Beat-Box Paul McCartinico. (eita!)
terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
15 minutos
Nos últimos meses tenho falado muito sobre o tempo. Sobre para o quê a gente dá tempo, ou o que fazemos em nosso tempo livre, o quanto trabalhamos, o quanto no divertimos e tal. E não é que mais uma vez o tempo me desafia? Mas não é pelo fazer isso ou aquilo, mas pela obrigatoriedade de nada fazer.
Os mais próximos sabem que eu tive dois estiramentos seguidos na panturrilha. Dois. Resultado: além de um tempo de muletas e outro com bengala, fisioterapia. Foi a fisio (para os íntimos) que me fez parar. Não foi o estiramento. Foi a fisio.
Para quem já fez sabe que existe um procedimento que se faz com um aparelho que emite “ondas curtas”. Você deita na maca e colocam duas almofadinhas com fiozinhos ligados à máquina, na região a ser tratada. E é isso. Você espera.
Não se sente coisa alguma, calor, dor, frio ou choque. Você fica ali parado olhando para o teto, durante 15 minutos.
Dois pensamentos que podem ter passado pela sua cabeça:
1. 15 minutos não é nada
Realmente, ¼ de hora é pouco, mas quando você não tem absolutamente nada para fazer 15 minutos não passam assim tão depressa.
2. E o telefone? Não dá pra acessar email, twittar e etc?
Segundo os fisioterapeutas, não é lá muito saudável para o celular, a bateria vai embora rapidinho se exposto às ondas.
Assim, duas ou três vezes por semana fico lá, olhando para o teto por 15 minutos.
Já cochilei, já fiquei pensando na vida, já pensei no nada, já pensei em textos para escrever aqui. Em um desses dias, percebi que não parava para fazer nada, há muito tempo. Mesmo descansando sempre estamos fazendo alguma coisa. Vendo TV, conversando, lendo, cortando a unha do pé, dormindo.
Faça o exercício, quando foi a última vez que você parou por um tempo para não fazer nada?
Temos a necessidade de nos movimentar o tempo todo. No contexto do mundo que experimentamos hoje, é ainda pior. Conectados com algo o tempo todo, não existem brechas para nada fazer. Sempre podemos tentar resolver alguma coisa, on ou off line. O nosso tempo é cronometrado e quando vemos espaços em branco nas agendas ou intervalos entre um compromisso e outro, tratamos de preenchê-los, mesmo que informalmente.
No final das contas, de maneira forçada foi inserido nos meus compromissos um tempo para o ócio.
Precisei de dois estiramentos e a necessidade de fisioterapia para redescobrir e desfrutar das benesses do nada fazer. Tomara que eu aprenda e não precise de mais interrupções bruscas. E por último, quem diria que falar sobre "o nada" daria tanto prazer e de lambuja um texto. Jerry Seinfeld ficaria orgulhoso.
terça-feira, 22 de março de 2011
Títulos introdutórios de filmes: EU GOSTO.
Cinema, tipografia, aberturas de filmes. Tudo muito bom, né? E é mesmo. Gosto muito de tudo isso e esse vídeo fez uma retrospectivazinha da união. Muito bacana. EU GOSTO.
sexta-feira, 11 de março de 2011
um desenho por semana para um mundo mais bacana XXXIV
Essa é minha incursão solo pela ilustração digital. Já faz uns bons anos. Tentei, analisei e percebi que era melhor voltar pros bloquinhos...
"Cabelo Amarelo"
"Cabelo Amarelo"
terça-feira, 1 de março de 2011
Minha avó dela
Tive que sair da ala de internação pra chamar meu sogro e telefonar pro Pastor. Chorei com o pai de minha esposa, liguei para familiares e amigos. Ao tentar voltar para sala de internação onde estava minha esposa e sua avó, o recepcionista me barrou. Muito educadamente perguntou se eu tinha cadastro, onde eu ia, se era visita ou acompanhante. Não sabia o que responder. Era visita? Não sabia, a final já havia umas três pessoas no quarto e o número de visitas geralmente é limitado.
Na dúvida soltei sem muito pudor:
- É o seguinte, a avó da minha esposa está meio que nas últimas, o celular não pega lá dentro, então eu saí somente pra ligar pra algumas pessoas. Então eu não sei...
- Você tá com seu RG aí? Por favor... – Respirei, procurei a carteira que nesses momentos se perde num buraco negro que se torna qualquer bolso e entreguei.
- Quem é a paciente mesmo?
- Aniberta Correia.
- Grau de parentesco.
-Ela é avó da minha esposa.
Ele olhou pro cadastro que fazia na tela do computador, como se não houvesse essa categoria “avó da esposa” e disse:
- Então ela é sua avó, amigo.
- É – disse eu – pode-se dizer que é.
Nesse momento foi como se eu entendesse algo. É claro que eu não sentia a mesma dor dos netos que desde sempre conviveram com ela. Logicamente eu não tive uma relação assim tão próxima. É claro também que não havia uma ligação de sangue com aquela mulher. Mas me lembrei do que é o casamento. Quando homem e mulher se casam passam a ser uma só carne. Ainda que tenham suas individualidades, eles são um. Não era apenas a avó da minha esposa que se preparava para partir do mundo material para o espiritual. No pensamento do que realmente é o casamento era a minha avó. Os olhos cheios de lágrimas de minha esposa, eram os meus olhos. E ainda que a dor não fosse a mesma, um pouco dela era a minha dor. A dor de ver parte de você sofrendo, perdida, sem rumo sem chão.
Foi então que me lembrei de uma das primeiras vezes que me encontrei com a Dona Aniberta, quando estava prestes a casar com sua neta. Ela me olhou e me disse:
- Olha, você pode me chamar de vó agora. Fica a vontade – até hoje não sei se foi uma ordem ou um jeito de me dar boas-vindas. Mas encarei como se fosse a segunda opção e nunca a chamei de vó.
O recepcionista me passou o papelzinho liberando a entrada e lá fui eu voltar para o quarto.
No caminho me lembrei do outro momento marcante com ela. No dia do casamento, no altar da igreja, recebendo os cumprimentos dos familiares e padrinhos ela disse:
- Cuida bem da minha neta, hein?Não faça ela infeliz.
Pode deixar vó, to cuidando e ela vai ser muito feliz.
Na dúvida soltei sem muito pudor:
- É o seguinte, a avó da minha esposa está meio que nas últimas, o celular não pega lá dentro, então eu saí somente pra ligar pra algumas pessoas. Então eu não sei...
- Você tá com seu RG aí? Por favor... – Respirei, procurei a carteira que nesses momentos se perde num buraco negro que se torna qualquer bolso e entreguei.
- Quem é a paciente mesmo?
- Aniberta Correia.
- Grau de parentesco.
-Ela é avó da minha esposa.
Ele olhou pro cadastro que fazia na tela do computador, como se não houvesse essa categoria “avó da esposa” e disse:
- Então ela é sua avó, amigo.
- É – disse eu – pode-se dizer que é.
Nesse momento foi como se eu entendesse algo. É claro que eu não sentia a mesma dor dos netos que desde sempre conviveram com ela. Logicamente eu não tive uma relação assim tão próxima. É claro também que não havia uma ligação de sangue com aquela mulher. Mas me lembrei do que é o casamento. Quando homem e mulher se casam passam a ser uma só carne. Ainda que tenham suas individualidades, eles são um. Não era apenas a avó da minha esposa que se preparava para partir do mundo material para o espiritual. No pensamento do que realmente é o casamento era a minha avó. Os olhos cheios de lágrimas de minha esposa, eram os meus olhos. E ainda que a dor não fosse a mesma, um pouco dela era a minha dor. A dor de ver parte de você sofrendo, perdida, sem rumo sem chão.
Foi então que me lembrei de uma das primeiras vezes que me encontrei com a Dona Aniberta, quando estava prestes a casar com sua neta. Ela me olhou e me disse:
- Olha, você pode me chamar de vó agora. Fica a vontade – até hoje não sei se foi uma ordem ou um jeito de me dar boas-vindas. Mas encarei como se fosse a segunda opção e nunca a chamei de vó.
O recepcionista me passou o papelzinho liberando a entrada e lá fui eu voltar para o quarto.
No caminho me lembrei do outro momento marcante com ela. No dia do casamento, no altar da igreja, recebendo os cumprimentos dos familiares e padrinhos ela disse:
- Cuida bem da minha neta, hein?Não faça ela infeliz.
Pode deixar vó, to cuidando e ela vai ser muito feliz.
Assinar:
Postagens (Atom)

