UM DESENHO POR SEMANA

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Só um detalhe

Uma vez Carlos Alberto Parreira disse que o gol era apenas um detalhe, que a produção dentro de campo e as oportunidades criadas é que contavam. Foi enxovalhado por isso. Mas ouso dizer que ele estava certo.
Pensei nisso ao ver um vídeo postado por Kaká no twitter para elogiar o seu agora ex-companheiro de profissão e seleção brasileira, Ronaldo.

Um vídeo só de gols que o Ronaldo deixou de fazer. Ronaldo NÃO fez, muito gols. A questão é que só um craque como ele pode deixar um lance sem gol, tão ou mais sublime do que outros tantos em que o tento foi convertido.

Isso porquê Ronaldo não driblava para dar show. Dava show com dribles. Ele fazia porquê sabia fazer, porque aquilo o servia, servia a sua função de fazer gols e servia no final ao time. E era lindo, mesmo quando o gol não saia. Confira aí



Mas voltando ao Parreira, ele estava certo. Como vimos acima, o Gol é apenas um detalhe. Só que os gênios são aqueles que se preocupam com os detalhes sem esquecer da beleza do todo. E diga lá, ô cara pra gostar de detalhe como esse tal de Ronaldo Fenômeno Nazário de Lima, hein?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Jerry Lewis - Typewriter - EU GOSTO



No clima do que falei aqui sobre as famigeradas listas de melhores, voltarei a postar aqui coisas que simplesmente gosto, sem juízo de valor. Mas se você quiser dizer que é bom ou ruim fique à vontade.  

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

As 10 melhores listas de qualquer coisa de algum período.

As 50 melhores bandas de todos os tempos.
Os 10 melhores jogadores da última década.
As 500 melhores músicas de todos os tempos.

Está em nossa constituição fazer comparações. Começam quando somos crianças, com as noções de tamanho. Nessa fase, muitas vezes o que é maior é melhor. O conceito de melhor de maneira funcional aparece depois, mas de qualquer forma ainda é eleito objetivamente. Até que nos tornamos adolescentes e subjetivos, e aí chegamos às comparações mais difíceis.

O melhor passa a ter uma série de quesitos para ser eleito. Questões pessoais, gurus seguidos, experimentação, hype, tentativa de ser legal no grupo, moda, necessidade de chocar, formação do caráter, necessidade de querência, o momento etc. Tudo se soma e a comparação fica subjetiva, pessoal e certas vezes quase que partidária.

Já escrevi sobre essa coisa da opinião algumas vezes, e vira e mexe a questão retorna pra mim.

Nessa de comparar o que é melhor, nós adultos entramos na onda de fazer listas só pra dizer quem ou o que é melhor. Para mim, uma lista de melhores que não tenha o título “as 10 músicas que EU acho que são melhores” ou “os 10 maiores jogadores da história segundo a MINHA opinião” é tão obscura quanto dizer que há infinitos números entre 0 e 1. Você pode até dizer que há uma lógica, mas não entra na minha cabeça.

Como é que alguém define que fulano é o quarto e não o terceiro? A primeira resposta poderia ser “simples, ele divide em critérios e dentro destes vai somando os pontos de cada um”. Sei.

Em 2009 o canal Sportv quis fazer uma lista dos melhores jogadores do brasileirão que fosse totalmente isenta, a partir de critérios e notas dadas rodada a rodada. Resultado: reformularam no ano seguinte, pois todo mundo percebeu que jogadores que não eram aos olhos dos cronistas tão bons, acabaram ficando na frente de outros mais queridinhos da imprensa e da torcida.

É difícil julgar de maneira isenta algo que não é matemático. Imagine o caso das artes, por exemplo, cinema e música principalmente. Sim, existem os aspectos técnicos, mas há também a forma como a arte fala a cada um, como se relaciona com o espectador, o que provoca nele. Depende da vivência da pessoa, de como uma imagem a afeta, de como um verso fala ou não com ela. Depende ainda de como esse espectador enxerga o mundo, de como pensa nas coisas. No caso dos críticos, existem ainda as preferências de escola, as rixas particulares e a necessidade de ser crítico. Um professor uma vez me disse “somos mais severos com aqueles de quem gostamos”.

E então, é possível ser isento? Comecei um exercício: toda vez que elenco posições em um assunto, o faço sempre em duas listas: a dos melhores e a dos que eu mais gosto.

Uma contém somente critérios técnicos, observando a intenção do autor (diretor, ator, músico, jogador), sua vivência, o público, as dificuldades, a originalidade, a técnica.

A outra é feita a partir de critérios apenas emocionais, subjetivos, lembrando de como o elemento da lista me impactou, como fez parte de minha história, e a relação que tem comigo.

Às vezes as listas se cruzam, mas não é sempre. Também não importa. Afinal, esse tipo de querência não está na minha lista de preferências da vida.

trilha sonora:

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