UM DESENHO POR SEMANA

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sábado, 13 de agosto de 2016

Por um dia dos pais mais Dollynho

Esse domingo é o chamado dia dos pais. E eu, no meu segundo ano, mas o primeiro com meu filho no colo, gostei da coisa. Até que comecei a ver os filmes comerciais para a data e não me senti homenageado em nenhuma delas. O pai na mensagem principal de diversas campanhas não tem lá muita importância. A importância está na inclusão de quem quiser ser pai, na mulher ou em alguma bandeira ideológica relevante x, y, z.  Na verdade essa necessidade de comunicar inclusão mostra para mim um buraco na prática inclusiva.

As marcas têm a necessidade de manifestar sua atenção às tendências e por essa razão, tomam para si o discurso que enxergam relevante para o seu público. Quando uma marca homenageia o padrasto, não necessariamente entende que ele deva ser homenageado. É, além de uma maneira de não ser paisagem em meio à quantidade de campanhas parecidas, se mostrar atual, ou mesmo à frente do seu tempo. O exemplo da campanha da Boticário é sintomática (abaixo).



Não disse aqui que o padrasto também não deva ser homenageado, que não haja os que dentre eles sejam muito melhores que alguns pais. Meu papo aqui é a sobre a ausência da simples homenagem, pois na soma com outras campanhas, vejo que a tendência é deixar o “pai comum”, em 2º plano.  Em três dos filmes mais compartilhados, a figura paterna não é celebrada. Em uma, ser padrasto é “ser mais que pai” (então o que seria ser pai?). Em outra, o filho se esforça para ser como o pai e no final a mãe mostra que o pai é um mero coadjuvante e que na verdade foi ela quem fez tudo. Em outra o foco não está na homenagem ao pai, mas na diversidade de tipos de pai. Todas campanhas de grandes marcas.

Mas, a gente não pode homenagear outras figuras paternas?
É claro que podemos e devemos. O estranho é não poder ou de repente ser a menor das importâncias a homenagem ao pai comum que não pertence a nenhuma outra categoria especial (avô na figura de pai, mãe, padrasto, pais homoafetivos etc).
Esse fenômeno vem ainda de outra questão. Alguns filósofos e pensadores já percebem que existe um clima de diminuição do papel masculino na sociedade. E aqui me coloco na frente da vidraça pronto para tomar pedradas. Hoje em dia, por conta de todo histórico do chauvinismo, de nossa cultura misógina e de tudo o que a mulher ainda sofre em pleno século 21 (salários menores, assédios, violência, baixo reconhecimento, jornada dupla) há quase que uma mal-estar em homenagear o homem, mesmo no dia dos pais. E esse sentimento em nada ajuda a mulher e não melhora as relações de igualdade de direito e respeito entre os gêneros. Essa distorção é comum. A diminuição do gênero como se fosse um pedido de desculpas pelo sofrimento que muitos membros do sexo masculino impõe às mulheres desde que o mundo é mundo. Com certeza as mulheres merecem mais que isso e os homens não merecem tanto descaso.

A coisa do pai entra aí por ser uma posição tradicional masculina que parece ferir a necessidade atual de inclusão de todo mundo em tudo. Uma forma de estabilishment que hoje soaria anacrônica.  Mas não deveria. Pais comuns continuarão nascendo todos os dias, junto com seus filhos. Pais bons e pais ruins.  Fico pensando se não precisamos ser mais simples, menos armados. Se precisamos dessa falsa inclusão midiática, na qual a palavra “pai” é tida como excludente.
Talvez precisemos de um mundo menos Boticário e mais Dollynho. Menos panfletário e mais homenagem de escola. Menos engajado e mais bobo.



Talvez precisemos de um mundo que se esvazie dos discursos, para começar agir com o amor simples de pais e filhos, irmãos e irmãs. Amor de humanos e não de classes, discursos ou tendências. Relações que de fato sejam igualitárias e que nelas realmente haja um entendimento do outro, seja ele quem for, em todas as suas diferenças. Afinal, somos sim todos diferentes e iguais ao mesmo tempo. Diminuir o outro não melhora a gente, só engana.
(leia mais sobre isso em "Viagem rumo a cara de ET")

Lanço então hoje o desafio para os próximos anos. Campanhas de dia dos pais que não sejam piegas, e sim criativas, que não precisem lançar mão de bandeiras, apenas o bom e velho amor paterno que eu sinto por meu filho há quase dois anos, desde que fiquei com ele a sós uma hora após seu nascimento, no quarto da maternidade. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

DIY - O primeiro ano do Bebê



















 

Há pouco mais de uma semana o Ruivo fez 365 dias de vida extrauterina.
Como bem disse um casal de amigos que estão um ano a nossa frente, os parabéns dever ser dados aos pais. A festa, quando se faz, é pra eles celebrarem e para os amigos e familiares verem o bebê lindo e forte em seus braços. A realização de um projeto que acontece em dores físicas e mentais desde antes do parto.

Epa, que deprê! Não, não é. É o processo de toda grande vitória, de todo grande projeto e do maior deles que é ter um filho. É assim com o primeiro ano e todos os seus outros primeiros (cólica, dente, saída, banho, resfriado, tombo etc). É assim com a primeira festa também. Principalmente quando é uma Festa de 1 ano DIY (Do It Yourself - ou faça você mesmo em bom português). Uma festa que você mesmo inventa de fazer quando não é assim um festeiro contumaz.

Quando vai fazer uma festa dessas, você se lembra daquelas nas quais já foi, as que viu na web, mistura com seus gostos, com seu orçamento e voi la! Se mata, cansa, erra, revê o custo, vai montar, cansa ainda mais, fica à base de Dorflex, mas no final olha tudo acontecendo, bonito ou até melhor do que imaginou e solta um belo sorriso no rosto.

O primeiro ano do primeiro filho para os pais é a mesma coisa. Você tem milhares de referências, próximas ou distantes. Foi visitar bebês na casa de amigos, ouviu os seus lamentos, (ou não ouviu, já que alguns não tem coragem de se mostrar frágeis) e guardou na memória. Assistiu a filmes, leu livros, foi a cursos, lembrou dos seus pais, ouvi opiniões de tudo o que é lado, misturou tudo ao seu modo de ver a vida, aos seus conceitos, suas crenças e na hora que o filho nasce tudo é parecido, mas diferente, por uma só razão: você e seu cônjuge são as pessoas que estão realizando tudo. 

Quanto mais a festa do Pedro se aproximava, mais percebíamos, o quão difícil seria. Embora o conceito da festa, o tema, a organização, os convidados (os textos também, claro) fossem todos nossos, víamos que não conseguiríamos fazer tudo sozinhos. Tudo era nossa responsabilidade, mas pedir ajuda não faz mal a ninguém.

Com o Pedro foi exatamente o mesmo. Temos nosso jeito de encarar o mundo e isso afeta a percepção do que se deve ou não fazer. Como tudo na vida, fazemos escolhas e colhemos as consequências boas e ruins delas. Na caminhada, apesar de sabermos hoje que, sim, no fim somos só nós três, contamos com ajudas que nos socorreram em diversas fases do processo de paternidade fresca. Alguns amigos, alguns familiares, um pastor.

Assim, como enxergar nos detalhes da decoração na foto de uma festa e ver que tudo estava como você imaginou, chegar ao trezentésimo sexagésimo quinto dia com um belo moleque no colo faz tudo valer a pena. E a gente olha pra trás e diz “Conseguimos!” Sim, amigo, é importante dizer (se você é pai ou mãe recente sabe do que estou falando). Com todas as incertezas da tarefa mais importante existente no mundo, você foi lá e fez. É como seguir as etapas de um trabalho e ali no meio achar o seu jeito, sua forma de fazer e criar algo novo, inédito, com a sua cara.

Esse é o sentimento: o maior DIY das nossas vidas chama-se Pedro, e há uma semana que ele tem 1 ano.

Um ano que culminou numa festa, com suor, ajudas e carinhos no processo contínuo de vida, que nem sempre é uma celebração, mas é um faça você mesmo que costumeiramente chega ao parabéns.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Dia dos Pais - O frio na barriga de um pai bebê

Minha esposa me perguntou o que eu queria fazer no meu primeiro dia dos pais.
Na hora me deu um branco, travamento do Windows clássico. Fora obviamente estar com meu filho, nada vinha a minha cabeça. Posso fazer o que os pais fazem, mas o que eles fazem no dia dos pais, principalmente com um bebê de 11 meses? Ir a um restaurante no almoço? Passear no parque? Ficar em casa com a família? Não sei. Assim como não sei mais um monte de detalhes a respeito da paternidade.

É de conhecimento geral que, enquanto mães, impostas por sua biologia e sugeridas por seu sexto sentido, nascem sabendo o que devem fazer, mesmo quando acham que não sabem, pais não tem a mesma sorte. Todo pai incipiente é um bebê-pai junto com seu filho. Para o pai – pelo menos os sinceros – criar /educar é um mistério que vai se revelando dia a dia, exatamente como a vida é para o bebê. Por isso a relação pai e filho é um aprendizado mútuo, cada um na sua persona.

Nesse momento de percepção da própria ignorância, instintivamente os homens fazem o que qualquer um faria, apelam para os seus exemplos ou a ideia que possuem do que é ser pai. Imitam padrões ou simplesmente repetem a educação a que foram expostos. Nada mais natural. 

É nesse ponto que me encontro comigo mesmo na vantagem de estar no que chamo de paternidade pura, quase virgem. Nascido numa família exemplo da mudança ocorrida nos anos 80, com o aumento crescente de casamentos desfeitos, cresci com uma relação paterna mais distante que as recomendáveis por igrejas, psicólogos e comerciais de empreendimentos imobiliários. Mas é claro, ainda tenho o inconsciente coletivo, os livros, os filmes, os mentores da adolescência, os professores da escola e os bons amigos um pouco ou muito à frente na jornada. Esse estado me permite assumir minha paternidade trôpega, com o objetivo de aprender realmente a andar e não me enganar com os andadores dos modelos que existem.

A paternidade, no fim das contas, é uma criança que enfrenta e se maravilha com o desafio do momento: se expressar, dizer o que quer, o que precisa. Calcular a que distância ficar, quando é bom estar perto, quase grudado e quando deve-se dar espaço pra não bater a cabeça. Começar com o alimento líquido, sentir nascer o dente e passar a comer alimento sólido. Se esforçar pra engatinhar, estar seguro pra ficar em pé e enfim andar. Outros desafios aparecem, mas os primeiros anos dão as pistas pro futuro.

É por isso que me sinto feliz e com um frio na barriga por esse domingo que se aproxima. Porque, ainda que eu não escale o Aconcágua ou faça um mochilão pela Tailândia, desde aquele dia em que fiquei com o Pedro sozinho no quarto da Maternidade de Campinas, tudo em minha vida é e será uma aventura. Um não saber, um experimentar pra depois perceber e aplicar na próxima viagem. E o melhor, com amor carimbado em todas as folhas do passaporte.  

  

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sobre meninos e renas


De cara alerto que as renas entraram nos título só pela referência bibliocinematográfica.
A verdade é que para fazer este texto fiquei esperando um insight até o último segundo e nada. Esperando é modo de dizer, já que nos ultimos 5 dias comecei três textos antes desse que não vingaram. Eu sabia que faltava, além do trabalho a epifania. Nada. O tema me era óbvio e depois não mais: meu filho, quem mais? O que seria mais perfeito que no dia que se comemor(ava) (sim, já que hoje é quase proibido) o nascimento de um menino Deus, falar sobre um menino homem que veio pra mudar vidas, em menor quantidade, também? Era tão óbvio que corri do tema até agora. Ele estava em outros ideais de mensagem que no fim não vingaram. Propostas interessantes, mas complexas, que esse tempo e ele próprio, o menino, não deixaram acontecer. Do texto eu havia resolvido fugir. Mas olha ele aí, o menino.
Engraçado como a gente foge de algo que é tão bom. Falar de algo lindo, de algo que faz tudo mais valer a pena, só pra ser original, só pra ser bacana, ou pra não se repetir. Às vezes a gente foge daquilo que é incrível, que nos move, que tem a capacidade de renovar nossas vidas, de trazer brilho,de produzir um amor que antes você não sabia que existia e tudo por causa do que outros vão pensar, porque muita gente já fez isso, ou porque um ou outro não vá gostar. Que coisa. O ser humano é muito esquisito. Renega aquilo que é dele por direito, por convenções, por culpa, por soberba, ou por que está preso a um jeito de ser do passado.  Às vezes renegamos algo tão maravilhoso gastando tempo, energia e emoção, com o que não importa,
Ás vezes há tanto peso dessa vida nas costas que fica difícil ver o quanto de beleza há no acontecimento mais importante da vida.

Graças a um menino que nasceu não sou mais assim, não carrego esse peso e por isso sou livre pra escrever:
Obrigado Jesus, por nascer numa manjedoura por mim, viver como homem comum por mim,  morrer como criminoso por mim e como se não bastasse tudo isso, ainda separar para mim a Cyn e me confiar o Pedro.

Um belo Natal a todos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O bloquinho do fundo do baú

Ontem descobri o porquê na era dos tablets e smartphones ainda uso o bloquinho. Não, não é pelo charme. É por uma questão de história, ou melhor da minha história. É pelo registro duro, pela lembrança contada, mas também física, densa, palpável. Eles, os bloquinhos, me são tão caros como o são relíquias, do fundo do baú mesmo. Se há aqui algum tom nostálgico, desejando o poético, não é proposital (percebo isto enquanto escrevo).

O bloco conta uma história, às vezes desfragmentada, é verdade. Um pouco do seu sentimento dali, de uma anotação daqui, uma lista de compra, um rabisco despreocupado. Mas no final, cada folha relata os fatos ou sensações daquele momento, e no todo é possível montar o esqueleto do dinossauro ali impresso. De uma capa a outra estão dicas, pegadas, indícios de uma época, tenha ela ocorrido há dez anos, dois ou um mês. Essa é a diferença para um diário, no qual o registro é proposital. No bloquinho, o registro acontece, assim, meio impressionista.


Escrevo esse texto num deles, não por nada. A ideia me veio em uma padaria, à espera de um amigo. Estou aqui na companhia dele, o bloquinho, no clima do caderno do Toquinho esquecido no fundo da mochila. Abri-o. Na busca de folhas brancas, acabei vendo os primeiros registros do planejamento do Purê ali. A decisão de tornar um projeto em algo real, fundamentar suas bases, estipular passos, criar nome, traduzir o conceito em palavra, ícone etc. Decidi continuar a ver o que mais tinha ali. 

Outras folhas lembraram-me de outras viagens, particularmente uma de verdade, feita no início de 2013. Detalhes e impressões anotadas em forma de poemas, desenhos ou frases soltas. Sorri, pois algumas delas talvez eu perdesse não fosse o bloquinho. As centenas de fotos e videos não conseguiram registrar o que minha mente percebeu através de cada sentido. Os rabiscos durante os trajetos foram mais próximos que os cliques apressados de turista deslumbrado com cada atração sonhada e agora vivida.

No mesmo bloquinho pude ver a evolução do meu sobrinho de sete anos, pois, desde que ele conseguiu pegar em uma caneta vem escrevendo e ilustrando lindamente em meus cadernos. Vi os registros de contos, dos mal passados aos crus. Vi planos feitos e falhos, rascunhos que não foram pra frente, rabiscos que deram errado no primeiro toque do lápis no papel. Vi até momentos sem pretensão, jogos para a diversão pura e simples, listas de natal, de compras.

Nesse exemplar em particular, vi  que os tais bloquinhos que chamam por aí de moleskine, não são sacros, profissionais, bacanudos ou intelectuais. São apenas cadernos de anotações e, independente de capas estilo escolar, de couro, vintage, ilustradas por designers ou fabricadas por talentosos artesãos, todos tem o mesmo fim: ser completamente rabiscado, sem dó, com aquilo que você tem na cabeça, nos olhos e nas mãos. Afinal são só bloquinhos. Vai saber a razão de eu gostar tanto deles.  

ps. Esse da foto foi feito pela Regina
ps2. O texto foi gestado no bloquinho há uns 7 meses, redigido na nuvem há uns três ou quatro e postado só agora.  Se ele tem registros mais de 2013 do que de 2014, essa demora em postar é, em certa medida um registro do ano corrente.
ps3. Da mesma forma, no post original não há menção ao meu filho, hoje com 3 meses. Ele não está no bloquinho, senão pela percepção louca de realizar muitas coisas antes de seu nascimento. Assim, esse é um bloquinho pré-Pedro.



quarta-feira, 28 de maio de 2014

Cegos, surdos e loucos



















Enquanto estou no meio das “mais loucas aventuras” de um casal gestando o seu filho em um país totalmente confuso, irritado,com redes sociais armadas, desinformadas e uma copa do mundo acontecendo, “hoje na sessão da tarde”, penso: o que é que devo fazer da minha mente?

Sim, durante essa loucura toda, minha sanidade é o assunto principal que faz a pulga alojar-se atrás de minha bela orelha. Talvez como  eu, isso também tenha acontecido com você (ou não, você é normal).

Tanta coisa pra pensar, decidir, resolver, realizar e até “prever” que o caso vai ser de manicômio. Por que a gente pensa em nós, egoísmo puro. Aí a gente pensa na criança - que lindo! Sim, mas é a minha criança, então não há tanta vantagem assim - egoísmo quase altruísta. Aí tem o Brasil, as mazelas, o coletivo, a corrupção, a realização, a melhora, a piora, as classes sociais, a administração do país, a cidadania, as opções, a falta delas. As verdades e as mentiras que fazemos delas.

A mistura das personas cidadão, pai, marido, amigo, irmão, tio, colega, profissional, artista fez-se mais confusa. Sim, é questão de terapia, meus amigos. Mas, em uma medida de emergência, resumi todas as questões em apenas uma sofisma tostínica (talvez culpa de minha persona publicitária):   

O que é mais importante: que mundo vou deixar para os meus filhos, ou que filho vou deixar pra esse mundo?

Vou atrás do que for possível para saber mais e fazer o melhor que puder em voto, opinião, textos, conversas, insistindo nos debates em prol do meu país, atingindo a coletividade e conquistando um futuro melhor para o meu filho? Ou foco minhas atenções no trabalho, no microambiente (leia texto sobre isso no Transformai-vos), nas relações familiares nem sempre fáceis, nas dúvidas sobre o parto, no relacionamento com minha esposa, em minha espiritualidade, para ser um pai são e preparar um filho para contribuir com o mundo? (leia aqui o texto de uma mãe pensando nisso)  
Pensa aí.

Pensou? Qual foi a sua conclusão? Bem, eu escolhi a segunda opção. E é um desafio muito maior do que o primeiro. Sei que meu voto vale, acredito que minha opinião vale, que o que digo pode valer pra você, mas preparar-me para criar alguém que possa fazer por seu presente e por um futuro ainda mais distante me parece mais sensato. Vivemos em um mundo onde todos temos opinião, balizada ou não, sobre tudo e a informação é difusa e a propagação de verdades cegas e discursos mudos de intenção coletiva imperam. Um mundo de cegos, surdos e loucos, sem a graça do filme com  Richard Pryor e Gene Wilder. Nesse contexto, investir no futuro com uma peça que depende inteiramente de mim parece ser a melhor das minhas contribuições no momento. O presente caótico não deixa pistas de pra onde vamos e ainda sim tenho esperança. Minimamente, posso pensar no cidadão de daqui há 15, 16, 21 anos, fazendo o máximo pelo microambiente dele, tentando melhorar aquilo que o cerca mais de perto, a começar em mim. Não há responsabilidade mais natural e ao mesmo tempo mais insana. Sanidade, era disso que se tratava esse texto. Que loucura.  

Assim, deixarei o parlatório por hora. Continuarei observando os rumos do país e as intenções dos possíveis dirigentes para fazer minhas escolhas, mas me ausentarei das análises coletivas da relevância ou não da copa e do discurso dessa ou daquela ideologia política. Não mais sofrerei vendo e tentando remediar a desinformação dirigida, preguiçosa e virulenta, travestida de revolta. Esquizofrênicamente, mergulhado em um pensamento ego-altruísta, meu foco é o Pedro. E é pra ele que eu digo: obrigado por trazer sanidade ao seu pai, filho.

terça-feira, 29 de abril de 2014

O vil metal e as crianças


Contido em alguns, mais visível em outros, há um desespero comum a todos os pais incipientes: o faz me rir, o vil metal, a bufunfa. Sim, quando o exame dá positivo temos o momento de euforia barra susto barra emoção e alguns dias depois, o pensamento que vem é “quanto vai custar?” A responsabilidade de ser pai, mentor, exemplo a gente deixa pra depois, já que teremos um bebê que, apesar de absorver muito, ainda não precisa em seus primeiros dias de receber lá muito conhecimento. Então, durante a gravidez, é l'argent que vem à cabeça. Preciso fazer uma poupança pro garoto. Preciso pintar, decorar o quarto. Preciso comprar 500 coisas que eu não sei o que são, mas sei que são caras. Preciso pensar na creche pra daqui um ano, preciso pensar na escola pra daqui 6. Preciso de uma casa maior. Preciso ganhar mais dinheiro.
O mundo mudou e a visão do homem provedor não é mais dominante. A mulher trabalha tanto ou mais que o homem, estuda e se especializa mais do que ele. Mas isso não muda como o homem pensa - a preocupação continua a mesma. Está no nosso instinto nos preocuparmos em trazer a comida pra caverna, assim  como ainda está na mulher o instinto de proteger a cria com sua vida.
Mas nessa, além da carne, queremos novas cavernas, peles mais sofisticadas, animais mais difíceis de serem caçados e sabe-se lá por que, justificamos tudo isso dizendo que é pra nossa cria. Talvez alguma porcentagem até seja. Uma pequena, mas essa caça toda tem como satisfação principal agradar o “chefe do clã”. Reside nos próprios sonhos, na própria praticidade em facilitar a própria vida Esse pensamento ocorreu por causa de um item do mundo recém nascido, o carrinho de bebê. Além da coisa mercadológica, fico pensando como sobrevivi sem um carrinho incrivelmente equipado quando era criança. Mas o meu instinto era comprar esses carrinhos de marcas americanas ou europeias vindos da China que custam no mínimo R$ 1500,00. E embora o apelo seja a segurança do rebento, o que me atraía nos carrinhos desse valor era o meu conforto, a facilidade de carregar, guardar, enfiar dentro do carro, tirar o bebê-conforto etc e reticências. Quase nenhum quesito se referia a ele. E assim, pensando em berços, decorações, e alguns outros produtos, percebi o óbvio: projetamos no filho a beleza material da vida que desejamos, seja no carrinho design, seja no lustre bacanudo ou mesmo DIY do quarto. Por isso compramos bodys de banda, por isso colocamos guitarras na parede, pensamos em decorações, produtos e equipamentos com a nossa cara. O meu filho já é uma extensão de mim, mesmo que ainda nem suje a fralda. Antes que você se assuste, não acho nada disso abominável. Pelo contrário, envolver o filho naquilo que aos nossos olhos visualmente, culturalmente, é melhor, é mais que natural. O que me chamou à reflexão é o status de necessidade que antes que a criança nasça colocamos nelas. Usamos o sacro amor pelo filho para justificar os nossos devaneios consumistas, sublimar nossas inseguranças. Ouvi mais de uma vez a bravata “Faço tal coisa pelos meus filhos, trabalho 18 horas pelos meus filhos, não vejo meus filhos pelos meus filhos.” Engraçado que muitas vezes vejo esses pais continuarem a comprar carros, videogames, jantar em lugares caros, fazer viagens caras, mas ainda assim justificam as loucuras consumistas pelos filhos. Exageram em produtos que eles não pediram, roupas que eles não gostam, ou presentes que eles não ligam, sustentando a própria satisfação em comprar tudo aquilo. Falo tudo isso porque enxerguei esse bicho em mim, olhando para o status do carrinho de três rodas (sim, ter três rodas e não quatro dizem que dá status). Senti vergonha, senti pena do meu filho e reavaliei o meu papel. O meu papel de não usar o garoto como muleta ou motivação pra comprar. O meu papel de me policiar, sabendo que vou querer dar o mais incrível, quando o mais educativo será dar o normal. O meu papel de pai de gastar mais tempo e menos dinheiro com ele. O meu papel de brincar com tupperware no chão da sala ao invés de chegar tarde e trazer um melhor brinquedo do mundo por culpa. Não disse aqui que não farei loucuras nesse processo. Mas minha intenção é, em cada decisão pensada, não justificar ou colocar um peso nas costas de quem nem está sabendo o que acontece. Se quiser comprar um sapatinho de 100 reais para a criança usar uma vez, saberei que aquilo me alegra e não a ele. Foi graças a esse carrinho que  percebi que a relação como meu filho, desde o ventre, deve ser tratada como qualquer outra entre duas pessoas: é necessário respeito entre as partes. Assim, decidi por respeitar meu filho, sendo sincero comigo mesmo. Meu maior desejo é conseguir não mentir pra mim, seja nesse o em qualquer outro assunto. Só assim serei verdadeiro com ele. Só assim terei direito de dizer a ele o que tem ou não importância na vida. E só assim um dia ele vai me respeitar como hoje eu já o respeito.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Meu filho, o não-rei do mundo


Eu não sou pai. Quando digo isso me posiciono como um ser completamente ignorante das dificuldades e esforços concernentes às funções, atribuições e responsabilidades paternas. Na posição de quem vai ter de cuidar propriamente de um filho daqui há 7 meses, ou 30 semanas, como contam os obstetras, observo, escuto e faço minhas auto-análises em um esforço já com o fracasso anunciado de prever minhas reações, desejos e experiências.


Quando falo da minha ignorância, não tem a ver com noites não dormidas, cansaço, paciência com esposa hormonalmente desequilibrada, desejo de fazer outras coisas, ou ainda banhos, trocas de fraldas etc. Falo de sentimentos, de atitudes, de ensinos, de criação mesmo. Muitos ideais que temos, mas não sabemos se vamos mesmo cumprir.


Vi outro dia um artigo compartilhado nas redes sociais com o título "7 comportamentos dos pais que impedirão seus filhos de se tornarem líderes"Obviamente fui ler. A matéria me preocupou menos que o título. Na hora lembrei que segundo 93,5 % dos pais que eu conheço, seus filhos são todos líderes na escola, entre primos ou no condomínio. A coisa do orgulho bobo e natural de pais e mães. Porém,na minha cabeça, pensar na educação da criança para que ela vá ser líder me pareceu algo esquisito, bizarro mesmo. Como disse acima, entendi a matéria mas o título-anzol meu pareceu agressivo e contrário do que me parece ser a tal da educação (e nesse ponto acabo de enfiar a mão num vespeiro). 


Quando penso em quem vou ser para o meu filho, como vou tratá-lo, o que vou ensinar, que exemplo vou dar, minha preocupação nunca nem de perto passou pelo quesito liderança. Talvez seja pelo fato de hoje ele ter apenas 3 centímetros


Ou pode ser porque não é isso que de imediato sonho pra ele ou ela. Sonho que além de portador do combo saúde, ele venha ser uma pessoa na acepção da palavra, Alguém que erre e acerte procurando o acerto. Alguém que se preocupe com os outros, que ame. Que seja seguro de suas convicções, mas não arrogante sobre elas. Alguém que ame a Deus e se relacione com Ele. Alguém que saiba da suas limitações, mas não seja oprimido por elas. Alguém que adore dizer não sei. Alguém que se preocupe e gaste tempo com o que é importante. Que chore quando for a hora, que ria sempre que possível. Alguém que saiba lutar com as armas da paz. Que seja simples como a pomba e prudente como a serpente. Que não seja levado por modismos. E que tudo isso seja gradativo, que seja aprendizado, que seja processo. Que ele seja o profissional que ele quiser e que ele entenda o que isso acarreta. Que ele saiba que tudo na vida são escolhas e que não há desculpas, mas há perdão. Que ele nos perdoe pelos nossos erros e idiossincrasias mais esquisitas impressas em sua educação. Que ele sofra quando tomar pancadas da vida, mas que se levante pra ficar de bem com ela novamente.

Talvez todos esses sonhos, no fim das contas, o ajudem a ser um líder, ou o certifiquem que o melhor é ser um servo, mas o mais importante é que ele seja ele.


Agora, se além de tudo isso, assim, por acaso ele ou ela souber pintar, escrever ou tocar um instrumento bem pra caramba, não vou ficar triste, é claro.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Mudando o mundo - Uma fralda de cada vez

Foto: Nadia Carol Otake

Por Nádia Carol Otake

Aí não importa o que o ser humano escolha fazer com sua vida algumas pessoas tem esse desejo, de ser relevante no que faz, ter voz e trazer alguma transformação boa para esse mundo.

É óbvio que existem visões diferentes em como isso pode ser feito e alguns são bem mais radicais do que outros em suas escolhas mas no final dá no mesmo. Todo mundo deseja que o "mundo" veja o "mundo" através de seus olhos.
Como comentei em posts anteriores, o nosso desejo como família é fazer com que as pessoas tenham um relacionamento com Deus trazendo dignidade para os seres humanos que de alguma forma foram roubados do direito de se sentirem dignos na sociedade aonde vivem.
Acabamos de voltar de uma viagem ao redor do mundo aonde tivemos o privilégio de conhecer muitas pessoas e influenciar a vida de algumas delas. Confesso que quando cheguei em casa fiquei um pouco deprê pensando: "- Poxa, agora vou ficar em casa cuidando da Isabella, enquanto o Ricardo está lá fora 'ajudando a mudar o mundo!'"


Mas aí lembrei que, alguns meses atrás logo que a Isabella nasceu tive uma crise parecida, e processando a respeito tive algumas revelações e hoje decidi compartilhar por aqui.
Trabalho em um Instituto de Cinema, aonde antes de ter a Isabella, ajudei a treinar centenas de alunos de todas as partes do mundo com mídia e fotografia para que eles fossem lá fora 'dignificar' a humanidade e dar voz aos sem voz com suas fotos e vídeos. Tivemos vários resultados positivos como uma mudança de lei no Panamá relacionada adoção assim também como muitos desafios. Com essas e outras histórias vindas de várias partes do planeta a sensação que se tem é que você realmente está fazendo uma diferença nessa terra nem que seja minúscula, mas que é parte de algo.

Agora que fico mais em casa do que lá fora, as vezes bate a crise em mim e em muitas outras mães amigas minhas que se sentem da mesma maneira, de que você está perdendo algo. É como se em nossa geração fossemos treinadas de uma maneira tão individualista e egoísta que, aquilo que antes era orgulho no tempo de nossas avós e tataravós, virou vergonha e nos passa a sensação de que fomos diminuídas em nossas vida por causa da maternidade.

Fotos: Nadia Carol Otake 
A minha experiência não é muito diferente daquelas mamães que sofrem entre as palavras "carreira" e "maternidade" como se uma competisse com a outra.
Quem disse? Aonde está escrito que uma tem que competir com a outra?
Porque se pararmos pra pensar, usando meu exemplo, fotografia é apenas o meu trabalho mas isso não define quem eu sou como pessoa. É o que amo fazer e a ferramenta que uso no momento para dar luz e voz. Ser mãe está dentro de mim gravado em todas as células do meu corpo mesmo antes de dar a luz a minha primeira filha. Mesmo se perdesse meus filhos um dia, JAMAIS deixarei de ser mãe, uma vez mãe sempre mãe.

Isso mostra a importância desse papel na vida das mulheres e o fato da sociedade ocidental ter diminuído tanto ao ponto de trazer culpa ao coração daquelas que nasceram para serem mães. Seja de sangue ou de coração, não tem experiência no mundo que revele o amor MAIOR pra nós do que a maternidade. Filhos não são um peso, filhos são investimento, eles que irão definir o futuro das cidades, dos países, do mundo.
Um dia dirigindo o carro voltando de um projeto fotográfico me senti meio confusa em relação ao meu papel agora com um bebê de dois meses no colo e uma máquina no pescoço. Senti uma voz compartilhando comigo assim: "Nádia, todos esses projetos por mais que influenciem o mundo e venham impactar a humanidade, um dia eles estarão em prateleiras ou guardados em caixas e ninguém vai lembrar mais deles, eles são momentâneos, em 10 anos tudo isso que você se encontra envolvida hoje será diferente, mas em 10 anos seus filhos estarão lá, sendo preparados para amar e influenciar a próxima geração...


"Nádia, SEUS FILHOS SÃO AS FLECHAS MAIS AFIADAS QUE VOCÊ POSSUI PARA MUDAR O MUNDO, INVISTA NELES E VOCÊ NÃO VAI SE ARREPENDER..."

Tive um choque dentro do carro e comecei a pensar que tudo nessa vida passa, mas que as coisas mais preciosas que possuo hoje são os bons ensinamentos que recebi dos meus pais e as memórias que me construíram para ser quem sou hoje. É óbvio que a vida é um aprendizado sempre, estou longe da perfeição mas caminhando para ser uma pessoas melhor. É isso que desejo para os meus filhos, que eles entrem nessa jornada para descobrirem e serem TUDO o que foram criados para ser. Que eles guardem princípios bons e priorizem o que é mais valioso nessa vida: Deus, o amor e o próximo. De que eles saibam que tudo o que é material que a gente sonha em ter todo dia, vai passar, mas as memórias ficam.
Quero aprender a lançar meus filhos pro alvo daquilo que o Criador tem sonhado pra eles. E que isso seja parte da pequena porção que possa mudar o mundo. Eu não tenho controle sobre as escolhas que eles irão fazer no futuro mas eu posso lançar sementes no coração deles para que sejam inclinados a fazer escolhas boas na vida.


Sim, eu sonho com projetos fotográficos muito loucos, sonho em viajar o mundo e documentar as histórias de mulheres, orfãos e refugiados. Sonho em entrar em lugares para trazer imagens que o mundo não vê no dia a dia, sonho em documentar o dia a dia dos lugares aonde o mundo não crê haver esperança. Sonho alto e sonho louco, mas sei que nunca deixei de mudar o mundo e ser uma partícula relevante nessa história que envolve bilhões, o que mudou é a maneira como estou fazendo isso nessa fase da vida.
Mudando o mundo...uma fralda de cada vez ; )

"Como flecha nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos da juventude.
Como é feliz o homem que tem sua aljava cheia deles!"Salmos 127:4-5

Publicado originalmente aqui
Todas as fotos no instagram da Nádia

Conectada, apaixonada, pensadora, Nádia Carol Otake 
trabalha com fotografia, tradução e escrita. Do Nepal à Itália, 
culturas, línguas e viagens vêm tecendo sua jornada .
Formada em Letras, persegue os mistérios da comunicação.  
É casada com um engenheiro elétrico, com quem desde 2010 
mora no Hawaii. Trabalha com a Universidade das Nações 
e sonha em pisar todos os continentes da Terra. 
É mãe da Isabella.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

De onde vem a calma e a raiva



Tudo o que você pensa vem de algum lugar. Nem que seja da sua lembrança mesmo. O que você acha que sabe, pode ter vindo do viver, do ver, do sentir ou simplesmente do ouvir falar. O lugar onde você mora, os pais que você tem, a escola que você frequentou, os seus melhores amigos, a igreja em que congregou ou na qual nunca foi. A presença e a ausência fazem diferença no seu e no meu julgamento sobre qualquer coisa.
Você pode ser palmeirense simplesmente porque todo mundo na sua casa era, ou porque todos eram corinthianos e você gosta de ser do contra. Você pode torcer para a Sociedade Esportiva Palmeiras unicamente porque na época em que você era criança já com algum entendimento, o clube ganhava tudo. 
Você pode gostar de loiras porque sua mãe também tinha os cabelos amarelos e morreu quando você ainda era pequeno. Você pode gostar de loiras porque  sua mãe era morena e quando você era pequeno ela te batia, ou porque seu primeiro beijo foi numa linda loirinha logo aos 5 anos no pré-primário, ou ainda você pode gostar de loiras porque aos 8 anos você viu Marilyn Monroe com suas saias esvoaçantes, escondidinho atrás do sofá enquanto seus pais assistiam O Pecado mora ao lado.



Você pode gostar de usar xadrez por ser adolescente na época em que um movimento sujo e mal lavado de seattle esfregava o rock na cara de todos com camisas flaneladas. Ou você pode gostar de usar xadrez porque alguém que sabe que de 20 em 20 anos as coisas voltam, disse que é legal  e você gosta de ser legal. Ou você simplesmente ganhou uma peça com estampa xadrez de alguém que você gosta muito e nunca mais parou de usar.

Você pode ter escolhido sua carreira como advogado pelo fato de seu pai ser um. Ou pode ter escolhido porque sua familía nunca teve nada, mas apostou em você e isso era importante pra eles. Você pode ter decidido pelo dinheiro que pode dar, porque queria ajudar a justiça, ou ainda você pode ter prestado direito simplesmente porque deu cara  quando jogou a moedinha pra cima na hora de fazer sua inscrição no vestibular. Ainda sim você teve que escolher entre centenas de opções pra chegar nas duas que foram para a final do cara e coroa.
Você escolheu namorar, viver, casar com alguém porque se sentia sozinho, ou porque se sentia completo e podia fazer alguém feliz, porque admirava uma pessoa, porque cedeu aos seus instintos e depois achou que era o correto ou porque não sabia o que fazer.

Você escolheu ler esse texto porque conhece o autor, ou porque conhece alguém que indicou o link, porque gostou do título do post, porque ele enganou você com o título do post, ou porque não tinha nada melhor pra fazer. Se foi por isso, ainda sim você escolheu vir aqui em vez de assistir outra vez aquele video do Porta dos fundos, ou qualquer relato das manifestações dos últimos dias.
Não citei os livros que você leu, os discos que ouviu, os filmes que assistiu ou os lugares onde você foi, mas paremos por aqui. De qualquer forma, agora que já falamos tanto de você, entrego-te a responsabilidade de continuar fazendo o mesmo.

Sugiro as seguintes questões: Por que compartilhei aquele post?
Por que apoio as manifestações? Por que não apoio as manifestações? Por que não estou nem aí com isso? Por que só penso nisso?
Por que votei naquele cabra?
Por que não votei naquele cabra
Por que eu vaiaria a Dilma?
Por que eu não vaiaria a Dilma?
Por que não vou fazer o que esse mala está me pedindo?
Por que eu li tudo isso?

Faça isso hoje e deixe sua mente descansar por alguns dias. Acrescente suas próprias perguntas. Repita pelo menos uma vez ao ano.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O que você faz pra ser feliz?

O povo reclama, o povo chora (principalmente nós publicitários) mas, parafraseando o reclame do supermercado, "o que você faz pra ser feliz?"

Assista, dê aquela inspirada e quem sabe um chute de peito de pé no balde:



O assunto dá pano pra manga, mas eaê? Quem tem coragem/planejamento/estrutura emocional/apoio?

Via Camila Diniz

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Você não sabe que Ele te ama?




Third Day - I've Always Loved You
(versão: Jean Marcel)

Eu não sei como explicar
Com palavras não vou conseguir
qualquer milagre ou maravilha
a mim não bastam para TE  PROVAR

Você não sabe que eu sempre te amei?
Antes do tempo existir
longe estás eu sei
mas ouça a mim
não sabe que eu sempre te amei?
E sempre te amarei
.
Maior amor ninguém terá
Do que quem deu sua vida pra provar
e qualquer coisa Ele faria
É o que eu faço por você

Você não sabe que eu sempre te amei?
Antes do tempo existir
longe estás eu sei
ouça a mim
não sabe que eu sempre te amei?
E pra sempre vou te amar
E sempre te amarei.

FELIZ PÁSCOA

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Sobre o meu 2011

Em 2011 eu fiz mais amigos do que eu imaginava. Entendi que amizade é uma coisa que acontece, que realmente não dá pra forçar.

Percebi que amadureci e às vezes até pareço ter minha idade cronológica.
Em 2011 percebi que a melhor fase da minha vida é hoje. Que não tenho lá muita saudade do passado.

Entendi que pausa é música, como se diz por aí e que o silêncio é som.
Que paz é a verdadeira luta e fazer guerra é fácil. Percebi que sou abençoado por Deus e para Ele, minha esposa e minha mãe sou bonito por natureza.

Entendi que o rock não morreu, está suspenso no ar pra quando alguém quiser ou precisar usá-lo, embora pouca gente ande querendo. Que moda tem uma razão mas pra mim continua não fazendo sentido. Que amizade é tesouro e que as coisas acontecem às vezes por certas razões que se agente parar para pensar direitinho, entende.

Descobri que Clarice Lispector ainda continua escrevendo mesmo depois de morta.

Enxerguei que eu preciso de menos do que eu pensava para ser feliz. 
Percebi que preciso perder 20 kg, já foram 2.

Entendi que o tempo é todo seu e você escolhe o que faz com ele. 
Percebi que a maioria dos heróis é covarde. Fogem do cotidiano, pois não sabem lidar com ele.

Percebi que ainda gosto de Wallflowers. 

E que realmente não gosto de bolo de cenoura. 

Entendi que algumas pessoas são pra sempre em sua vida, mesmo que você fique cinco anos sem conseguir encontrá-las.

Resolvi que nunca mais vou deixar de desenhar, como fiz no passado.

Percebi que sem querer as pessoas são realmente quem são nas redes sociais, até as que fingem não ser.
Percebi que família é um negócio bom demais pra você não gastar tempo com ela, embora às vezes seja bom ficar longe.

Vi que minha geração é privilegiada: viveu o suficiente no mundo analógico para ter saudade, mas consegue aproveitar os benefícios da era digital.

Reafirmei que definitivamente eu odeio excel e dou graças a Deus por não trabalhar com ele.

Percebi que todo mundo tem um ditador dentro de si pronto pra tomar o poder e não respeitar a liberdade e opinião dos outros.

Percebi que segundo minha matemática da 3ª série, os únicos números que multiplicados e somados por si mesmo que dão o mesmo resultado são o 2 e o 0. Entendi de uma vez por todas que sou estranho embora pareça normal, ou vice e versa.

Vi que para a maioria das pessoas dizer “não sei” sobre coisas da vida é mais difícil do que aprender física quântica.

Corri demais, sabendo que estava fazendo isso. E vi a necessidade de andar devagar como diriam Almir Sater e Renato Teixeira.

Em 2011 fechei ciclos e me preparei para abrir outros em 2012. Tomei decisões que vão mudar a minha vida. E parei. Agora vou respirar, pensar, experimentar, entender e desentender.

Afinal, há tempo pra tudo, como dizia o sábio pregador.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Igreja dentro de boate na Rua Augusta

"Vinde a mim todos vós que estai cansados, e eu (Jesus) vos aliviarei"  (Mt 11:18)



Como disse a moça no video, eles já são "Igreja". Bonito mesmo ver esse entendimento. Que Deus os abençoe para que não virem uma instituição, vazia, litúrgica e dogmática.

"Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso?" (At 7:48,49)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A minha melhor roupa

Existe um episódio de “My Wife and Kids” ou Eu a patroa e as crianças, no SBT, que me fez pensar. A família está se preparando para ir a um casamento e o pai, Michael Kyle (Damon Wyans), obcecado por chegar no horário, pressiona a todos para que estejam prontos o mais rápido possível. É claro que nada dá certo, e cada membro da família atrasa por um motivo diferente. Mas foi no caso da menorzinha, a Kady que veio a iluminação.

Depois de sujar o vestido com pudim e perder o sapato no banheiro, Kady precisa trocar de roupa para ir ao casamento. Michael tenta escolher uma roupa para a filha, mas ela não gosta de nenhuma. 


Preocupado com o atraso do resto da família o Sr. Kyle toma a decisão “Veste o que você quiser” e “calce os seus sapatos favoritos e vamos embora por que eu to ficando louco”.
Resultado: a filha caçula surge com uma fantasia de fada, com direito a varinha de condão, e botas de cowboy (!).

Kady fez o que todos temos vontade de fazer, ter a permissão de vestir o que quiser, o que achava mais bonito, o que para ela era a sua melhor roupa.

Opa, mas nós maiores de idade não temos essa permissão? Não, alguns de nós, não. Nós respeitamos convenções sociais e assim não somos totalmente livres para escolher. Exagerando? Talvez.

Sou cristão e em grande parte das igrejas protestantes, até pouco tempo, aos domingos todos usavam o que chamávamos brincando de “roupa de ver Deus”. Sim, terno e gravata, ou pelo menos um traje “social”, a roupa que você que não é “crente”jamais usaria em um fim de semana. A não ser que você fosse a um CASAMENTO! 

O argumento para tal prática era o de usar sua melhor roupa para algo que é importante, algo solene como um encontro com alguém que você respeita e ama (de novo, como um CASAMENTO?)   

Eis aí a melhor roupa novamente. Desde que me conheço por gente entendo essa melhor roupa exatamente como a Kady: a que eu mais gosto, a roupa que se tivesse que usar para o resto da vida, eu escolheria aquela. Aquela que se todas tivessem o mesmo preço e a mesma marca, seria a que eu escolheria. Essa é a melhor roupa. Essa seria a que eu oferecia para quem eu mais amo, mais respeito, esse seria o meu melhor.

Mas é claro que as coisas são assim. Se você me convidar para ir ao seu casamento tradicional vestirei o meu terno mais bonito, embora para mim ele não seja nem de longe a minha melhor roupa.  No meu próprio casamento eu fiz isso. Se eu for a uma audiência em um tribunal, provavelmente, mais uma vez, eu não use a minha melhor roupa. Usarei o uniforme padrão.

Qual é o problema disso? Nenhum, apenas que por mais que o mundo diga, aquilo não será o meu melhor, não serão minhas mais belas palavras, meus melhores valores, meu mais raro talento, minhas maiores conquistas. Serão apenas os modelos com os quais estão acostumados.

Aí, em uma ou outra cerimônia, dia de trabalho, ou o que quer que seja, por causa de um atraso, um rompante da sábia lógica insana das crianças, ou de um deslize da ordem vigente eu e você conseguimos vestir nossas “botas de cowboy e asas de fada”. E é nesses dias que a gente sempre se diverte.

Ah, só para constar, eu nunca fui muito adepto da "roupa de ver Deus". E hoje quando vou a uma igreja, visto a melhor roupa. Até porque, Ele está comigo sempre e o dia a dia já é meu momento solene.

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