UM DESENHO POR SEMANA

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

O ciúme, a aliança e o futebol



Olhei a imagem acima e lembrei do futebol. Sério.  
Sim, a idéia desse anel é ser apenas uma piada, mas creio que é daquelas que “tem um fundinho de verdade” e de posse.

É senso comum dizer que “um pouco de ciúme apimenta a relação” ou que se você “não sente ciúme não ama de verdade”.
Sim, o ciúme apimenta a relação de uma tal forma que causa indigestão e às vezes leva à morte da mesma

Não, ausência de ciúme não é falta de amor, é expressão do sentimento e da segurança de ser amado. Já o ciúme é sentimento de posse, e não é esse o significado da aliança, nome perfeito para a jóia usada nos matrimônios (sacerdotes adoram utilizar a analogia nas cerimônias, e é boa mesmo).

Aliança é união e não compra. Quando um casal a usa, o sentido é de parceria, de caminhar na mesma direção, de jogar no mesmo time. E é nesse ponto que a imagem acima me lembrou futebol. A aliança é como a camiseta de um time, todo mundo que usa aquela determinada estampa está defendendo o mesmo lado do campo. 

Aliança é a certeza de poder olhar para um lado e tocar a bola pro outro. É um entrosamento tal que você não precisa estar todo tempo enxergando o companheiro e mesmo assim sabe que pode jogar a bola pra ele quando quiser. Sabe que ele corre por você se precisar pra que seu posicionamento seja mais perto do gol.
E você em contrapartida, o cobre quando ele vai pro ataque.

Aliança é isso. Na vitória todos ganham, e se há uma derrota todos perdem e lamentam, mas sempre defendem as cores do seu time. Casamento é um campeonato de pontos corridos, no qual cada dia, cada jogo é importante, vale o mesmo número de pontos, mas vez enquando acontece um clássico...

Ciúme é como um jogador que não passa a bola com medo do companheiro fazer um gol contra. O cúmulo da desconfiança, a falta de sentimento de grupo.

E sentimento de grupo é fundamental nas partidas mais difíceis da vida. É aí que os casamentos se perdem. Existem por aí times cheios de estrelas que jogam sozinhas e acham seu papel mais importante para o time que o do cônjuge e ainda ficam chateados quando o companheiro erra.  

Vez o outra é possível driblar meio time e chegar na cara do gol, mas na maioria das jogadas é necessária a troca de passes pra conseguir vencer.

Aliança é o famoso grupo fechado, que não deixa o que é externo entrar, sejam fofocas, investidas de outros times e principalmente o próprio ego. Aliança é perceber que o companheiro teve uma partida infeliz, mas não o fez de propósito.
E saber que há discussões muitas vezes por causa de erros, ou falta de atenção, e a necessidade de ajustes de posicionamento e que isso é natural no calor da partida.

O que realmente importa é que a aliança não foi feita pra marcar a pele de ninguém – embora com a presença do sol o faça mesmo assim. Marca-se alguma coisa com medo de perdê-la. E você não perde algo que você não tem. Quando se casa, você não "tem" uma pessoa, você é um casal, um time com ela.

A aliança foi feita pra gerar esse sentimento de compromisso por uma mesma causa, a vida coletiva, entrosada que muitas vezes joga por música e tem o prazer de fazer parte de um time que ao final da peleja abre o sorriso e comemora tudo o que passaram juntos durante um campeonato de alto nível.

Cobrança a gente já tem da torcida. E marca é coisa de gado.
Deixe disso e vai curtir a partida, meu amigo(a)!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sobre casamento, ou melhor, sobre amor

Ontem conversava com minha digníssima esposa sobre vários assuntos e dentre eles o que o casamento tem significado nos dias de hoje. Muitos pensamentos, ideias surgiram pra falar por aqui, mas engraçado que hoje me deparei com dois posts no facebook sobre o tema. Uma ótima reflexão em texto e um video sobre uma história.

Assim por enquanto deixo aqueles pensamentos que surgiram ontem incubando somados a esses que surgiram em minha timeline.

Leia aqui
Texto "Este terceiro sujeito"  do Lucas Pedro do site Transformai-vos.

Assist aí

Vi aqui

terça-feira, 1 de março de 2011

Minha avó dela

Tive que sair da ala de internação pra chamar meu sogro e telefonar pro Pastor. Chorei com o pai de minha esposa, liguei para familiares e amigos. Ao tentar voltar para sala de internação onde estava minha esposa e sua avó, o recepcionista me barrou. Muito educadamente perguntou se eu tinha cadastro, onde eu ia, se era visita ou acompanhante. Não sabia o que responder. Era visita? Não sabia, a final já havia umas três pessoas no quarto e o número de visitas geralmente é limitado.
Na dúvida soltei sem muito pudor:

- É o seguinte, a avó da minha esposa está meio que nas últimas, o celular não pega lá dentro, então eu saí somente pra ligar pra algumas pessoas. Então eu não sei...

- Você tá com seu RG aí? Por favor... – Respirei, procurei a carteira que nesses momentos se perde num buraco negro que se torna qualquer bolso e entreguei.

- Quem é a paciente mesmo?

- Aniberta Correia.

- Grau de parentesco.

-Ela é avó da minha esposa.

Ele olhou pro cadastro que fazia na tela do computador, como se não houvesse essa categoria “avó da esposa” e disse:

- Então ela é sua avó, amigo.

- É – disse eu – pode-se dizer que é.

Nesse momento foi como se eu entendesse algo. É claro que eu não sentia a mesma dor dos netos que desde sempre conviveram com ela. Logicamente eu não tive uma relação assim tão próxima. É claro também que não havia uma ligação de sangue com aquela mulher. Mas me lembrei do que é o casamento. Quando homem e mulher se casam passam a ser uma só carne. Ainda que tenham suas individualidades, eles são um. Não era apenas a avó da minha esposa que se preparava para partir do mundo material para o espiritual. No pensamento do que realmente é o casamento era a minha avó. Os olhos cheios de lágrimas de minha esposa, eram os meus olhos. E ainda que a dor não fosse a mesma, um pouco dela era a minha dor. A dor de ver parte de você sofrendo, perdida, sem rumo sem chão.

Foi então que me lembrei de uma das primeiras vezes que me encontrei com a Dona Aniberta, quando estava prestes a casar com sua neta. Ela me olhou e me disse:

- Olha, você pode me chamar de vó agora. Fica a vontade – até hoje não sei se foi uma ordem ou um jeito de me dar boas-vindas. Mas encarei como se fosse a segunda opção e nunca a chamei de vó.

O recepcionista me passou o papelzinho liberando a entrada e lá fui eu voltar para o quarto.

No caminho me lembrei do outro momento marcante com ela. No dia do casamento, no altar da igreja, recebendo os cumprimentos dos familiares e padrinhos ela disse:

- Cuida bem da minha neta, hein?Não faça ela infeliz.

Pode deixar vó, to cuidando e ela vai ser muito feliz.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Claracidade

Quis compor para ti
A canção mais de amor
Te passar a noção
Do pra sempre vou
Que você sabe sim
Do sincero olho meu
E que o belo tem tudo a ver
Com o sorriso teu
Não tem valor mundo todo sem a luz
Claracidade, seu olhar
Para mim que achei meu lar em ti
Coração, luz e frescor
Pra mim   


Para Cyntia,
pelos 3 melhores anos da minha vida.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Dois casamentos (e a falta de uma rima)




No final de semana passado Cyn e eu fizemos parte de uma saga matrimonial: dois casamentos (com festa) em 12 horas. Parece bastante tempo, e seria não fosse a distância entre um evento e outro, a necessidade da troca de roupa, e o fato de estarmos sem carro. Conseguimos emprestar um bólido e chegamos aos dois casórios 45 minutos atrasados. Para nossa sorte ambos também começaram bem atrasados, e conseguimos vê-los inteiros. Ainda bem, porquê eu iria participar de um deles.

Ambos foram muito agradáveis, os dois tinham o clima campestre em comum e se diferenciavam pelo número de convidados, uns 70 no primeiro , uns 200 no outro. Mas o que realmente nos chamou a atenção foi que o que eles mais tinham em comum era o de serem , digamos, alternativos. Talvez você que lê já tenha ido a centenas de casamentos, dentre eles alguns diferentes, assim pode ser que você entenda o que digo aqui.

Importante é frisar que o alternativo nesse caso, se refere ao que todo mundo pensa basicamente de uma estrutura cerimonial de casamento, o que há em comum à maioria das crenças e ritos. Noivo, noiva, pais, alianças ou algo similar e um sacerdote ou juiz de paz que abençoa ou decreta a realização do matrimônio.
É assim que pensamos o básico do que seria uma cerimônia.

Nesses dois casamento em que fomos a premissa era ter alguém que falasse sobre os noivos. Num deles, apesar de haver um sacerdote, eu fui o encarregado da missão, com muito prazer diga-se de passagem. No outro uma dupla de amigos “realizou” a cerimônia citando adágios jocosos sobre casamento sempre do tipo “casamento é como submarino, às vezes bóia, mas foi feito pra afundar” e fazendo todo o tipo de referências a profissão dos dois, já que todos ali incluindo os noivos e minha amada esposa, eram biólogos, menos eu.

Os noivos do primeiro tem sua crença particular em Deus, os do segundo são ateus de carteirinha e discurso científico. O primeiro casal tem em seus ofícios a criatividade, a arte, a expressão. O segundo tem a razão, a ciência na busca das origens das coisas e de seu futuro. Os dois casais no entanto desejavam celebrar a união homem-mulher independente de qualquer pré-concepção e igualmente tentaram fazê-lo para o congraçamento com seus familiares e melhores amigos. Ninguém os havia obrigado a nada, nem a pressão familiar. Eles desejavam apresentar-se como casados e celebrar o encontro e compromisso com outro ser a quem simplesmente amavam.

Imagino que todos saibam das minhas convicções. Creio num Deus que nos ama, que tem prazer no encontro entre homem e mulher, na instituição de famílias, no caminhar, no aprendizado, e muito mais, numa vida abundante. Creio que esse mesmo Deus olha com amor a todos desejando relacionamento com cada um sem forçar ninguém a nada.

Creio que todo amor verdadeiro vem dele, ainda que alguns que sentem não saibam. Creio e experimento que relacionar-se intimamente (e isso é muito mais do que , apesar de também ser, fisicamente), com outra pessoa e com Ele é algo sobrenatural e não ordinário, corriqueiro.

Creio em tudo isso por experimentar, e por ter sido escolhido para testemunhar essas duas uniões sinto um desejo incrível de que Ele abençoe meus grandes amigos Keko & Gi e o casal Simone & André
Para mim, no contexto em que vivemos ser alternativo é não ir no rumo que o mundo vai. E amar sem reservas, como acredito que esses casais façam, é então ser quase revolucionário.

Fica aqui meu desejo,
Aos casais, Feliz Vida.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A receita de bolinho de chuva





E não é que foi difícil escrever? Foi sim. Tive mil idéias, linhas, perspectivas do assunto. Comecei vários textos, ainda na lua-de-mel foram muitos. De algumas idéias até gostei e provavelmente me servirão para posts futuros. Mas nada para agora, para o momento do casamento.
Mudança, encontro, projeto, vida, jornada, início, etapa, amor, paixão, aprendizado, conquista, pensei em todas essas palavras inerentes às núpcias. No entanto, surpreendentemente o que veio à mente mais forte foi a receita do bolinho de chuva.
É, foi isso. Me veio assim, de repente. Poderia falar aqui do nosso primeiro encontro ou do dia em que a pedi em casamento. Podia muito bem falar do nosso maravilhoso primeiro mês de namoro e também dos subseqüentes meses estranhos. Falaria do nosso primeiro cinema juntos ou mesmo contaria sobre nossas brigas. Poderia falar o quanto é difícil o processo do casamento a partir do momento em que se marca a data. Sobre como o mundo parece conspirar para o casamento não acontecer. Poderia até falar como essas dificuldades são fundamentais tanto para o sucesso futuro quanto pra desistência de outros no meio do caminho. Somando-se a isso, então, poderia falar da pressão de todos, sociedade, família, igreja. Mas também falaria da pressão quem vem de dentro, provavelmente a pior de todas.
Nada disso. O assunto que está na minha cabeça é a receita de bolinho de chuva.
Talvez fosse mais natural falar das nossas músicas, falar dos Beach Boys, do Wallflowers ou do Simoninha. Fazer uma declaração de amor, colocar uma foto nossa aqui, dizer que sou uma pessoa muito melhor hoje. Seria certo dizer que, novo no assunto, não sei o quanto a vida dois é difícil e que casamento é compromisso. Mas o que interessa é a receita...
Poderia - graças a Deus - fazer versos com os atributos físicos de minha esposa, tentar descrevê-la descendo pela nave da igreja.
Poderia dizer quem é a Cyntia, ou quem sou eu, ou ainda mais, quem hoje somos nós juntos. Mais normal seria falar das dificuldades domésticas, da troca do chuveiro ou dos problemas hidráulicos. Ou como numa entrega de prêmio, poderia agradecer a todos que nos ajudaram das mais diversas formas. Poderia falar da lua-de-mel, do hotel ou das dunas de Natal, ou da importância do protetor solar. Poderia falar o quanto custa casar, em tempo e dinheiro, fazer um manual, um gráfico, um desenho. Mas sei lá,o bolinho...
Poderia falar do prazer de ter uma casa. Poderia falar sobre a visão de ter minha própria família. Poderia falar da responsabilidade de zelar por alguém todo o tempo. Poderia falar de sexo, de amor. Poderia falar de planos para o futuro. Poderia falar que Deus gosta muito dessa história de casamento. Talvez se tivesse falado essas coisas, eu até citasse como em tudo é imprescindível o toque feminino e também a objetividade masculina, às vezes truculenta, outras necessária. Poderia pensar na maravilhosa aventura que é estar casado e dissertar sobre o assunto. Poderia, mas não vou. Vou falar sobre a receita de bolinho de chuva. Vamos lá então, a receita é a seguinte:
Bem, na verdade não tem receita, eu sei os ingredientes e talvez eu vá passando aos poucos. Agora, as quantidades você vai pegando com o tempo e a prática, nem precisará de medidas, xícaras ou colheres. Pelo menos foi assim que eu aprendi a fazer...

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