.
Relatos contam que, embora os músicos de verdade torcessem o nariz para a banda, os Beatles eram fãs da série. Talvez por enxergarem ali, um pouco da suas vidas sendo retratadas de maneira escrachada, às vezes ridícula, bem longe do endeusamento midiático.
Se for pensar mesmo, era bem a cara deles.
E para terminar, se Sir McCartney viu, certamente adorou esse mashup:
sábado, 20 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Quem ama respeita, Cláudia Leitte!
O que é que você espera quando contrata um serviço? Aliás o que é um serviço?
Em uma das definições do dicionário:
“Execução de trabalho ou desempenho de funções, ordenados ou pagos por outrem.”
“Pago por outrem.” Espera-se do serviço o cumprimento das condições propostas no ato da compra. No caso de um show ou apresentação teatral, no bilhete de ingresso estão especificados qual é o espetáculo, o artista que se apresentará, o tipo de acomodação, setor a que se terá acesso e o horário de início.
Na quebra de um contrato por falta do cumprimento do serviço, a parte lesada pode processar o prestador.
Mas, quando a parte do serviço não prestada se refere ao horário de um show musical, isso raramente acontece. O público não processa os organizadores ou o artista. Quando se sentem lesados por falta de qualidade técnica, atraso do artista, ou baixa qualidade da apresentação, tudo o que o público quer é manifestar sua insatisfação e isso acontece geralmente através de vaias.
Desde que o mundo é mundo e existem manifestações artísticas, se o público não está contente, todo mundo vaia.
Vaia é sim uma ofensa, uma agressão. Mas é também um código do meio.
No vídeo acima, feito no último dia 14, Claudia Leitte reclama das vaias do público após o seu atraso. Ela diz entre outras coisas que deixou sua família pra fazer o show. Fez muito mal, deveria ter diminuído o número de shows e ficado com o marido e filho. Quem ouve tem a impressão que ela estava ali fazendo um favor ao público. Não, ela estava prestando um serviço.
Os fãs queriam se divertir com tudo o que sua produção prometia, inclusive com um show no horário.
A atitude de artista, com chororô falando de amor, mostra uma ingenuidade mentirosa. Quem ama também respeita. Se os problemas técnicos é que fizeram o atraso, cabia a ela como prestadora do serviço apenas pedir desculpas, dar ma bela adulada no povo e mandar ver no show, conquistar a galera e fazê-la dizer sim “foi o melhor show da minha vida, valeu cada minuto da espera”. Isso sim seria respeito.
Mas não, em todo o seu discurso ela está pensando apenas em si e não nas pessoas para quem ela foi fazer o show. Age como vítima e não como quem deixou de dar algo pelo qual cada um daqueles consumidores do produto artístico de Cláudia Leitte, pagou.
Sua mágoa não tem razão de ser, já que a vaia foi por motivos técnicos e pelo atraso e não por que ela esqueceu uma letra ou caiu enquanto dançava.
Cláudia mostra uma meninice não condizente com seu status de estrela da música pop. Melhor seria que ela xingasse todo mundo e dissesse “calem a boca que agora eu vou cantar”, seria mais sincero e até mais artístico. Ou apenas rapidamente pedisse perdão e começasse o show.
Mas ela escolheu fazer um discursinho fajuto e sem sentido para quem vende um serviço ou produto.
Isso tudo acontece na antevéspera do show de um dos artistas mais importantes de todos tempos. Um artista que provavelmente começará o show com atraso, mas que aos 68 anos, não pedirá desculpas, apenas vai tocar todas as músicas que os fãs esperam em versões originais, do jeito que eles querem, durante três horas e sem parar pra beber água.
Vai Cláudia Leitte, assiste o show do cara, quem sabe você aprende alguma coisa.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
um desenho por semana para um mundo mais bacana XXVII
Festa de Casamento
No piscar dos estrobos e holofotes do momento eletrônico da celebração, rola "um desenho..."
No piscar dos estrobos e holofotes do momento eletrônico da celebração, rola "um desenho..."
terça-feira, 9 de novembro de 2010
O auto-preconceituoso
Era final da década de 90.
Tempos de 6ª NBA na Band com comentários do Marcel (o jogador) que maravilhado falava sobre atuações memoráveis de atletas já como Larry Bird do Boston Celtics, Isaia Thomas do Detroit Pistons, o maravilhoso Magic Johnson e é claro, do maior de todos, Mr. Michael “Air” Jordan.
Um grupo de adolescentes ia sempre ao Parque Ecológico Emílio José Salim, na cidade de Campinas, para jogar basquete. Pertenciam a uma mesma fé, congregavam em uma pequena igreja de bairro.
Para eles não havia dia ideal, eram finais de tarde em dia de semana, manhãs de sábado e tardes de domingo, sem muita cerimônia. Mas aquele dia fatídico foi num feriado e além de simplesmente amigos adolescentes se divertindo, famílias, grupos de igrejas também apareciam por lá.
E foi nessa, que em um inocente jogo de vôlei “misto”, algo diferente aconteceu. Um homem, um pastor, estava ali com os membros da igreja onde trabalhava (não aquela onde os amigos frequentavam). Enquanto o pessoal dele jogava futebol em outra quadra ele apareceu com a filha. Sem perder tempo uma das meninas do grupo perguntou se ele não queria jogar também. Ele aceitou, mas logo as meninas saíram, e os rapazes puderam jogar basquete novamente.
Em um lance de jogo, o pastor, o homem, por não saber o nome dos que estavam jogando, soltou:
- Marca o paraibazinho ali! - O referido jogador, chateado com a alcunha dada, com a bola ainda em jogo, mandou em sua defesa:
- Eu não sou paraibano, sou paulista!
O homem não se desculpou, e ainda continuou
- Ah, mas você é descendente” - enquanto soltava uma bela gargalhada, que irritou ainda mais o rapaz.
- Meus pais são aqui do sudeste, sou descendente de italianos, portugueses, negros e holandeses!
A bola havia parado. Nesse instante, o homem soltou a última:
- Só se for holandês do Ceará! – enquanto gargalhava novamente.
O rapaz não disse mais nada, ficou irritado o resto do jogo, não se divertiu mais. Sim, ele tinha toda aquela ascendência que havia vociferado contra o seu provocador, inclusive a holandesa. O adolescente tinha traços e sim tinha ascendência nordestina bem direta, avós paternos. Tinha também a pele branca, branca, branca dos europeus, o cabelo e o nariz e boca característicos dos negros e olhos puxados de índio.
Mas ele só foi se perceber, se aceitar “em parte” nordestino, anos mais tarde através de sua namorada que um dia disse “eu sabia, tá na cara” quando ele falava de suas raízes.
Nesta altura do campeonato você sabe quem era o fedelho. Um bobo adolescente de 15 anos que se chamava Jean Marcel.
Nesse tempo todo eu nunca manifestei seja em ação, palavra ou pensamento, preconceito contra qualquer nordestino. Mas manifestei contra todos e contra mim memso mesmo, quando me ofendi após alguém dizer que eu era um deles.
E hoje sim, posso dizer que sou. Não porquê tenho traços nordestinos, mas porquê sou como eles, sou brasileiro, graças a Deus. Sou fruto de tudo o que existe neste país, africanos, europeus e índios, nordestinos e sulistas. Sou paulista porquê nasci aqui, porquê 75% de toda minha família nasceu aqui, tenho o bom e o ruim de quem foi criado aqui. Mas cada traço do meu rosto diz que eu não sou de nenhum lugar, como diria Arnaldo Antunes, e de todos ao mesmo tempo.
Lembrei desse episódio após aquela chuva de manifestações xenófobas no twitter. O preconceito existe e está mais perto do que a gente pensa e atinge a quem menos se espera. Às vezes está dentro da agente e ofende a nós mesmos. Eu já aprendi e me perdoei.
Espero que haja também arrependimento e aprendizado nesse país e que haja perdão. Só assim vai haver crescimento, não da economia ou do Estado, não das redes sociais, não só do povo, mas da gente como Nação.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
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