UM DESENHO POR SEMANA

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

CUIDADO: Tratamento democrático


Eleição
Tratamento democrático

Apresentações
Municipais, estaduais e federais para poderes executivos e legislativos

Laboratório
República Federativa do Brasil

Indicação: o medicamento é indicado para a manutenção do sistema democrático e exercício do direito de escolha do cidadão. Também é recomendado para o tratamento de ditaduras, sistemas autocráticos e despóticos.

Contraindicações:
O medicamento é contraindicado em pacientes com hipersensibilidade conhecida a qualquer componente da fórmula. Se este for ingerido acidentalmente é provável que ocorra amnésia na dosagem seguinte. Não deve ser usado com Facebook.

Efeitos colaterais: Pode provocar esquizofrenia, devaneios, expressão de desejos ocultos, perda de compreensão da linguagem, enrijecimento do dedo indicador, causar surdez, cegueira, depressão, irritabilidade, hipertensão, verborragia, perda de memória recente e amigos antigos.  

Posologia: uso adulto, a partir de 16 anos, 2 a 3 pílulas a cada 2 anos.
Via de administração: Urna 

Superdosagem É improvável que cause danos permanentes, mas em caso de excesso, o uso pode causar confusão de números, perda de noção de lógica e enfado.

INTERRUPÇÃO DO TRATAMENTO: NÃO INTERROMPA O TRATAMENTO SEM O CONHECIMENTO DA NAÇÃO.


NÃO USE REMÉDIO SEM O CONHECIMENTO DA SUA MENTE E BOM SENSO. PODE SER PERIGOSO PARA A SAÚDE DE TODOS.

 


terça-feira, 19 de novembro de 2013

A política no Brasil: uma questão de fé cega


No ápice dos protestos de junho escrevi por aqui que meu sentimento era confuso. Digo-vos hoje, que não era, continua. Naqueles dias (escrito assim parece que fazem anos) toda e qualquer opinião, ação, expressão, dirigia o autor para um lado, ainda que não quisesse ou se enxergasse assim. Se disse ”x”, significava que você era petista, se disse “y”, era reacionário, se cantasse o hino nacional era um fascista, mas se nada dissesse ou fizesse era um manipulado, alienado.

Todos passaram a ser alvos e juízes com os dois pés atrás na antítese da máxima jurídica in dubio pro reu. Exigia-se essa posição com as pedras nas mãos prontas para a execução. Uma guerra contra tudo e contra todos. Uma manifestação sem agenda, mas cheia de sentimentos confusos travestidos de convicções. Não estou dizendo que os indivíduos não tenham convicções e que elas não possam estar embasadas, pensadas até muitas delas experimentadas, vividas. Digo porém, que no mar de gente, tanto das avenidas tomadas em junho quanto nas redes hoje excitadas por prisões de pessoas políticas conhecidas, as convicções meio que se misturam, se perdem, se confundem. As certezas dos discursos de jornalistas de um e outro lado, de artistas, de amigos me deixaram um tanto quanto bobo. Sim, bobo.

A sensação é de que eu nada sei, de que apesar de minhas convicções estou em cima do muro, ou apenas não estou entendendo patavinas. Ler, assistir, o opinar de articulistas das mais diversas linhas ideológicas, acompanhar discussões, me deixa confuso sobre o tema central, mas cada vez mais convicto de uma coisa: as certezas de fatos que eu não conheço, continua sendo o sinônimo de fé.

São tantas referências jurídicas, informações em tese embasadas e compartilhadas por pessoas a quem eu não respeitava que encontraram eco em outras de minha inteira consideração, e vice e versa. Veículos, profissionais, amigos: em quem acreditar? Em meio a tantas certezas expressas por aí, vejo inúmeros buracos em qualquer lado que me apresente. E é aí que me vem o conceito de fé. Fé é acreditar apesar de não ver em mãos cada prova. Em meio a um caos ético, moral e político escolher um lado, ainda que este seja tão ou mais falho que o outro, é quase uma questão de fé. E acreditar na pureza de qualquer um deles é uma questão de fé cega.  

Talvez meu discurso pareça fatalista, desesperançoso. Quanto à política do Brasil, confesso, é. Um país com profundas desigualdades sociais, com massas manipuladas de um lado, e de outro, com intelectuais, elites classes médias hipócritas de olhos fechados para os primeiros. Um país gigante que tem vergonha de si mesmo e nesse sentimento se permite errar onde não deveria. Um país de gente que trabalha e rouba, sofre e sonega, luta e dá um jeitinho. Um país com dois lados que praticam os mesmo erros, mas alimentam a fé da pureza em si mesmos e a personificação do mal no outro.

Um país que há 500 anos vive da arte de “viver da fé. Só não se sabe fé em quê.”   

sexta-feira, 12 de julho de 2013

um desenho por semana por um mundo mais bacana LXXXIV

Feito baseado na sugestão de tema dado por Fernando Palma (parceiro de paredes) e Kie Magalhães (habitué e colaboradora eventual do oqéisso).

"FAB Linhas Aéreas"



Agradecimentos também a Junior Valler, Cinthia Maia, Ricardo Otake e Joab Barros. Quem sabe na próxima.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

De onde vem a calma e a raiva



Tudo o que você pensa vem de algum lugar. Nem que seja da sua lembrança mesmo. O que você acha que sabe, pode ter vindo do viver, do ver, do sentir ou simplesmente do ouvir falar. O lugar onde você mora, os pais que você tem, a escola que você frequentou, os seus melhores amigos, a igreja em que congregou ou na qual nunca foi. A presença e a ausência fazem diferença no seu e no meu julgamento sobre qualquer coisa.
Você pode ser palmeirense simplesmente porque todo mundo na sua casa era, ou porque todos eram corinthianos e você gosta de ser do contra. Você pode torcer para a Sociedade Esportiva Palmeiras unicamente porque na época em que você era criança já com algum entendimento, o clube ganhava tudo. 
Você pode gostar de loiras porque sua mãe também tinha os cabelos amarelos e morreu quando você ainda era pequeno. Você pode gostar de loiras porque  sua mãe era morena e quando você era pequeno ela te batia, ou porque seu primeiro beijo foi numa linda loirinha logo aos 5 anos no pré-primário, ou ainda você pode gostar de loiras porque aos 8 anos você viu Marilyn Monroe com suas saias esvoaçantes, escondidinho atrás do sofá enquanto seus pais assistiam O Pecado mora ao lado.



Você pode gostar de usar xadrez por ser adolescente na época em que um movimento sujo e mal lavado de seattle esfregava o rock na cara de todos com camisas flaneladas. Ou você pode gostar de usar xadrez porque alguém que sabe que de 20 em 20 anos as coisas voltam, disse que é legal  e você gosta de ser legal. Ou você simplesmente ganhou uma peça com estampa xadrez de alguém que você gosta muito e nunca mais parou de usar.

Você pode ter escolhido sua carreira como advogado pelo fato de seu pai ser um. Ou pode ter escolhido porque sua familía nunca teve nada, mas apostou em você e isso era importante pra eles. Você pode ter decidido pelo dinheiro que pode dar, porque queria ajudar a justiça, ou ainda você pode ter prestado direito simplesmente porque deu cara  quando jogou a moedinha pra cima na hora de fazer sua inscrição no vestibular. Ainda sim você teve que escolher entre centenas de opções pra chegar nas duas que foram para a final do cara e coroa.
Você escolheu namorar, viver, casar com alguém porque se sentia sozinho, ou porque se sentia completo e podia fazer alguém feliz, porque admirava uma pessoa, porque cedeu aos seus instintos e depois achou que era o correto ou porque não sabia o que fazer.

Você escolheu ler esse texto porque conhece o autor, ou porque conhece alguém que indicou o link, porque gostou do título do post, porque ele enganou você com o título do post, ou porque não tinha nada melhor pra fazer. Se foi por isso, ainda sim você escolheu vir aqui em vez de assistir outra vez aquele video do Porta dos fundos, ou qualquer relato das manifestações dos últimos dias.
Não citei os livros que você leu, os discos que ouviu, os filmes que assistiu ou os lugares onde você foi, mas paremos por aqui. De qualquer forma, agora que já falamos tanto de você, entrego-te a responsabilidade de continuar fazendo o mesmo.

Sugiro as seguintes questões: Por que compartilhei aquele post?
Por que apoio as manifestações? Por que não apoio as manifestações? Por que não estou nem aí com isso? Por que só penso nisso?
Por que votei naquele cabra?
Por que não votei naquele cabra
Por que eu vaiaria a Dilma?
Por que eu não vaiaria a Dilma?
Por que não vou fazer o que esse mala está me pedindo?
Por que eu li tudo isso?

Faça isso hoje e deixe sua mente descansar por alguns dias. Acrescente suas próprias perguntas. Repita pelo menos uma vez ao ano.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

um desenho por semana por um mundo mais bacana LXXXII

Manifestação do Passe Livre. Lendo muita coisa, vendo tanta opinião pensada, impensada, sentida e insensível, às vezes redigida outras copiada, às vezes dirigida, outras simplesmente vomitada sobre as manifestações. Penso sobre tudo enquanto a coisa acontece. Parece uma inércia só pensar. Dei-me o direito de sentir sobre tudo isso e me expressei. Isso é o bastante? Não sei. 
Meu desejo é que soe só verdadeiro.

"Tezahürü 
مظهر SP"



terça-feira, 12 de março de 2013

Feliciano, cadê o Renan?


Pra começar, vamos deixar claro algumas coisas:
1. Não tenho qualquer apreço por Marcos Feliciano.
2. Como Cristão, condeno suas práticas como pseudo ministro do evangelho. Em minha opinião ele nunca conheceu a Deus, pois não creio  que alguém que  tenha conhecido aja como o deputado faz nas reuniões de sua igreja (já havia visto diversos outros videos que me provocaram asco antes desses divulgados pela folha).
3. O que ele falou sobre africanos é simplesmente absurdo, aumentado pelo uso béocio da Bíblia.
4. Ele realmente não deveria ocupar nenhum dos postos que ostenta hoje, seja na igreja, seja na câmara. 5. O deus dele deve ser Calheiros ou o Sarney

Isto posto, comecemos o assunto.
Há alguns dias comecei a avaliar as manifestações contra a nomeação deste senhor como presidente da comissão de Direitos Humanos da Câmara.  Até me manifestei contrariamente também  nas redes sociais e não me arrependo disso. Com o passar do tempo comecei a ver uma mudança de padrão nas manifestações. Começaram a aparecer provas de todos os lados da incongruência do deputado Feliciano com o cargo pleiteado. Comecei a perceber que o discurso anti-Feliciano se acirrava cada vez mais. O dito deputado sem falar mais nada parecia fazer com que um “saboroso” ódio fosse destilado pelos seus algozes (sim, ele falou outras besteiras depois).

O que me chamou a atenção nisso tudo é que, sinceramente, não percebi esse doce fel quando da posse de Renan Calheiros. Tá, mas, e o avaaz, e os milhares de posts nas redes sociais? Não tiveram a mesma vociferação de ofensas, o mesmo salivar pela a execração do objeto de ódio como no caso da Comissão de direitos humanos. A indignação aparentemente acabou e cedeu lugar ao "Caso Feliciano". Vida que segue, Renan não vai sair mesmo, então vamos para o próximo.

No entanto, o discurso contra Feliciano é mais apaixonado, mais devotado, com bandeiras levantadas. Contra Renan existia apenas o “que absurdo, esse país, né? vou participar desse abaixo assinado”. Contra o deputado do PSC está mais para “vamos prender esse pastor racista homofóbico e se possível expô-lo em praça pública”. Mais uma vez reitero, Marcus Feliciano, em minha opinião não merece estar lá (como explicitado no item 4).

A partir disso, aproveita-se para colocar em pauta questões como direitos civis para minorias, liberdade religiosa e o famigerado preconceito. Nada mais natural, afinal é exatamente quando um grande caso acontece que a sociedade se movimenta, discute e regulamenta seu modus vivendi.  Grande caso? Feliciano é um grande caso? Renan Calheiros como presidente do senado é um grande caso? E o Sarney? O que é um grande caso? Pode haver julgamento do tamanho dos malefícios, dos discursos, influência e práticas de um ou de outro? Contra Renan e Sarney não há nenhum deputado ou senador gritando. Qual a razão?

Talvez toda essa manifestação popular seja catalizada por um desejo de dar um basta nas indignações inócuas desse passado recente (como dito aqui no texto de Kie Magalhães). Talvez essa indignação de hoje esteja querendo criar asas e sair do conforto do abaixo-assinado. Mas talvez vociferar, mirar em novos culpados além dos velhos dinossauros que não conseguimos extinguir, seja um sentimento inconsciente de lutar contra alguém menor, mas também perigoso, que nós podemos vencer. Essa luta contra ele parece ser como se a sociedade dissesse “Perdemos de Calheiros, vamos pra uma fase mais fácil - quem sabe depois a gente volta” e acrescento, com mais barulho.

Feliciano é isso, um juvenil, que já dava golpes no setor religioso, acendendo no meio dos mestres da imunda tradição política brasileira. E para piorar deu de entrar no centro da discussão mais acalorada do momento exatamente para ter odiadores, crescer e representar outros fascínoras. Enquanto continuam os gritos nas redes, o Brasil esquece que se não extinguirmos os grandes, sempre aparecerão novos, alimentados pela história de impunidade jurídica e eleitoral de seus ídolos e um sistema amparado pelas nossas reclamações de megafone de baixo de ar condicionado.      
 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Uma indignação passiva não faz verão

Hoje vai um texto de uma colaboradora especial, minha amiga Kie Magalhães. Conversando com ela sobre escrever, o processo de cada um e os assuntos que estavam esquentando a cachola, nos desafiamos a postar algo de um dia para outro: eu sobre o amor (que você pode ler aqui) e ela sobre indignação. Desafio aceito, eis o resultado que eu assino embaixo.  


Uma indignação passiva não faz verão

por Kie Magalhães


Dos diversos assuntos que povoaram a minha mente durante os últimos dias, quis o destino que me caísse um tema cascudo. Complicado escrever sobre algo cuja motivação é tão pessoal e ao mesmo tempo tão coletiva. Do momento em que decidi aceitar o desafio proposto por um querido amigo, uma canção já esquecida teimou em não sair da minha cabeça, mas permitiu uma rápida viagem no tempo.
Em meados de 1992, período em que o conterrâneo grupo Skank embalava o movimento dos Caras-pintadas com o hit In(Dig)Nação – que na verdade buscava criticar a nossa ausência de consciência política – milhares de jovens foram às ruas protestar contra o governo de Fernando Collor. Movidos pelo sentimento de repúdio aos absurdos e sucessivos escândalos do então governo, no qual depositaram suas mais sinceras esperanças de um país melhor, e inspirados em seus heróis que lutaram contra a ditadura, nossos jovens fizeram história, mas saíram de cena logo após cumprirem seu objetivo.  Não é segredo que a despeito das manifestações e todos os prejuízos que Collor significou para o país, ele tenha sido reeleito, anos mais tarde como senador. É triste relembrar os versos da canção, enquanto assistimos Renan Calheiros caminhar tranquilamente rumo à presidência do Senado.
“A nossa indignação é uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas de nossas casas".
Tento entender as diferenças desta geração que elege os mesmos corruptos que outras lutaram para banir da política e me perco nas minúcias e labirintos das leis do país. Entretanto, arrisco um palpite: nunca tivemos tanto acesso à informação e tão pouco interesse por ela. Parece-me que a informação hoje é aquela menina bonita que sorri pra gente e a gente não quer conquistar porque acha que ela está “dando mole”. 

No próximo carnaval, use uma fantasia de cidadão brasileiro, porque de palhaços, já estamos vestidos faz tempo.


É, ainda não atravessa. Nossa indignação se modernizou, ganhou as redes sociais, mas ainda não atravessa as telas de nossos smartphones e notebooks. Ironicamente, nenhuma tecnologia é capaz de materializar o nosso desejo de uma renovação política. Os políticos perderam a capacidade de se envergonhar? E nós perdemos a nossa capacidade de lutar?  Não, nós não perdemos. Mas temo dizer que perdemos a capacidade de nos educar.


“Ah, mas o governo não nos oferece uma educação de qualidade!”, bradarão inflamados.

Que geração é essa que espera do governo uma educação de qualidade como quem espera a volta do Messias?  Se o governo não oferece, o que fazer? Levantemos da cadeira! Deixemos de ser “anciosos” a espera de um milagre. A espera do Carnaval, ou da Copa do Mundo vexatória que estamos prestes a sediar.

Deixemos de ser recém-formados alienados das políticas monetárias, das mazelas do mundo, deixemos de ser analfabetos do nosso próprio idioma. Quando vamos deixar de nos escandalizar somente com as grandes tragédias que serão varridas para o esquecimento pelo novo corte de cabelo no Neymar, enquanto engolimos pacificamente as tragédias cotidianas, como a falta de atendimento e medicamentos nos hospitais, a morte de crianças vitimas da miséria do desperdício de recursos?

Vamos continuar bebendo uísque ou água de coco em um Brasil que tanto faz?
(publicado originalmente no amemgente)

Kie Magalhães tem os dois pés na publicidade, o coração no jornalismo e a cabeça na lua. Acredita que toda escrita tem uma sonoridade musical e sempre que pode, arrisca umas notas..

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

um desenho por semana por um mundo mais bacana LXXIV

O terceiro desenho com tema colaborativo feitos de um dia pro outro (vejam os outros aqui e aqui).
Dessa vez com a ajuda carinhosa, interessada e bem humorada de Kiê Magalhães, Gisele Moura, Regina Mattosinho, Thiago Dias e Kadu Montagner. (Obrigadíssimo, pessoal)

Temas propostos: mensalão, Obama, possível queda do Palmeiras para a série B, decoração, e novo ponto de vista.

Dessa vez não deu pra abraçar tudo, mas dois deles estão por aí.







terça-feira, 11 de setembro de 2012

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Não vou colocar nariz de palhaço


Não vou colocar nariz de palhaço.
Acho isso uma palhaçada com artistas tão importantes.
Não vou colocar, pois não quero fazer ninguém rir. Não vou colocar por achar que isso é sinônimo de uma sociedade falsamente indignada, o atestado da consciência inerte do cidadão. Não vou colocar.
Não vou colocar porque essa cidade não é um circo. No circo você paga se quiser por um serviço e o recebe.
Não vou colocar porque meu nariz precisa continuar sentindo o cheiro podre, não pode ficar achando que vivo numa cidade perfumada.
Não colocarei nariz de palhaço, pois ele sumirá no meu rosto já vermelho de raiva.
Não vou colocar nariz de palhaço, pois esses ditos senhores não merecem minha graça e a dos clowns. Não merecem a graça das coisas infantis, das engraçadas ou das lúdicas. Esses senhores não merecem sorrisos ou qualquer lembrança de algo que provoque risadas.
Não vou colocar nariz de palhaço, pois o que esses senhores fizeram não tem graça nenhuma.
Não vou colocar nariz de palhaço hoje ou no ano que vem. Não vou, eu não quero isso, eu não aceito isso. Não vou fazer isso comigo, com a cidade, com os artistas.
Não vou colocar nariz de palhaço hoje ou daqui a um ano quando precisar votar. Nessa época procurarei palhaços pra eleger, pois são mais dignos do que os senhores distintos. Pensando bem, não votarei nem em palhaços, pois correrá o risco de que o circo fique menos engraçado e os artistas menos líricos.
E como eles dizem, eu prometo: vou lembrar de cada um deles e avisar quem eu puder e só assim jogar longe o tal nariz de palhaço.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Belo Monte – Minha opinião sobre algo que eu não conheço.


Li, vi, assisti, até discuti. E pra falar a verdade cheguei a apenas uma conclusão: eu não sei.
Não sei se Belo Monte é bom ou ruim. Não sei se é tudo verdade o que falam positivamente, não sei se é tudo o que falam negativamente. Sei que vi alguns bons argumentos dos dois lados, mas muitos péssimos. 


Ouvi gente que se posiciona como se soubesse muita coisa, mas obviamente não sabe. Ouvi gente que dentro da minha ignorância sócio-político-ambiental, parece saber, mas que eu não tenho como afirmar. Vi discursos inócuos, vídeos bem e mal produzidos. Ouvi anarquistas, esquerdistas, oposicionistas ao governo atual que são contra, ouvi gente cuja posição política eu desconheço.  Ouvi gente pró-governo que é a favor (parece redundante mas não é). Ouvi gente que é contra qualquer coisa, ouvi quem é contra a Globo. Ouvi conhecedores do problema energético e outros que dizem ser.

Ouvi amigos, ouvi minha esposa.

Ou seja, fiz o que a gente deve sempre fazer quando uma questão que não dominamos tem tanta importância quanto essa, ouvir.

E o que eu entendi de tudo isso?1. Percebi que como todo assunto polêmico há os que escutam e os que não querem ouvir nada.  Há os que querem provar coisas e os que querem o debate, para entender um pouco mais do assunto e só assim emitir uma opinião. Há também aqueles que só repassam, compartilham o que parece ser bom ou ruim, mal de nosso tempo facebookico.

2. Percebi que nem todo mundo está pronto para usar uma rede social como plataforma de manifestação de que se acredita. Jogam suas opiniões para 500 pessoas na rede e não aceitam que uma delas discorde. Enquanto alguns incentivam o debate que pode ser infinito, outros o limitam, diminuindo quem discorda deles. Já vi isso acontecer em blogs que eu gostava e acabei por perder o respeito por causa da falta de senso democrático com os discordantes.

3. Vi também que uma discussão paralela à construção ou não de Belo Monte foi provocada pelo vídeo do Movimento gota d’água, compartilhado à exaustão. Sobre mídia, reais intenções de campanhas e matérias, manipulação das massas, hipocrisia etc.

Também relembrei coisas que já sabia: Não dá pra ter uma opinião 100% embasada sobre qualquer coisa, não adianta. Mas é de cada um pelo menos buscar um pouco mais antes de dar RT, colocar no mural, ser contra, a favor, amar ou detestar e assinar ou não uma petição.

Então tá, mas e sobre Belo Monte?Bem, sobre a usina mais polêmica do momento a minha opinião é que você gaste um pouco de tempo vendo o que várias vertentes pensam, colete informações e forme a sua, pois estou bem na de pensar em qual é a minha responsabilidade nisso tudo, em como minhas ações refletem em questões de sustentabilidade, crise energética, desmatamento e até mesmo o futuro de populações ribeirinhas e indígenas em curto prazo, e urbana (geral) em médio e longo e prazo.

E o que eu devo fazer?
Há muita discussão nas redes mas pouca ação. Eu já me peguei compartilhando uma campanha de doação de sangue sem nem cogitar a hipótese de ir doar, como se o fato de passar para frente já me isentasse de qualquer ação mais prática. 



Assim pra não ficar na de compartilhar por compartilhar, seguem então alguns links pra você formar, reafirmar ou transformar a sua opinião:

CONTRA BELO MONTE
O Famoso Movimento Gota d’água 

Célio Bermann, prof. do Instituto de Eletrotécnica e Energia da (USP) (também cabe no contra hipocrisia)


                      Marina silva



A FAVOR DE BELO MONTE 
Resposta de alunos de Eng. UNICAMP ao movimento Gota d’água 

José Antônio Muniz Lopes - diretor de transmissão da Eletrobras
. 

Fábio Bittencourt - "Um dossiê a favor de Belo Monte"


CONTRA A HIPOCRISIA DAS OPINIÕES
Rafinha Bastos


CONTRA MANIPULAÇÃO DA MENSAGEM E AFINS
Blog do Marcelo Mauro

Existem inúmeras outras manifestações de opinião disponíveis na web. Caso queira indicá-las ou dar opiniões, o espaço de cometários está aberto.


Agradecimentos aos que contribuíram para a discussão expressa nesse post:
Junior Valler
Aninha Ruiz
Camila Diniz
João Ricardo



Atualizado 06/12/11 - E para somar a tudo isso veja o filme que está sendo feito sobre o assunto. Segundo os próprios produtores, a produção tem caráter investigativo e independente, sem rabo preso com ninguém, pois é o dinheiro de cada um dos envolvidos que está financiando a película. (vi no Update or Die)  



Belo Monte, Anúncio de uma Guerra (CATARSE) from André Vilela D'Elia on Vimeo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

3LADOS - Keko Honorato e o ser político


E hoje estreia o 3LADOSTRÊS visões diferentes da mesma pessoa sobre um tema ou objeto específico escolhido por ela (veja a explicação aqui)

Fico muito feliz em começar com a visão trina e minimalista  sobre a política do trabalhador da comunicação e sócio da Moai DesignKeko Honorato.

Creio que começamos bem, veja aí e comente:

"José Fernando Luiz"
 
O mesmo ser político brasileiro durante sua vida. Um cidadão, um fruto híbrido de Brasília.(por Keko Honorato)


E na semana que vem é a vez de um redator mostrar suas 3 formas de ver. Até lá!



quarta-feira, 25 de maio de 2011

Faltam-nos pedaços.


Nós campineiros estamos sofrendo uma enorme crise política. Gigantesca. Mas antes de pensar em falar mal da classe política (coisa que provavelmente você e eu já fizemos bastante nos últimos dias com todo o direito) falarei de nós todos.

A política é reflexo da sociedade que vota nela. Sim, mais taxativo impossível. Mas pensemos juntos. Ninguém nasce com um cargo ou com poder tal que inicie a vida pagando propina, desviando verba etc. É comum dizermos que se alguém entra para a política dificilmente ficará íntegro por muito tempo. Realmente é difícil, mas creio que o problema se inicia antes. Começa na completude de cada ser humano, aquilo que comumente chamamos de integridade.

A palavra “íntegro” significa ser inteiro, exato, completo, e eu costumo dizer que é não possuir brechas ou espaços, como se houvesse uma proteção ético-moral que nos revestisse contra qualquer tipo de contaminação no caráter. E esse caráter inteiro, sem brechas deve ser formado antes que o indivíduo exerça qualquer cargo de poder. Assim, qualquer cidadão deveria estar inteiro antes de poder entrar na política. Não podem faltar pedaços.

E como é que se faz para garantir que não faltem pedaços?

Um fragmento vem com a família, outro com alimentação e crescimento físico. Outro ainda com educação moral doméstica e educação escolar e acadêmica fora de casa. Outro pedaço com formação de caráter através do trabalho, da necessidade de esforço, da busca pelo mérito. Um bloco de exemplo por parte de quem é ou já foi autoridade, no lar, na escola, nas igrejas, entidades, e nos cargos públicos. Faltam aqueles pedaços de regras que servem de limites e norte para alguma de nossas ações. Pra tapar os buraquinhos, lazer, carinho, amor, arte, esporte e diversão.  

Tudo isso ainda não é garantia de integridade, pois cada um escolhe o que faz com seus pedaços, inclusive podendo jogá-los fora. Também existem pessoas que não tiveram metade desses elementos em sua formação e são mais completos que qualquer um. Mas certamente, quanto mais inteiro o indivíduo estiver antes de ter qualquer poder em suas mãos, menor é a chance de que alguma negociata, adentre em sua fortaleza.

A sociedade que reclama dos políticos é a mesma que começa de pequeno a abrir brechas para que os políticos saiam dela. Sim, essa sociedade é a mesma que joga lixo no chão. É a mesma que coloca o carro na vaga de idosos ou deficientes por apenas 5 minutos. É aquela que sonega impostos com a desculpa de que existem muitos tributos. Ou que anda a 140 km em uma via de 100 por saber dirigir muito bem. É a mesma que pensa na própria necessidade do momento esquecendo-se da do outro sempre. É a mesma que saqueia quando um caminhão tomba. É a mesma que faz abaixo-assinados contra a instalação de metrôs por causa de “gente diferenciada”.   

Talvez você faça tudo direito, talvez você seja inteiro. Então você sabe que faz parte da solução. Você não precisa se candidatar a nada, ser professor, sacerdote ou um caro palestrante. Você apenas precisa viver sem se desculpar por seus deslizes a partir do que outra pessoa faz de errado. Basta ficar com seus pedaços todos aí com você bem à mostra no dia a dia e ser base para outros juntarem os pedaços que talvez faltem neles.

Aí quem sabe paremos de produzir gente incompleta, que gosta de levar vantagem, seja no trânsito ou no congresso nacional.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O Nascimento do Barack Obama (comentado por ele)

"Quer dizer que você quer tirar uma com a minha cara, Trump? Ok, Então vamos lá..."

Todo mundo viu a polêmica que o empresário Donald "está demitido" Trump começou sobre o presidente norte-americano não ter nascido no país. E não é que Obama respondeu?




Obama - "O escolhido"

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Eu e a Dilma...e a posse


Aêê! Feliz ano Novo, adeus ano velho etc e reticências. Pra começar o aprazível e alviçareiro ano de 2011 falemos sobre a posse a partir de vários ângulos, planos, cores e matizes. Vamos lá.

“Lula é o cara” 
Pára tucanada, Obama estava certo, “Lula é o cara”. Seguindo o seu próprio protocolo, o de não seguir nenhum, o ex-presidente furou o cerimonial e foi pra galera literalmente. E lá, se viu o que o presidente norte-americano falou. Emoção genuína de Lula ao abraçar o povo e a resposta do mesmo. Não adianta torcer o nariz, escândalos e ideologias à parte,  Luís Inácio foi um chefe de estado e governo com um carisma e popularidade que nenhum outro teria hoje. Quanto a se o governo foi bom ou não, isso é outra conversa.

As tristes cores do Brasil
Fiquei triste em ver na posse da atual presidente, que a cor predominante nas bandeiras do povo era o vermelho. Parecia uma vitória não da democracia, mas sim do PT. Lamentável. É por essas e outras, que me enche a paciência a briguinha dos “torcedores” dos dois “times”. Se você critica alguém do PSDB você é petista, se o faz a alguém do PT, é um elitista tucano. Pro Brasil e o povo ninguém está nem aí. 

A cobertura da posse
Como o olhar das pessoas para uma mesma coisa pode ser diferente. Fiquei surpreso como isso pode acontecer até a cobertura da posse. Enquanto na Globo Alexandre Garcia se emocionava com a posse de Dilma, e cada parte da cerimônia, na Band, Boechat parecia estar no momento “Buemba, buemba” que faz com o José Simão na rádio Band News. Ria de tudo. Fazia piada com Lula, com os ministros, com os representantes dos países, se divertiu a valer!

Só para mulheres
E na Record tiveram a ideia de colocar só mulheres para comentar a cerimônia. Entendeu a sacada? A mesma das batedoras que fizeram a escolta da Dilma. Aliás, por um bom tempo as matérias da imprensa darão conta disso. Mulheres fazendo “trabalho de homem”, que as mulheres ainda ganham menos que os homens, a força da mulher etc. Sim as mulheres merecem, mas que até elas vão perder a paciência de só ouvir isso, elas vão.

Comece bem Dilma!
E para terminar fica a expectativa: passou natal, passou o réveillon, passou a posse da Dilma. Quando é que a Globo vai começar a atazanar a nossa vida com aquelas vinhetas mala-sem-alça de carnaval? Porquê as do BBB já começaram...Diiiilmmaaaa, comece bem o seu governo, faça alguma coisa!   

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Tem gente que tem um ditador na barriga.

Logo após o nascimento, todo bebê deveria ser carimbado em alguma parte visível do corpo “grande potencial para ditadura”.

Esse pensamento me veio à mente durante todo esse processo eleitoral pelo qual estamos passando. E quando digo isso, falo pensando não nos candidatos, mas em mim e você.

Estamos chegando aos últimos dias antes da eleição. Desde que a disputa começou a se acirrar recebo uma chuva de emails, comentários no facebook, twitter vociferando que candidato tal é o cão, que candidato "Y" vai acabar com o Brasil como o conhecemos. Recebo também o inverso, falando que se não votarmos em “K” nossa vida vai virar um inferno, só votando nele estamos no protegendo de um futuro nefasto. Teorias conspiratórias sem o menor sentido e até rótulos do tipo se você votar em “W” você é um irresponsável.

Nos últimos dias, recebi campanhas de “eleitores” para votar nulo, do tipo “quem não está contente com isso vota nulo”. Quem disse? Por quê?

Reitero, quando falo sobre essas coisas estou citando expressões de eleitores e não de qualquer campanha oficial. Ninguém abre o espaço para o debate de suas idéias. Vejo poucas análises de cada candidato. Vejo pouca comparação desprendida de defesas ideológicas pessoais e realmente preocupadas com o que o Brasil, ou melhor, o povo brasileiro precisa. Vejo sim a manifestação de crenças, do indivíduo, do ego, do que a realidade em que a pessoa vive ou do grupo ao qual pertence diz.

Vivemos em estado democrático de direito, e nele todos podem e devem dar opinião. O ditador dentro de mim está calado nesse momento, não está aqui para dizer a todos que fiquem quietos. Assim, aqui estou eu mesmo apenas para dizer que tomem cuidado filtrando o que os próprios Hitlers, Chávez, Stalins, Sadans que todos carregam dentro de si podem dizer para os outros nesse momento tão importante.

Ainda há tempo de pesquisar e analisar em quem votar. Procure, discuta e escolha.

E mais, não me deixe ser um ditador. Discorde (ou concorde) e se expresse nos comentários. Ou não, você é livre...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Vou seguir os três

A partir de agora democraticamente sigo no twitter os TRÊS principais candidatos à presidência deste maravilhoso país chamado Brasil.

Decidi fazer isso para ver o que os 3 pleiteadores falam, de que maneira divulgam suas propostas como usam o microblog, se relacionam com os seguidores ou na verdade como os seus assessores fazem isso.

Além dessas informações dá pra ver detalhes inúteis como quem foi a última pessoa que cada um deles deu um "follow" até o fechamento deste post:
Serra - @keshabebada - ?
Dilma- @NeliceIsabel - pelo jeito uma militante petista
Marina - @teresabritto – Candidata a governadora do Piauí

O número de seguidores de cada um está bem equilibrado, José Serra tem mais, já que começou no twitter bem antes.
Para seguir os presidenciáveis é só clicar nas imagens e links seguir:























Ah para seguir Plínio, Levy Fidelix e Eymael, também fique à vontade:

http://twitter.com/levyfidelix
http://twitter.com/eymael
http://twitter.com/pliniodearruda

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Eleições - Candidato toma chuva na Bahia

Bom, a eleição acabou para algumas cidades, mas continua em outras.
E agente estava nessa também. Dá uma olhada aí no que pegamos nas férias no auge da campanha



O "Neto" do Painho também tem azar né? e quanto, as pesquisas o davam como líder, mas ele não foi nem para o segundo turno.

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