UM DESENHO POR SEMANA

sábado, 25 de janeiro de 2014

Meu filho, o não-rei do mundo


Eu não sou pai. Quando digo isso me posiciono como um ser completamente ignorante das dificuldades e esforços concernentes às funções, atribuições e responsabilidades paternas. Na posição de quem vai ter de cuidar propriamente de um filho daqui há 7 meses, ou 30 semanas, como contam os obstetras, observo, escuto e faço minhas auto-análises em um esforço já com o fracasso anunciado de prever minhas reações, desejos e experiências.


Quando falo da minha ignorância, não tem a ver com noites não dormidas, cansaço, paciência com esposa hormonalmente desequilibrada, desejo de fazer outras coisas, ou ainda banhos, trocas de fraldas etc. Falo de sentimentos, de atitudes, de ensinos, de criação mesmo. Muitos ideais que temos, mas não sabemos se vamos mesmo cumprir.


Vi outro dia um artigo compartilhado nas redes sociais com o título "7 comportamentos dos pais que impedirão seus filhos de se tornarem líderes"Obviamente fui ler. A matéria me preocupou menos que o título. Na hora lembrei que segundo 93,5 % dos pais que eu conheço, seus filhos são todos líderes na escola, entre primos ou no condomínio. A coisa do orgulho bobo e natural de pais e mães. Porém,na minha cabeça, pensar na educação da criança para que ela vá ser líder me pareceu algo esquisito, bizarro mesmo. Como disse acima, entendi a matéria mas o título-anzol meu pareceu agressivo e contrário do que me parece ser a tal da educação (e nesse ponto acabo de enfiar a mão num vespeiro). 


Quando penso em quem vou ser para o meu filho, como vou tratá-lo, o que vou ensinar, que exemplo vou dar, minha preocupação nunca nem de perto passou pelo quesito liderança. Talvez seja pelo fato de hoje ele ter apenas 3 centímetros


Ou pode ser porque não é isso que de imediato sonho pra ele ou ela. Sonho que além de portador do combo saúde, ele venha ser uma pessoa na acepção da palavra, Alguém que erre e acerte procurando o acerto. Alguém que se preocupe com os outros, que ame. Que seja seguro de suas convicções, mas não arrogante sobre elas. Alguém que ame a Deus e se relacione com Ele. Alguém que saiba da suas limitações, mas não seja oprimido por elas. Alguém que adore dizer não sei. Alguém que se preocupe e gaste tempo com o que é importante. Que chore quando for a hora, que ria sempre que possível. Alguém que saiba lutar com as armas da paz. Que seja simples como a pomba e prudente como a serpente. Que não seja levado por modismos. E que tudo isso seja gradativo, que seja aprendizado, que seja processo. Que ele seja o profissional que ele quiser e que ele entenda o que isso acarreta. Que ele saiba que tudo na vida são escolhas e que não há desculpas, mas há perdão. Que ele nos perdoe pelos nossos erros e idiossincrasias mais esquisitas impressas em sua educação. Que ele sofra quando tomar pancadas da vida, mas que se levante pra ficar de bem com ela novamente.

Talvez todos esses sonhos, no fim das contas, o ajudem a ser um líder, ou o certifiquem que o melhor é ser um servo, mas o mais importante é que ele seja ele.


Agora, se além de tudo isso, assim, por acaso ele ou ela souber pintar, escrever ou tocar um instrumento bem pra caramba, não vou ficar triste, é claro.


17 comentários:

  1. De uma coisa tenho certeza: Palmeirense ele já é.

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  2. Uma mãe vira mãe no exato instante em que descobre que está grávida. Mas um pai só vira pai quando o filho nasce. Deve ser desesperador, literalmente do dia para a noite, ter que mudar absolutamente tudo o que se sabia e se acreditava na vida e no certo e no errado.
    Você será um excelente pai Jean, quando for!
    Beijossssss e todas as alegrias do mundo para esta família de 3!

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    1. Quanto ao real sentimento paterno imagino que seja isso mesmo! Tomara, Anna, que eu seja. Muito obrigado por todos os desejos e pelos incentivos via FB.

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  3. Faz um tempo, eu encontrei na recepção do consultório da pediatra do meu filho, um pai que acompanhava o filho que devia ter uns 2 anos de idade.
    Não sei porque surgiu o tema escolinha, e o dito pai disse que ele gostaria de ter colocado o filho dele bem antes na escolinha, porque ele percebia que as crianças que tinham entrado antes do filho dele, eram mais desenvolvidas, e ele se arrependia disso, ele percebia um atraso do filho dele em relação às outras crianças. Ele disse que o mundo é muito competitivo e que ele não queria que o filho dele ficasse pra trás...
    Eu achei isso tão cruel, eu via o menininho ali na frente dele, brincando, tão inocente, querendo ser feliz, e o pai querendo que ele fosse um líder, o pai já frustrado com o filho com tão pouco tempo de vida.

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    1. É por aí Natália. O mundo é cruel, mas no fim das contas o pai estava preocupado consigo mesmo e não com o filho.

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  4. Desconfio que vc vai se dar muito bem com a tua cria, mano.

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  5. é...educar é uma arte para poucos, sendo permeada de muitas surpresas...
    Me parece que você faz parte poucos.
    Jane

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    1. Valeu Jane, é tudo um desejo, a prática é outra, mas vamos lá!

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  6. Jean, só agora li seu texto e fazendo isso já tive a certeza de que seu filho será um sortudo. Esta consciência que você já deseja formular no seu filho é o mais importante na nossa educação, porque ele vai crescer, naturalmente, respirando estes valores a cada dia, por abraços, broncas, conversas, risadas, discussões e tudo mais. Desejo toda Santa Presença de Deus para essa jornada que você e a Cyntia estão começando, certo de que os valores do Reino já fazem parte deste caminho.
    Se você permitir, gostaria de publicar este texto no meu blog também.
    abs

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    1. Obrigado Lucas e que assim seja sobre os teus votos sobre os meus desejos pré-pai. Claro, sem dúvida que pode.

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  7. Só fui ler hj, Bem massa! Vc será um bom pai ;)

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