Decidi testar aqueles sites de rascunhos on line. Comecei pelo Doodle.ly e saiu isso aqui ó:
"Pinkatomb"
sexta-feira, 27 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
E só assim ser

Segui pra algum lugar que eu não conheço.
E não é isso que todo mundo faz?
Corri com pernas que não são minhas e o tropeço foi maior que
o salto de cima da ponte.
Vi o mundo com olhos de outros, curei minha miopia, mas
peguei conjuntivite.
Experimentei com o paladar alheio, me fiz de gourmet e perdi
o gosto do arroz com feijão.
Assoviei belas canções mentirosas, desafinei minha alegria, esqueci
a harmonia.
Barganhei por coisas que eu nunca gostei e a vantagem da troca
não foi minha.
Meditei horas a fio, encarei minha cara à imagem e
semelhança de mim mesmo.
Perdi o sono, esqueci o sonho em algum canto do quarto de
alguém.
Levantei cedo, lavei meu rosto e aparei a barba do velho ego.
Fiquei um jovem qualquer que há por aí no mundo
Suei pela paga de um salário que não tinha a ver com moeda,
mas era ainda mais vil.
Continuei devendo tudo, repleto do que havia dos outros em
mim e vazio de qualquer senso.
Mas alguém chamou o garçom, pagou a conta e me disse “vai”.
Eu fui, depois de jogar tudo fora e ficar vazio.
E só assim ser de verdade.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
A geração Y em versão atualizada de abril de 2012
Como já falei disso meio que indiretamente (aqui), decidi colocar esses dois videos sobre a famosa e atual "Geração Y". O primeiro, da Revista Época, mostra que os jovens começam a ver como o mundo realmente é, e a partir das crises financeiras percebem que não são última bolacha do pacote.
O outro é produzido com base em pesquisa feita pela Hello Research e a boo-box, mais atrativo e divertido, bem parecido com outros já feitos por aí, como o famoso We all want to be young .
Confere aê:
Época
Hello Research e boo-box
O segundo vídeo vi no CCSP , o primeiro não lembro mais...
O outro é produzido com base em pesquisa feita pela Hello Research e a boo-box, mais atrativo e divertido, bem parecido com outros já feitos por aí, como o famoso We all want to be young .
Confere aê:
Época
Hello Research e boo-box
O segundo vídeo vi no CCSP , o primeiro não lembro mais...
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Povos, elefantes e reis
O que se espera de líderes em momentos de crise? Que sejam
austeros, se posicionem buscando a unidade e sentimento de nação, que mostre
preocupação com o momento pelo qual o país passa, certo? E o que se espera de
um povo? Que não se acomode, se manifeste, pense no bem comum, seja cidadão.
Mas o que temos no caso do safári do Rei Juan Carlos não é
uma coisa nem outra. O caro monarca espanhol mostra com o último acontecimento,
tudo aquilo que ele e a maioria de reis e rainhas na Europa há muito tempo não são,
líderes.
E a humanidade, na figura do mundo globalizado, pinta um
retrato de si mesma, deixando claro que discurso no lugar de real preocupação não
é exclusividade de políticos e governantes.
As primeiras manchetes do caso e as reações mais calorosas
inicialmente, davam conta do fato de Juan Carlos ser Presidente da WWF,
entidade defensora do meio ambiente dos animais. A turba se referia à incoerência
do Senhor Juan, defender os animais e matar um elefante por esporte. Sim, é
incoerente e não, hoje não há mais lugar pra caça dita esportiva principalmente
para um representante reconhecido de todo um país.
Mas o que deveria chamar a atenção, em tese, deveria ser o
homem e não um elefante.
Quando em meio há uma crise que bate forte em seu país, o
Rei de Espanha vai a um safári e antes de matar qualquer animal, ele mostra
desprezo pelo homem, seu antigamente chamado súdito e hoje cidadão de seu
país.
Com sua gastança bonachona, mostra que não dá importância
para o que está acontecendo, para como a população está, que isso gera descrédito
para o seu país, que só piora o clima interno, dificultando ainda mais a situação.
Em um momento de crise esperava-se no mínimo discrição do monarca. Como no caso
retratado no ganhador do Oscar, O discurso do Rei, em que ele unicamente
precisava acalmar a população em uma situação de crise. Não ia tomar atitude
nenhuma, não tinha poder prático para isso, apenas precisava mostrar seriedade
e tranqüilizar o povo.
Mas e o povo?
O povo erra da mesma forma, principalmente fora das
fronteiras espanholas. Em vez de enxergar esse desprezo do Rei Juan Carlos
pelos milhões de cidadão de seu país colocam o foco em um elefante. Que se
danem as pessoas! Que absurdo, um elefante morreu!
Vivemos em um momento de inversão total de valores (aliás
falar, valores é quase proibido hoje em dia, quando alguém ouve essa palavra
entende “moralismo”). Por causa de nossos próprios erros, preferimos o discurso
a lutarmos pela humanidade. Pensamos no conceito, e não no homem. Conceito de
meio ambiente, conceito de sustentabilidade, conceito de convivência, conceito
de tolerância, conceito de mundo global, conceito de cidadania. Bonito passou a
ser o conceito, quando a finalidade de todos eles deveria ser a coletividade. Ser sim sustentável, tolerante (palavra ruim), cidadão, global em prol da coletividade
e não da beleza do discurso.
Matar um elefante por brincadeira é absurdo. Ignorar milhões
de pessoas é muito pior. E isso a gente faz todos os dias pelas ruas e até com
quem está próximo. Por que razão um Rei não faria com pessoas das quais ele nem
chega perto?
Povo em crise? Que comam brioches!
terça-feira, 17 de abril de 2012
Um homem perseguido por uma trilha sonora
Essa é a ideia nonsense de "Mr. Foley", um curta da dupla de diretores irlandeses D.A.D.D.Y
(Mike Ahern and Enda Loughman) perturbador e divertido. Veja aí a doideira:
vi no Laughing Squid
vi no Laughing Squid
terça-feira, 10 de abril de 2012
O sorriso de Deus
Sou meio
aficionado pelo céu. E quando digo céu, não estou falando do que vai além,
espaço sideral, galáxias, anos-luz, olhares curiosos e exploradores com
telescópios etc. Estou falando do céu.
De uns
anos pra cá olho muito pra ele. Principalmente quando estou no carro, no banco
do passageiro. Momentos de estrada me levam diretamente a ele. Azul, com
nuvens, daquelas que parecem embarcações ao contrário, tão volumosas como se fossem toneladas e toneladas compactas flutuando.
É sério isso,
eu não resisto. Muitas vezes fotografo com o telefone, compartilho, outras me
censuro pra não encher os amigos das redes com mais uma foto de céu e nuvens.
Olho pro
céu também à noite. Um dos mais perfeitos, românticos e quase clichês momentos
que tive com minha amada esposa, foi num dia em que estávamos no meio de centenas de
pessoas, passando pra lá e pra cá (já escrevi sobre isso aqui), nos cumprimentando, falando, falando,
falando. Só nos dois percebemos a lua. E ela não era aquela, dos apaixonados,
era um eclipse! Ninguém percebia, ninguém olhava. Nós até avisamos alguns, mas
nada. Desistimos e ficamos nós dois no meio de todos que passavam, olhando para
cima, para o céu.
Enquanto
escrevo chegam a mim inúmeras ideias de como descrever esse fascínio pelo céu,
mas me limitarei hoje a apenas mais uma. E ela começa com um belo comentário
numa rede social perto de você.
Minha amiga Carol Ribeiro, escreveu sobre o céu que ela via diversas vezes no caminho do trabalho para casa. De repente, como acontece nos comentários de posts, a conversa seguiu e começamos a falar sobre ele.
Minha amiga Carol Ribeiro, escreveu sobre o céu que ela via diversas vezes no caminho do trabalho para casa. De repente, como acontece nos comentários de posts, a conversa seguiu e começamos a falar sobre ele.
O céu que
ela via estava nessa volta para casa, no anoitecer. O meu, nos caminhos de
estrada que cortam minha cidade, geralmente antes do meio-dia. Mas existem
outros céus: os noturnos, como o do eclipse da lua, os nublados que nos levam a
aquela preguiça prazerosa, os noturnos que marcam chuva, como diziam os
antigos, nos quais a lua está meio enevoada, e muitos outros.
Ela
percebe o céu. É difícil fazer isso, porque ele está sempre lá, em cima da
sua cabeça. E a gente geralmente não percebe as coisas que vê toda hora, que
estão ali fáceis para nós. Como um entardecer no caminho que se faz todos os
dias. Mas a Carol sempre percebe e aproveita:
“...sabe a avenida que sai de Valinhos e entra em Campinas?
Perto das antenas, à direita de quem vem, cara, cada dia é um céu mais lindo
que o outro.. Aí eu lembro do que está escrito em Salmos 19:1 "Os céus
declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos".(...)
E é tão bom, porque se estou triste, eu me alegro, se estou alegre,
transbordo, se estou preocupada, me acalmo, porque simplesmente aquele céu
testemunha sobre o Deus que eu sirvo e que cuida de mim. Então, se um dia
passando por ali por volta das 18h30 vocês encontrarem alguém cantando enquanto
dirige na maior empolgação, provavelmente sou eu, rs..."
Termino
essa celebração celeste com minha resposta à Carol:
“Meu sentimento é mais ou menos
esse quando percebo o céu...No meio das coisas, do correr, das luzes, dos prédios,
nos despercebemos do que é simples e pode nos alegrar todos os dias: a beleza
de um céu encapelado de nuvens, ou um por do sol, ou ainda um céu estrelado. O
riso brota nos meus lábios, acredito que como nos seus. E aí parecemos loucos .
Pois realmente tudo isso que ele fez não faz sentido nessa cabecinha nossa. Basta
o olhar e o sorrir, pois apesar da gente, tudo isso é um sorriso dEle pra nós”
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Você não sabe que Ele te ama?
Third Day - I've Always Loved You
(versão: Jean Marcel)
Eu não sei como explicar
Com palavras não vou conseguir
qualquer milagre ou maravilha
a mim não bastam para TE PROVAR
Você não sabe que eu sempre te amei?
Antes do tempo existir
longe estás eu sei
mas ouça a mim
não sabe que eu sempre te amei?
E sempre te amarei
.
Maior amor ninguém terá
Do que quem deu sua vida pra provar
e qualquer coisa Ele faria
É o que eu faço por você
Você não sabe que eu sempre te amei?
Antes do tempo existir
longe estás eu sei
ouça a mim
não sabe que eu sempre te amei?
E pra sempre vou te amar
E sempre te amarei.
FELIZ PÁSCOA
terça-feira, 3 de abril de 2012
O edredom do Faustão
Estavam deitados um de costas para o outro. Combinaram de
dormir preguiçosamente à tarde após um almoço de domingo daqueles. Voltaram
para casa ávidos pelo acalento da cama desarrumada, eficientemente aprontada
após horas bem dormidas da noite anterior.
Em todo o caminho de volta, a imagem do edredom retorcido
surgia em suas mentes, e o desconforto do banco do carro ficava ainda mais incômodo.
Ondas daquela preguiça gostosa vinham e atingiam cada vez mais forte, olhos,
mente e músculos. O sol lá fora, as árvores, o vento e a estrada embalavam o
sonho acordado do prazer simples de deitar, iminente realidade que se seguiria.
Quando chegaram, resolveram uma ou outra coisa da casa - um
abrir de janela, o ligar da máquina de lavar, um gole de água, uma escovada de
dentes - e logo as roupas ainda cheirando à comida feita em fogão de lenha,
foram sendo substituídas por pijamas e camisetas largas e deliciosamente
amarrotadas.
Nada precisou ser dito. O cenário ideal estava ali à espera
deles e deveria ser aproveitado. Mergulharam apressadamente na confusão
aconchegante da cama.
Dormiram. Dormiram, dormiram por incríveis quinze minutos. E
fingiram, fingiram, fingiram dormir, para si mesmos, por mais uns dez minutos. Fingiram
um para o outro por adicionais sete minutos. Ainda deitados, viraram de frente
esperando um bom momento para acordar o companheiro. Ela esperou um pouco menos
que ele e depois de três minutos sussurrou fazendo menção de levantar:
- Não consigo mais dormir.
- Eu também to acordado...espera...quanto a gente dormiu?
- Que horas são?
- Quinze pras seis – ela respondeu olhando com os olhos
apertados para o celular.
- Isso quer dizer que dormimos...uns dezessete minutos?
- É, por aí.
Ficaram quietos durante um tempo como se tivessem perdido
alguma coisa, ela sentada na cama, ele ainda deitado.
Não queriam se entregar e terminar o dia de descanso de uma
maneira ordinária, sem aquele momento desejado. O sono não era um descanso para
o corpo. Era um prolongamento de um descanso pra mente. O esticar de um momento
relaxante aproveitado no merecido dia sabático do ocidente.
Sem mais sono ou alternativas, o silêncio foi quebrado e a situação resolvida com um convite especial:
- Deita aqui no meu ombro, vai – disse ele com a voz lenta – Com ou sem sono, pelo menos o domingo acaba aqui e não nos ombros do Faustão.
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