UM DESENHO POR SEMANA

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Sobre o meu 2011

Em 2011 eu fiz mais amigos do que eu imaginava. Entendi que amizade é uma coisa que acontece, que realmente não dá pra forçar.

Percebi que amadureci e às vezes até pareço ter minha idade cronológica.
Em 2011 percebi que a melhor fase da minha vida é hoje. Que não tenho lá muita saudade do passado.

Entendi que pausa é música, como se diz por aí e que o silêncio é som.
Que paz é a verdadeira luta e fazer guerra é fácil. Percebi que sou abençoado por Deus e para Ele, minha esposa e minha mãe sou bonito por natureza.

Entendi que o rock não morreu, está suspenso no ar pra quando alguém quiser ou precisar usá-lo, embora pouca gente ande querendo. Que moda tem uma razão mas pra mim continua não fazendo sentido. Que amizade é tesouro e que as coisas acontecem às vezes por certas razões que se agente parar para pensar direitinho, entende.

Descobri que Clarice Lispector ainda continua escrevendo mesmo depois de morta.

Enxerguei que eu preciso de menos do que eu pensava para ser feliz. 
Percebi que preciso perder 20 kg, já foram 2.

Entendi que o tempo é todo seu e você escolhe o que faz com ele. 
Percebi que a maioria dos heróis é covarde. Fogem do cotidiano, pois não sabem lidar com ele.

Percebi que ainda gosto de Wallflowers. 

E que realmente não gosto de bolo de cenoura. 

Entendi que algumas pessoas são pra sempre em sua vida, mesmo que você fique cinco anos sem conseguir encontrá-las.

Resolvi que nunca mais vou deixar de desenhar, como fiz no passado.

Percebi que sem querer as pessoas são realmente quem são nas redes sociais, até as que fingem não ser.
Percebi que família é um negócio bom demais pra você não gastar tempo com ela, embora às vezes seja bom ficar longe.

Vi que minha geração é privilegiada: viveu o suficiente no mundo analógico para ter saudade, mas consegue aproveitar os benefícios da era digital.

Reafirmei que definitivamente eu odeio excel e dou graças a Deus por não trabalhar com ele.

Percebi que todo mundo tem um ditador dentro de si pronto pra tomar o poder e não respeitar a liberdade e opinião dos outros.

Percebi que segundo minha matemática da 3ª série, os únicos números que multiplicados e somados por si mesmo que dão o mesmo resultado são o 2 e o 0. Entendi de uma vez por todas que sou estranho embora pareça normal, ou vice e versa.

Vi que para a maioria das pessoas dizer “não sei” sobre coisas da vida é mais difícil do que aprender física quântica.

Corri demais, sabendo que estava fazendo isso. E vi a necessidade de andar devagar como diriam Almir Sater e Renato Teixeira.

Em 2011 fechei ciclos e me preparei para abrir outros em 2012. Tomei decisões que vão mudar a minha vida. E parei. Agora vou respirar, pensar, experimentar, entender e desentender.

Afinal, há tempo pra tudo, como dizia o sábio pregador.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

3LADOS - Lucas Pedro e as fomes que podemos sentir

Mais uma bela reflexão no 3LADOS de hoje, querente com o tempo que vivemos. O Designer e ilustrador Lucas Pedro, mostra suas 3 visões de uma das maiores necessidades do mundo, e ainda provoca a mim e a você.

Veja aí:


Lucas Pedro publica suas reflexões, seja em ilustração, seja em texto, no blog Transformai-vos e é o fundador do 37 graus, projeto de trabalho colaborativo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

3LADOS - Rubens, Junior e a fragata tipográfica


Esse é um 3LADOS zoo-literário-tipo-fotográfico. O espinafrador Junior Valler e o redator Rubens Gualdieri (já anteriormente participantes desta coluna aqui e aqui) se empolgaram na ideia e se juntaram nessa tabelinha que resultou num gol de placa que navega por várias áreas da comunicação.
Veja se não ficou show:


Uma Fragata nadando na imensidão do mar celeste, solitária, mas desenhando sua presença e dando um contorno suave no papel azul.
Tão simples e tão direto que até arranca um sorriso do rosto. E sorriso chama sorriso. É contagioso.

Aí, um designer enxerga além do que os olhos podem ver e a festa da percepção está pronta: São 3 personalidades com o mesmo sorriso.

O sorriso espontâneo: 

Sabe aquela pessoa que tem o sorriso espontâneo, riso fácil? É o cara Comics Sans.
Ele foi criado pra ser um piadista e não adianta colocar em uma função burocrática que ele vai estragar tudo. Ele transforma qualquer tese de doutorado em uma piada. Às vezes de mau gosto, mas, quem disse que ele foi criado pra isso? Basta ver o sorriso largo, maroto e os olhinhos quase fechados de tanto rir. É um bonachão.




O sorriso sorridente:

Tem outras pessoas que fazem exatamente aquilo que foi pedido: sorria – ela sorri. Não sorria – ela não sorri. Tudo muito regular, exato, milimétrico. Tenho um pouco de medo dessas pessoas tão previsíveis. De antemão você sabe exatamente o que vai encontrar: um sorriso com curvas, olhos redondos, fisionomia absolutamente normal. E amarela. Essa é a pessoa Bodoni, que poderia muito bem ser um show man com um cartaz amarelado anunciando a próxima atração. Com o rigor que a ocasião merece.



O sorriso moderno:

Ele é o preferido de dez entre dez designers. Basta ele esboçar um sorriso, para que todos comecem a gargalhar. Uma curva absolutamente regular faz a sua graça e os olhos parecem trazer um estilo óculos quadradinho, moderno, que confere certo ar de inteligência no sorriso. É um cara confiante, dificilmente decepciona um trabalho e dá certo aspecto de coisa boa, mesmo que essa coisa seja uma merda. Essa é a mania do cara Helvética: ter uma leitura ótima, sobre coisas absolutamente sem sentido.



Não vou colocar nariz de palhaço


Não vou colocar nariz de palhaço.
Acho isso uma palhaçada com artistas tão importantes.
Não vou colocar, pois não quero fazer ninguém rir. Não vou colocar por achar que isso é sinônimo de uma sociedade falsamente indignada, o atestado da consciência inerte do cidadão. Não vou colocar.
Não vou colocar porque essa cidade não é um circo. No circo você paga se quiser por um serviço e o recebe.
Não vou colocar porque meu nariz precisa continuar sentindo o cheiro podre, não pode ficar achando que vivo numa cidade perfumada.
Não colocarei nariz de palhaço, pois ele sumirá no meu rosto já vermelho de raiva.
Não vou colocar nariz de palhaço, pois esses ditos senhores não merecem minha graça e a dos clowns. Não merecem a graça das coisas infantis, das engraçadas ou das lúdicas. Esses senhores não merecem sorrisos ou qualquer lembrança de algo que provoque risadas.
Não vou colocar nariz de palhaço, pois o que esses senhores fizeram não tem graça nenhuma.
Não vou colocar nariz de palhaço hoje ou no ano que vem. Não vou, eu não quero isso, eu não aceito isso. Não vou fazer isso comigo, com a cidade, com os artistas.
Não vou colocar nariz de palhaço hoje ou daqui a um ano quando precisar votar. Nessa época procurarei palhaços pra eleger, pois são mais dignos do que os senhores distintos. Pensando bem, não votarei nem em palhaços, pois correrá o risco de que o circo fique menos engraçado e os artistas menos líricos.
E como eles dizem, eu prometo: vou lembrar de cada um deles e avisar quem eu puder e só assim jogar longe o tal nariz de palhaço.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Um desenho por semana por um mundo mais bacana XLXIX

Post atualizado em 10/12/11
O redator Rubens Gualdieri viu o desenho por semana e mandou um poema. Assim que li tive que atualizar e colocar aqui. Veja o DESENHO, leia o POEMA:


"dois tempos em um"


Dois tempos em um 
(por Rubens Gualdieri)
Sem você me sinto em um temporal
Com você tudo é atemporal
Sem você não há tempo
Com você, chego a tempo
Sem você é matar o tempo 
Com você é viver o tempo 
Contar o tempo que falta 
Resolver a falta de tempo
Se o tempo é igual para todos
Nem todos são iguais para o tempo
O mundo todo sem tempo sou eu sem você
O tempo todo do mundo é você e eu

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

3LADOS - Gisele Moura e a visão prática de uma artesã

Olhar para uma pedra e enxergar uma escultura, ver o fundamental de uma obra, ou simplesmente um pedaço de rocha. É assim a tríplice visão proposta  pela talentosa artesã Gisele Moura. Só que com outros materiais e muito mais importância nos dias de hoje.

Confere aí:

Lixo: substantivo que dá nome a apenas um dos jeitos de ver as coisas.








Gisele Moura é Artesã e dona de um acervo imenso de "lixos" que viraram ou virarão moda.


Belo Monte – Minha opinião sobre algo que eu não conheço.


Li, vi, assisti, até discuti. E pra falar a verdade cheguei a apenas uma conclusão: eu não sei.
Não sei se Belo Monte é bom ou ruim. Não sei se é tudo verdade o que falam positivamente, não sei se é tudo o que falam negativamente. Sei que vi alguns bons argumentos dos dois lados, mas muitos péssimos. 


Ouvi gente que se posiciona como se soubesse muita coisa, mas obviamente não sabe. Ouvi gente que dentro da minha ignorância sócio-político-ambiental, parece saber, mas que eu não tenho como afirmar. Vi discursos inócuos, vídeos bem e mal produzidos. Ouvi anarquistas, esquerdistas, oposicionistas ao governo atual que são contra, ouvi gente cuja posição política eu desconheço.  Ouvi gente pró-governo que é a favor (parece redundante mas não é). Ouvi gente que é contra qualquer coisa, ouvi quem é contra a Globo. Ouvi conhecedores do problema energético e outros que dizem ser.

Ouvi amigos, ouvi minha esposa.

Ou seja, fiz o que a gente deve sempre fazer quando uma questão que não dominamos tem tanta importância quanto essa, ouvir.

E o que eu entendi de tudo isso?1. Percebi que como todo assunto polêmico há os que escutam e os que não querem ouvir nada.  Há os que querem provar coisas e os que querem o debate, para entender um pouco mais do assunto e só assim emitir uma opinião. Há também aqueles que só repassam, compartilham o que parece ser bom ou ruim, mal de nosso tempo facebookico.

2. Percebi que nem todo mundo está pronto para usar uma rede social como plataforma de manifestação de que se acredita. Jogam suas opiniões para 500 pessoas na rede e não aceitam que uma delas discorde. Enquanto alguns incentivam o debate que pode ser infinito, outros o limitam, diminuindo quem discorda deles. Já vi isso acontecer em blogs que eu gostava e acabei por perder o respeito por causa da falta de senso democrático com os discordantes.

3. Vi também que uma discussão paralela à construção ou não de Belo Monte foi provocada pelo vídeo do Movimento gota d’água, compartilhado à exaustão. Sobre mídia, reais intenções de campanhas e matérias, manipulação das massas, hipocrisia etc.

Também relembrei coisas que já sabia: Não dá pra ter uma opinião 100% embasada sobre qualquer coisa, não adianta. Mas é de cada um pelo menos buscar um pouco mais antes de dar RT, colocar no mural, ser contra, a favor, amar ou detestar e assinar ou não uma petição.

Então tá, mas e sobre Belo Monte?Bem, sobre a usina mais polêmica do momento a minha opinião é que você gaste um pouco de tempo vendo o que várias vertentes pensam, colete informações e forme a sua, pois estou bem na de pensar em qual é a minha responsabilidade nisso tudo, em como minhas ações refletem em questões de sustentabilidade, crise energética, desmatamento e até mesmo o futuro de populações ribeirinhas e indígenas em curto prazo, e urbana (geral) em médio e longo e prazo.

E o que eu devo fazer?
Há muita discussão nas redes mas pouca ação. Eu já me peguei compartilhando uma campanha de doação de sangue sem nem cogitar a hipótese de ir doar, como se o fato de passar para frente já me isentasse de qualquer ação mais prática. 



Assim pra não ficar na de compartilhar por compartilhar, seguem então alguns links pra você formar, reafirmar ou transformar a sua opinião:

CONTRA BELO MONTE
O Famoso Movimento Gota d’água 

Célio Bermann, prof. do Instituto de Eletrotécnica e Energia da (USP) (também cabe no contra hipocrisia)


                      Marina silva



A FAVOR DE BELO MONTE 
Resposta de alunos de Eng. UNICAMP ao movimento Gota d’água 

José Antônio Muniz Lopes - diretor de transmissão da Eletrobras
. 

Fábio Bittencourt - "Um dossiê a favor de Belo Monte"


CONTRA A HIPOCRISIA DAS OPINIÕES
Rafinha Bastos


CONTRA MANIPULAÇÃO DA MENSAGEM E AFINS
Blog do Marcelo Mauro

Existem inúmeras outras manifestações de opinião disponíveis na web. Caso queira indicá-las ou dar opiniões, o espaço de cometários está aberto.


Agradecimentos aos que contribuíram para a discussão expressa nesse post:
Junior Valler
Aninha Ruiz
Camila Diniz
João Ricardo



Atualizado 06/12/11 - E para somar a tudo isso veja o filme que está sendo feito sobre o assunto. Segundo os próprios produtores, a produção tem caráter investigativo e independente, sem rabo preso com ninguém, pois é o dinheiro de cada um dos envolvidos que está financiando a película. (vi no Update or Die)  



Belo Monte, Anúncio de uma Guerra (CATARSE) from André Vilela D'Elia on Vimeo.

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