UM DESENHO POR SEMANA

Mostrando postagens com marcador Campinas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Campinas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Não vou colocar nariz de palhaço


Não vou colocar nariz de palhaço.
Acho isso uma palhaçada com artistas tão importantes.
Não vou colocar, pois não quero fazer ninguém rir. Não vou colocar por achar que isso é sinônimo de uma sociedade falsamente indignada, o atestado da consciência inerte do cidadão. Não vou colocar.
Não vou colocar porque essa cidade não é um circo. No circo você paga se quiser por um serviço e o recebe.
Não vou colocar porque meu nariz precisa continuar sentindo o cheiro podre, não pode ficar achando que vivo numa cidade perfumada.
Não colocarei nariz de palhaço, pois ele sumirá no meu rosto já vermelho de raiva.
Não vou colocar nariz de palhaço, pois esses ditos senhores não merecem minha graça e a dos clowns. Não merecem a graça das coisas infantis, das engraçadas ou das lúdicas. Esses senhores não merecem sorrisos ou qualquer lembrança de algo que provoque risadas.
Não vou colocar nariz de palhaço, pois o que esses senhores fizeram não tem graça nenhuma.
Não vou colocar nariz de palhaço hoje ou no ano que vem. Não vou, eu não quero isso, eu não aceito isso. Não vou fazer isso comigo, com a cidade, com os artistas.
Não vou colocar nariz de palhaço hoje ou daqui a um ano quando precisar votar. Nessa época procurarei palhaços pra eleger, pois são mais dignos do que os senhores distintos. Pensando bem, não votarei nem em palhaços, pois correrá o risco de que o circo fique menos engraçado e os artistas menos líricos.
E como eles dizem, eu prometo: vou lembrar de cada um deles e avisar quem eu puder e só assim jogar longe o tal nariz de palhaço.


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Faltam-nos pedaços.


Nós campineiros estamos sofrendo uma enorme crise política. Gigantesca. Mas antes de pensar em falar mal da classe política (coisa que provavelmente você e eu já fizemos bastante nos últimos dias com todo o direito) falarei de nós todos.

A política é reflexo da sociedade que vota nela. Sim, mais taxativo impossível. Mas pensemos juntos. Ninguém nasce com um cargo ou com poder tal que inicie a vida pagando propina, desviando verba etc. É comum dizermos que se alguém entra para a política dificilmente ficará íntegro por muito tempo. Realmente é difícil, mas creio que o problema se inicia antes. Começa na completude de cada ser humano, aquilo que comumente chamamos de integridade.

A palavra “íntegro” significa ser inteiro, exato, completo, e eu costumo dizer que é não possuir brechas ou espaços, como se houvesse uma proteção ético-moral que nos revestisse contra qualquer tipo de contaminação no caráter. E esse caráter inteiro, sem brechas deve ser formado antes que o indivíduo exerça qualquer cargo de poder. Assim, qualquer cidadão deveria estar inteiro antes de poder entrar na política. Não podem faltar pedaços.

E como é que se faz para garantir que não faltem pedaços?

Um fragmento vem com a família, outro com alimentação e crescimento físico. Outro ainda com educação moral doméstica e educação escolar e acadêmica fora de casa. Outro pedaço com formação de caráter através do trabalho, da necessidade de esforço, da busca pelo mérito. Um bloco de exemplo por parte de quem é ou já foi autoridade, no lar, na escola, nas igrejas, entidades, e nos cargos públicos. Faltam aqueles pedaços de regras que servem de limites e norte para alguma de nossas ações. Pra tapar os buraquinhos, lazer, carinho, amor, arte, esporte e diversão.  

Tudo isso ainda não é garantia de integridade, pois cada um escolhe o que faz com seus pedaços, inclusive podendo jogá-los fora. Também existem pessoas que não tiveram metade desses elementos em sua formação e são mais completos que qualquer um. Mas certamente, quanto mais inteiro o indivíduo estiver antes de ter qualquer poder em suas mãos, menor é a chance de que alguma negociata, adentre em sua fortaleza.

A sociedade que reclama dos políticos é a mesma que começa de pequeno a abrir brechas para que os políticos saiam dela. Sim, essa sociedade é a mesma que joga lixo no chão. É a mesma que coloca o carro na vaga de idosos ou deficientes por apenas 5 minutos. É aquela que sonega impostos com a desculpa de que existem muitos tributos. Ou que anda a 140 km em uma via de 100 por saber dirigir muito bem. É a mesma que pensa na própria necessidade do momento esquecendo-se da do outro sempre. É a mesma que saqueia quando um caminhão tomba. É a mesma que faz abaixo-assinados contra a instalação de metrôs por causa de “gente diferenciada”.   

Talvez você faça tudo direito, talvez você seja inteiro. Então você sabe que faz parte da solução. Você não precisa se candidatar a nada, ser professor, sacerdote ou um caro palestrante. Você apenas precisa viver sem se desculpar por seus deslizes a partir do que outra pessoa faz de errado. Basta ficar com seus pedaços todos aí com você bem à mostra no dia a dia e ser base para outros juntarem os pedaços que talvez faltem neles.

Aí quem sabe paremos de produzir gente incompleta, que gosta de levar vantagem, seja no trânsito ou no congresso nacional.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...