UM DESENHO POR SEMANA

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Muito velho pra amar futebol americano


No último domingo Tom Brady e seus colegas de time sagraram-se campeões no superbowl. Após uma sequência de viradas e um bloqueio incrível na última jarda do ataque dos Seahawks, os Patriotas honraram seu nome e deram orgulho azul e vermelho para todos nós.


Toda essa introdução foi redigida sem eu ter assistido a um minuto se quer do jogo, ou até mesmo lido, procurado a resenha do espetáculo por aí. Tudo o que sei da partida  foi montado dias antes e nas primeiras horas da segunda-feira, o dia seguinte do feito do marido de nosso orgulho nacional, Pelé (troca), Eike Baptista (troca), Romero Britto (troca), Paulo Coelho (troca), Gisele Bundchen.


Muito se falava disso. Em termos publicitários é o evento do ano (o engraçado é que estamos em fevereiro). São os segundos comerciais mais caros da TV mundial e eu, como redator, recebi de todas as minhas referências no twitter e no instagram, uma chuva de análises criativo-mercadológicas dos filmes que passariam nos intervalos do evento, bem como os números dos investimentos feitos. Sim, mas isso acontece todo ano.


Na verdade, uma mudança de comportamento que acontece a cada ano foi que me chamou a atenção: o aumento da quantidade de brasileiros engajados, não com o fator comercial, mas com uma dita paixão especificamente pelo New England. E para falar sobre isso estou muito confortável.


Há cerca de 20 anos comecei a assistir futebol americano. Na época, como a grande maioria dos brasileiros, na casa da minha mãe não tinha TV por assinatura e saber da existência do esporte passava por duas origens:

  • A sessão da tarde com todas as comédias românticas de highschool e seus grupinhos de sempre - os nerds, os mais ou menos, os atletas e as cheerleaders, que invariavelmente eram as garotas populares, namoradas dos membros do time.
  • Transmissão da NFL na Band, com narração de Luciano do Valle.  


A primeira, me influenciava como tudo que vem dos EUA, como produto cultural, mas não acrescentava absolutamente nada em termos do que realmente era a modalidade esportiva em questão.


Foi a segunda origem que me ensinou a respeitar o esporte. Como havia feito com o voleibol, a NBA e posteriormente a Fórmula Indy, o Sr. do Valle trazia mais um esporte distante da realidade dos brasileiros, abordando-o como cultura, como modalidade que merecia ser vista. Em suas transmissões, Luciano era didático. Foi com ele que entendi o que era uma jarda, que eram necessárias dez para alcançar o primeiro down, que um time só atacava e outro só defendia, que o quarterback era o 10 do time, que o receivers eram os  centroavantes que precisavam estar no lugar certo, na hora certa, que os wide receivers eram como pontas-de-lança, e que os zagueiros eram, bem, zagueiros. Aprendi que cada equipe tem dois times, um que defende e outro que ataca. Aprendi o mais importante, a analogia do jogo: o campo de batalha. Entendi um pouco melhor o fascínio que aquele país tem pelo esporte. Entendi também muitas das relações daqueles filmes pueris que passavam às tardes na emissora dos Marinho.


É nesse ponto que me encontro comigo mesmo nos dias atuais vendo com estranhamento o fascínio de alguns brasileiros por determinado time hoje.  Ainda que eu entenda e aprecie o jogo, respeite a qualidade pirotécnica do espetáculo e saiba de sua relevância comercial, me assusta um pouco esse envolvimento todo. Sim, amigos, cada um se diverte e admira o que quiser! Mas confesso que eu, palmeirense de nascimento, prefiro ver um #vaicurintia a um #gopats na timeline. A paixão por times geralmente vem de uma identificação que passa pela relação cultural ou familiar, demográfica, social ou ainda de prática do esporte. Aí ao ver pessoas se preparando para ver o jogo, ansiosas, uniformizadas, e eu lá sem entender, comecei a analisar os possíveis motivos.


1. Você é esposa do Tom Brady


Não, acho que você não é. Próxima.


2. A culpa é do nosso futebol

É a primeira coisa que vem à mente. Corrupção, campeonatos mal elaborados, times fracos, os melhores jogadores fora do país, monopólio de transmissão e a quase impossível tarefa de escalar um time titular na cabeça como se fazia há 30 anos. Sabe a tal da falta de amor à camisa que se diz por aí? Não é um fenômeno que atinge só os jogadores. Os novos torcedores pelo jeito também perderam o sentimento apaixonado.
Meu sobrinho de 8 anos sonha em jogar no Real Madrid, no Paris Saint Germain ou no Chelsea. Nunca pensou em defender a seleção ou jogar em qualquer time daqui.


3. É natural, agora temos acesso fácil a tudo que vem de fora.

Na época do Luciano não tínhamos acesso a 2% do conteúdo que temos hoje. Além do aumento de residências com TV por assinatura, são 22,8 milhões segundo a Anatel, passamos de uma internet incipiente para uma nuvem de informações que estão a nossa volta o tempo todo. Não existem fronteiras, como as operadoras de telefonia gostam de dizer. Hoje o produto cultural seja ele em forma de música, filme ou mesmo esporte está a mão pra quase qualquer um, na hora em que se deseja.


4. American way of life
Eita, mas esse papo é antigo, hein? Opa se é, tem pelo menos 85 anos. A admiração pelo modo de vida americano, somado ao momento de baixa auto-estima da população tupiniquim pode ser uma explicação. O sonho dourado de boa parte dos brasileiros médios (expressão perigosa) é viver como nos Estados Unidos. Não como na Dinamarca, Alemanha, ou Austrália, mas como na terra do Tio Sam. Quando se compara o poder de compra das moedas, os impostos pagos e as burocracias, o padrão é sempre os EUA. Durante as eleições, se a atual presidente ganhasse, meio Brasil iria morar em Orlando. Ninguém foi, mas sempre tem as férias pra dar aquela passeada marota na Disney e trazer muamba gourmet, quer dizer, cool, high level, VIP. Só lembrando, o time chama Patriots e o mascote é um soldado lembrando a independência do Bras...quer dizer, dos Estados Unidos da América.


5. Redes sociais e o desejo de diferenciação dos demais
(contribuição no argumento por Felipe Coelho)


Ah, o glamour das fotos, o prazer em compartilhar, o frenesi de se ver melhor. Aceitamos ser amigos de centenas de pessoas para nos mostrarmos diferentes ou melhores que elas. Tá, eu e você não fazemos isso, a final somos diferentes (opa). É como quem cita aquela banda que ninguém conhece, ou a frase filósofica daquele autor que vai te fazer parecer inteligente. Pense comigo: torcer apaixonadamente para um time que fica numa cidade de um país que não é o seu, de um esporte que você nunca praticou, com o qual você não tem uma história ou relação. Se o incipiente torcedor brasileiro que se uniformiza e comemora um título como se fosse dele, não tiver pelo menos 3 das características acima, o desejo de status e diferenciação pode ser um deles.


Tá, mas e os Patriots com isso?
Eles ganham com a globalização do nome e o consumo da marca. Da mesma forma a NFL (National Football League) e os EUA. O horário da TV fica cada vez mais caro, já que os anunciantes tem mais e mais público assistindo seus comerciais, os shows ficam ainda mais inacreditáveis e o ciclo só se fortalece.


Tá, mas e você com isso?
Eu? Eu nada. Cada um se identifica com o que acha que tem a ver consigo. Se conhecendo o futebol americano há 20 anos, com toda a influência hollywoodiana não me apaixonei por nenhum um time, não será agora que isso vai acontecer.Talvez o que escrevi aqui não explique essa paixão repentina de alguns brasileiros.Talvez apenas esteja muito velho pra me apaixonar por um time de futebol americano. Eu estou com a reles maioria, o time para o qual eu torço ainda troca as mãos pelos pés.
 







sexta-feira, 2 de maio de 2014

O herói e a culpa nossa de cada século.


Ontem homenagens e mais homenagens foram feitas para ele. Esse texto não pretende ser mais uma. Mas perdoem-me se porventura soar como tal. Esse texto,na verdade nem é sobre ele, é sobre culpados. Aquela cena famosa. O piloto nos braços do povo. Como nenhum mártir pôde ser, como todo político gostaria de estar, mas só ele conseguiu. Pelo menos nos últimos trinta anos. Sempre achei exagero chamar alguém que nasceu em berço de ouro e nunca deu uma contribuição prática para um país cheio de mazelas, de herói. Sempre achei exagerado, dado que ele era meio Dick Vigarista quando queria. Sempre achei exagerado, dado que amamos falar mal das vitórias esportivas do futebol. Tratamo-as nos últmos tempos como o pior da alienação brasileira. Basta uma competição futebolística e alguém usar uma bandeira para as críticas surgirem - hoje não pode. Imagina na...enfim, você sabe. No Brasil cantar hino, achar a bandeira bonita é dado como coisa de militar ou fascista, ou de militar fascista. À época das manifestações de junho, li devaneios e teorias conspiratórias que prometiam um golpe de direita e que a maior dos sintomas era cantar o hino. Não nego que o uso do nacionalismo e ufanismo fizeram mal ao mundo a partir de países e grupos que o usaram. Mas aqui somos avessos a tudo. Trauma? Não sei, talvez. De qualquer forma, para alguns de nós brasileiros usar verde amarelo é sempre bobo. É apoiar, endossar o governo ou apoiar um golpe de direita derrubando o governo de esquerda. Ou seja, não importa o lado, vestir verde amarelo é ruim. Vivemos em um país onde é cool dizer que não há senso crítico, que todo os nossos heróis são falsos ou que tem um lado obscuro (como se os de todos os outros paises também não o fossem). Orgulhar-se de qualquer coisa nascida aqui parece ser de uma ingenuidade de dar pena. Preocupamo-nos com a o uso político de tudo. Fomos e ainda somos enganados constantemente. Estamos à flor da pele, entendo. Mas voltemos ao piloto naquele dia, com aquela vitória histórica, com a bandeira nas mãos e os braços do povo Mais do que no dia acho hoje que ele ali teve um ato heróico. Por que com ele nos permitíamos gostar do Brasil. Um feito inatingível materializado nos braços do povo. Tá, nos braços do povo exatamente não, a final aquela pequena amostra de brasileiros presente no autódromo não representava socio-economicamente o povo brasileiro. Mas o representava sim, sem a menor dúvida, no sentimento de qualquer habitante da terra brasilis que tinha uma TV, não importando a classe social.       Com o piloto a gente não tinha vergonha da bandeira. A gente não pensava no governo. Quando o carro recebia a bandeirada em primeiro lugar a  gente não achava que estava sendo ufanista. Pode me chamar de tolo, mas gosto de ficar feliz quando uma seleção qualquer vence. Gosto de esportes, gosto de assistir olimpíadas e cada luta de judô. Gosto do sentimento de alguém do meu país ganhar e mais, gosto da bandeira brasileira. Pra mim, reunir uma nação que o tempo todo tem vergonha de si mesma, em um sentimento de vitória coletiva é um ato notável. Naqueles domingos todos poderiam ter uma alegria em comum sem pensar que estavam sendo massa de manobra ou “enganado pela mídia”. Talvez naquela época, por não haver rede social, a gente não fosse chato, pré-conspiratório, dono da verdade. Dessa forma também não havia a facilidade da opinião raza e das teorias da conspiração pra compartilhar. Talvez seja isso. Talvez fôssemos mais infelizes e precisássemos de um desafogo. Ou ainda o jejum de copas nos fazia orfãos de vitórias esportivas e achamos guarida em uma bandeira tremulada no automobilismo. Não sei. Apenas me lembro com um sorriso no rosto, sem culpa. Ela, a culpa, é um dos piores sentimentos que se pode ter. A culpa no Brasil é um o outro lado da moeda que não gostamos de carregar, a falta de vergonha na cara. Todo o jeitinho, toda a corrupção desde 1500 pesa sobre  nossos ombros. Não nos damos o direito de gostar daqui. É como se não conseguíssemos andar para frente. Ficamos presos no cículo vicioso de reclamar e nada fazer. De falar mal dos políticos corruptos e pedir pra transferir pontos das multas. E assim, o jeito de não parecer ingênuo perante às mazelas é nos culparmos como nação. Carregamos o fardo de tudo de errado que como país fizemos e nossa redenção é o autoflagelo. E a culpa sentida e transferida, que é o que mais a gente vê todos os dias nas redes, nos poderes e no cartório. Não acho o piloto um herói nacional na acepção da palavra, mas sinto-o como se fosse um pessoal, pelo benefício de uma memória minha de poder gostar das cores da minha bandeira novamente.

domingo, 20 de abril de 2014

Show do meu esporte

As pessoas não tem noção do valor de suas ações e do impacto que tem nas vidas umas das outras. Isso acontece no dia a dia, com uma frase que você disse para os seu colega de trabalho ou com a influência natural sobre as pessoas da sua família. Isso também acontece com pessoas públicas. Isso aconteceu comigo e um homem de comunicação apaixonado por esporte. Quem tem menos de 30 anos talvez não saiba bem quem foi Luciano do Valle. Falar essas coisas acusa a sua idade. Eu tô nessas. Na verdade sinto-me, em meio à tristeza do passamento do profissional do esporte, um felizardo. Um felizardo por acompanhar desde minha infância seu trabalho. Pela voz dele conheci esportes que até então ignorados ou por hora esquecidos no Brasil. Dizer que Luciano era só um locutor é diminuí-lo absurdamente. Luciano era um visonário. Ele criou o conceito de canal de esporte no Brasil. Quando nem sonhávamos com TV por assinatura e canais especializados, nos anos 80 ele inventou um dia inteiro por semana de esportes numa TV aberta, a Band “o canal do esporte”. algo impensável, impraticável, e ele foi lá e fez. “O maior gol da TV brasileira como diz Milton Neves”, marcou um de placa ao trazer um jogo de vôlei para o Maracanã. Como os beatles invadiram os EUA, o  esporte até então pouco reconhecido, foi elevado ao status de show por Luciano. Em meio à guerra fria, de uma maneira que hoje parece improvisada, aconteceu um jogo entre Brasil e URSS debaixo de chuva.

A partir daquele dia o Vôlei mudava de posição no universo esportivo do país. A geração de prata, de ouro de 1992 e a potência que somos hoje se deve a aquele confronto realizado nos moldes midiáticos dos Super balls. Aí saltando para o início dos anos noventa, do Valle inventa uma tal de “Sexta NBA”. O melhor do basquete agora chegava ao Brasil todas às sextas-feiras. Magic Johnson, Larry Bird, Isiah Thomas, Charles Barkley, Pat Ewing, Karl Malone e um tal de Michael Jordan traziam toda uma cultura que se disseminaria na minha adolescência em camisetas e bonés desejados por todos. Foi atavés da voz dele e dos comentários do jogador que inspirou meu segundo nome que um mundo novo no esporte no qual o Brasil já fora campeão mundial se descurtinou. Apesar da minha pouca altura, nas mãos dos maiores o basquete se tornou meu esporte preferido, praticado à exaustão no parque ecológico de Campinas.

E da mesma forma, foi com boxe, futebol americano e sinuca. Minha cultura esportiva foi sendo enriquecida com narrações que eu não esqueço. Meu conhecimento numa era na qual a informação mais fácil era a da TV, só foi diversificada além do domínio da audiência por causa da visão dele. Minha homenagem nessa madrugada é lembrar que minha formação esportiva midiática está baseada no gênio de Luciano do Valle, de seu amor pelo desporto, de sua competência como comunicador e de seu pioneirismo.   Quarenta e seis do segundo tempo, último round, touch down na caçapa do canto, match point de três.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A hora em que Fred foi pra bola. O Delírio de um torcedor da seleção brasileira.

Se ele errasse o Brasil estaria fora da Copa América 2011. Elano havia isolado no primeiro pênalti batido. O “monstro” Thiago Silva, em um ato de horror bateu mal e entregou a bola para o goleiro paraguaio. Em seguida, André Santos afundou o pé direito na hora de chutar e como Elano, mandou a bola lá na Ucrânia. O Paraguaio converteu e foi aí que o centroavante brasileiro percebeu a situação.

O Brasil estava praticamente desclassificado. Se ele fizesse o gol, a situação não se resolveria, mas ele daria um fôlego para a seleção, apesar de ter que contar com um erro paraguaio ou com a destreza do goleiro Júlio César na próxima cobrança Guarany.

Naquele momento não havia som de torcida em seus ouvidos, o lugar para ele estava mudo. Ele enxergava o goleiro, a bola, os buracos na marca da cal, e imaginava as manchetes dos portais da web que seriam estampados alguns minutos após o toque de sua chuteira na redonda. “Fred, Robinho e Júlio César salvam o Brasil.”

Se imaginou animando os colegas cabisbaixos por terem desperdiçado suas cobranças. Se viu com as mãos no rosto do experiente Júlio César dizendo “você vai pegar, cara, você vai pegar!”.

Foi então que chegou perto da bola. Colocou-a na posição, tomou uma grande distância e pensou que tudo aquilo que ele havia imaginado parecia não fazer muito sentido. Lembrou do grupo, do vestiário, dos xingamentos de “mercenário”, das críticas da imprensa para o grupo, para si. Olhou para o canto em que ia bater. Partiu em direção à bola e no meio do caminho diminuiu o ritmo e disse para si mesmo “vamos morrer todos juntos e ressuscitar em 2014”.   

Fred saiu em silêncio, não falou com a imprensa ou com os jogadores. Mas seus companheiros perceberam tudo dias depois.

Um ex-jogador, agora um respeitável senhor de 52 anos, em uma entrevista disse que se não fosse Fred - que nem foi para a copa dois anos depois - ter errado aquele pênalti de propósito, aquele grupo não teria se unido e vencido a copa de 2014 e ele, Neymar Júnior não teria chegado a ser o melhor jogador do mundo três vezes consecutivas.

Bem, pelo menos foi isso o que ele disse hoje, 18 de julho de 2044.       



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Skate + spray + bowl. E não é bem o que você está pensando

"Que melhor maneira de pintar a piscina, deixando todos participarem?"
Com essa frase os autores explicam a ação no youtube.
Piscina é um lugar coletivo, onde acontece lazer, festa, reúne as pessoas, certo? E Skate também, afinal os bowls estão aí desde a década de 70 fazendo a alegria da molecada (e hoje da veiarada também).

Foi então que os caras do vídeo abaixo tiveram a ideia de pintar a piscina coletivamente e juntar essa a curtição, arte de uma maneira diferente usando os mesmos elementos de sempre, como  Skate + grafitte (spray) com o acréscimo da tecnologia resultando em um visual bem bacana e, é claro, um vídeo legal pro youtube.

O diferencial está em um sistema de acionamento remoto, com o qual os doidos ativam o spray que está de baixo do skate. 
Dá uma olhada:


Mais fotos da ação toda aqui D*Face's ridiculous redux 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

um desenho por semana por um mundo mais bacana XXXIX

Tenho orgulho de dizer que eu o vi jogar. Quantas vezes esperava ansioso pelas "Sextas NBA" na Band para ver shows do inclassificável Michael Jordan, e outros monstros como Larry Bird, Asiah Thomas, Patrick Ewing, Charles Barkley...

Mas era o sr. Air Jordan que  mandava bem até no banco.

"Mr. 23"



Se você não, viu, não se lembra ou simplesmente gosta muito de ver alguém que sabe fazer extraordinariamente alguma coisa, senhoras e senhores, este é Michael Jordan:

                               

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Só um detalhe

Uma vez Carlos Alberto Parreira disse que o gol era apenas um detalhe, que a produção dentro de campo e as oportunidades criadas é que contavam. Foi enxovalhado por isso. Mas ouso dizer que ele estava certo.
Pensei nisso ao ver um vídeo postado por Kaká no twitter para elogiar o seu agora ex-companheiro de profissão e seleção brasileira, Ronaldo.

Um vídeo só de gols que o Ronaldo deixou de fazer. Ronaldo NÃO fez, muito gols. A questão é que só um craque como ele pode deixar um lance sem gol, tão ou mais sublime do que outros tantos em que o tento foi convertido.

Isso porquê Ronaldo não driblava para dar show. Dava show com dribles. Ele fazia porquê sabia fazer, porque aquilo o servia, servia a sua função de fazer gols e servia no final ao time. E era lindo, mesmo quando o gol não saia. Confira aí



Mas voltando ao Parreira, ele estava certo. Como vimos acima, o Gol é apenas um detalhe. Só que os gênios são aqueles que se preocupam com os detalhes sem esquecer da beleza do todo. E diga lá, ô cara pra gostar de detalhe como esse tal de Ronaldo Fenômeno Nazário de Lima, hein?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Twitters, Tas, Nelsinhos e Rubinhos. E futebol, por que não?

No Twitter, mais uma polemicazinha envolvendo Marcelo Tas. Agora é sobre Rubens Barrichello. A coisa começou depois que Barrichello condenou Nelsinho Piquet depois que ele confirmou ter batido de propósito por ordem do seu chefe de equipe Flavio Briattore. Rubinho disse que Nelsinho não merecia mais competir. Aí Tas disparou no microblog que Rubinho teria feito parecido ao deixar Michael Schumacher passar na reta final no GP da Hungria em 2002.

Além do fato por si só, deprimente mas histórico, a narração de Cléber Machado tornou a coisa ainda mais iconoclástica. O famoso “Hoje não, hoje não, hoje sim...hoje sim?”


Barrichello ainda não respondeu ao Tas.

Não sei. Eu não acho que as duas coisas estão no mesmo nível. Fazendo paralelos, pra quem gosta de futebol , seriam:

- caso Rubinho/Schumacher/Ferrari = seleção Peruana entregando o jogo pra Argentina na copa de 1978 . Os hermanos precisavam de um placar de 6 X 0 para irem à final. Coincidentemente foi o que conseguiram.

- caso Nelsinho Piquet/Alonso/Renault = goleiro Rojas cortando o rosto para parar o jogo nas eliminatórias da copa de 1990. Jogo interrompido, farsa descoberta, Rojas eliminado do futebol para sempre.



- caso Prost bate em Senna e Senna bate em Prost = Materazzi provocando Zidane ou Domimgos provocando Diego Souza. Nesses casos os provocadores arriscaram ser expulsos (Domingos foi) mas tiraram o craque do outro time. Ambos os vilões ganharam o jogo.



Eu tenho uma opinião sobre o profissional piloto Rubens Barrichello que um dia expressarei aqui. Mas por hoje, digo que o Twitter é realmente perigoso. Nele não há papas na língua. São 140 caracteres, não dá pra usar de eufemismos ou enrolações e a coisa fica sincera, seca, direta, e certas vezes exagerada. Não sei se é bom ou ruim. Talvez haja mais de verdade no que as pessoas dizem e isso é ótimo no atual mundo do politicamente correto. Mas talvez também sejam verdades “Datênicas”, como diria Marcel Tas.

Como tudo na vida, espero que nós twitters possamos ir nos regulando e que nenhuma lei sensora nos atrapalhe. Só temos que ter cuidado com as verdades absolutas, mesmo que estejam travestidas de opinião.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

oqéissodrops - saturações, pulos e twitters

  • Ao contrário do que tenho falado sobre o fim da febre de colocar vídeos dos telespectadores na programação, a Globo insiste cada vez mais na coisa. O “Fantástico” a cada dia acrescenta uma atração diferente para envio dos internautas. Saturação da mídia. Na verdade, isso é para mim mais um prenúncio do fim da modinha;

  • Não consigo entender os torcedores profissionais de futebol que ficam pulando. Não estou falando de ficar pulando durante o jogo, mas pulando na rua, na bilheteria, quando a polícia aparece. A primeira atitude é pular, a segunda é xingar é claro;

  • Aliás, não consigo entender torcedores profissionais;

  • E as pessoas ainda continuam não entendendo a do twitter. Recebi hoje um email com o seguinte pedido sobre o microblog:
    “oi, td bem? to no twitter me add aí !”


Por enquanto é só, amanhã tem mais...acho!

segunda-feira, 30 de março de 2009

oqéissodrops – Indianidades, retrancas e Rubinhos

Reflexos do fim-de-semana:

  • Ontem fui a uma feira de roupas com a Cyn, e estavam lá uma moça com um negócio grudado na testa e um stand de roupas e decorações indianas. A índia é importante, esta no BRIC junto com o Brasil e tal, mas essa coisa de enfiar a cultura indiana em tudo quanto é lugar é de amargar. Antes mesmo da novela pegar, via na programação da emissora que exibe a novela várias matérias dizendo que tal roupa ia ser moda, tal dança ia ser sucesso e tal expressão seria uma febre. Ou seja, nada foi expontâneo, tudo foi pensado, e não é que deu certo? Um belo exemplo de como às vezes é fácil induzir as pessoas a fazer o que você quer quando se tem os instrumentos certos nas mãos. Puxa, eu já vi isso em algum lugar...
  • A seleção jogou na retranca contra o Equador. Foi feio, mas já vi jogos piores dessa mesma seleção. Júlio Baptista é um coringa, um atacante que joga no meio campo ou um meio campista que joga no ataque. Nenhuma pessoa no Brasil em sã consciência diria que gostaria dele jogando na seleção, mas toda vez que ele entra, joga bem.
  • E não é que a equipe do Barrichello parece que é vai bem mesmo? E na boa, contra o resto do universo, eu curto o Rubinho. Ele ganhou muito dinheiro fazendo o que gosta e sem se importar com o que os outros dizem continua fazendo. Você não faria o mesmo se pudesse? Outro dia falo mais sobre ele.

Por hoje é isso, em breve outros. Intés!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Contra o pensamento do mundo

Bom chega de pausa, né?

E o Kaká e o Obama me forçaram a isso.
Kaká é um jogador de futebol de alta performance um dos 5 melhores da última temporada e na média, na opinião de muitos, um dos 3 melhores do mundo nos últimos anos. Mas parece que Kaká não é só isso. Ele é inteligente, sério, casado, não se mete em confusões não se deslumbra com o sucesso, é dos atletas mais ricos do mundo em salário e contratos de publicidade e o seu maior desejo é ser um líder. Ele quer ser capitão do Milan, seu projeto é ser uma lenda no time. Não quer bater recordes de quem ganha mais dinheiro. Não precisa. Quer relacionamento. Assim como tem ótimas relações com seu pai, sua mulher, filho , família, e principalmente com Deus,Kaká quer relacionamento com o Milan, com Milão, com a torcida.

Assistia eu, hoje ao programa Redação SporTV, e os jornalistas, de maneira sincera, (quem me conhece sabe que eu raramente elogio jornalistas esportivos) numa mistura de admiração, receio, desconfiança, tentavam elogiar e questionar o jogador do Milan pelo ato de ter recusado milhões de Euros para ir pro Manchester City e ter ficado no time milanês. Como se fosse impossível fazer aquilo, como se houvesse uma coisa por trás. Como se pensassem “peraì, vamos pensar direitinho, aí deve ter coisa!”. Mas não conseguiam. Estavam lá desconfiados por como o mercado da bola, é, como o mercado em geral é, e como o ser humano é. Que coisa, a gente se assusta quando alguém recusa dinheiro, mesmo que seja alguém que já tem bastante. Certamente isso é contra o pensamento deste mundo. Sei, que embora às vezes a gente não perceba, todo tempo isso acontece conosco também, obviamente não com as mesmas cifras, mas com escolhas parecidas. Entre os cifrões e os relacionamentos, entre recursos e bem-estar, entre o trabalho e alegria. Pelo menos comigo sei que aconteceu.

Resta-nos pensar em como estão nossas escolhas e como vai nosso pensamento...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Quase um final feliz

Se fosse um filme Hollywoodiano , questionaríamos a verossimilhança, caso o brasileiro tivesse vencido. Seria uma história quase heróica. Seria, afinal ele se encaixou perfeitamente na máxima futebolística, “ganhou mas não levou”. Incrível, por apenas 500 metros. Há muito não via isso. No momento da ultrapassagem de Vettel sobre Hamilton, toda a população dos prédios vizinhos vibrava, como se fosse um gol em final de copa do mundo. Como se um sonho impossível fosse se realizar. Teríamos novamente um campeão do mundo de F1, e em casa. E Felipe Massa chegou a sentir o campeonato nas mãos. Mas como diria o narrador do Joseph Climer, tudo ia muito bem “mas a vida é uma caixinha de surpresas “. Tudo bem, a torcida viu e os telespectadores também, que Massa é um piloto em quem podemos confiar, pelo talento, atitude e pelo carro que tem. É bom poder torcer de novo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Oqéisso Beijing 2008 - Boletim VIII – Epílogo

A saída do Ninho do Pássaro
As olimpíadas acabaram. Já vimos tudo aquilo que esperávamos. Histórias de luta, superação e etc. Coisas das mais importantes nos jogos. Mas também vimos aquele monte de notícias que já esperávamos, tanto para o bem como para o mal.
Ficamos em 23° lugar no quadro de medalhas atrás do Quênia, da Jamaica, porém à frente de Cuba, que sempre foi uma potência no esporte. Na despedida da maior olímpiada de todos os tempos fica a dúvida se o Brasil foi bem ou mal, principalmente olhando os que foram melhor ou pior que nossa delegação.
Durante a competição, ouvimos e fizemos muitas piadas, sobre o Brasil ficar atrás do Azerbaijão, Uzbequistão ou do Zimbábue. Ficamos também felizes com cada medalha ganha e decepcionados com algumas perdidas.
O sorriso Willy Wonka, continuou no final dos jogos, desfocando das perdas e abordando apenas o fato das mulheres terem ganho mais do que os homens. Em nada questionou em como o esporte está sendo tratado no Brasil, quem apóia, quem não apoia, o que se faz de certo e de errado. A emissora da Fantástica Fábrica de Chocolate não ajuda em nada. Quando alguém vence, suas câmeras tentam não mostrar os patrocínios nas entrevistas fechando o plano no rosto do atleta. Que vergonha! Por que a iniciativa privada patrocina então?
Não sei se foi bom ou ruim. Sei que questionar é bom, sem partidarismos, analisar apenas para melhorarmos sempre. (nossa, isso está parecendo frase que padaria põe no saco de pão!)

E a comida da olimpíada?
E por falar em patrocínio alguém comeu o McChina, ou McBeijing, ou McRolinho Primavera? O o senhor Ronald, um dos patrocinadores oficiais dos jogos, não é maravilhoso? E tem gente que dá risada da minha idéia de fazer o McEsfihaQuibeCheese. Imagine a propaganda: locução com voz grave e sussurrada - duas esfihas abertas de carne, uma de queijo, um delicioso quibe no meio... Preço do McEsfiha menu (com Coca, fritas e um potinho de qualhada) R$17,90, mas isso não entrará no comercial. Coitado do Habib’s...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Oqéisso Beijing 2008 - Boletim VII


Perguntas que não querem calar e certezas que eu não quero ouvir
Quase no fim desta olimpíada, as perguntas começam a se repetir. Como o Brasil consegue ficar atrás da Etiópia no quadro de medalhas? Porquê na chamada hora “H” nossos atletas perdem, mesmo sendo favoritos? Isso apenas falando dos atletas com reais chances de medalha. Casos como o de Tiago Camilo no judô, do vôlei de praia masculino, de Diego Hipólito, de Jadel Gregório que tinha a segunda melhor marca do ano no salto triplo, ficou apenas em sétimo e principalmente do futebol feminino. E nesse questionamento não há condenação alguma a esses atletas.
É por isso que a expressão “heróis olímpicos” às vezes exagerada, cabe aos que ganham ouro pelo Brasil. Caso hoje de Maureen Higa Maggi. E as pessoas se emocionam quando alguém conquista ouro. Eu vi aqui do meu lado, várias.
Mas ficam as perguntas, e vem as resposta, falta apoio e etc. Falta sim, mas não sei se é só isso...
E as certezas?
Certezas 1
– Ah, os clichês, quando um brasileiro ganha , o Brasil ganha, quando uma atleta ganha , vem aquela história de “a força da mulher”, e tal. Chatice total, falta de assunto, discurso pronto. A mulher não precisa ganhar medalha para ser forte. Quando uma mulher ganha tem que ser a força do Brasil todo representando o povo, mas a gente adora fazer um draminha onde não precisa.

Certezas 2 – E daqui a pouco aparecem os gênios cronistas de futebol que vão dizer “eu já sabia”,” eu já dizia”, “eu já frisava”. Não vão lembrar a ninguém as besteiras que disseram , vão ficar só no pontual acerto que até quem nunca estudou jornalismo ou assiste futebol só aos domingos sabe. Ai, ai... Fora aqueles comentários difíceis como o desgastado “ faltou empenho”. Falta empenho sim, para estudar e sair dos lugares comuns.
Certezas 3 – Ser convocado para a seleção de futebol hoje é a pior furada que existe no esporte. Kaká e do Robinho, agradeçam aos seus clubes por livrarem vocês dessa. Por pouco tempo, daqui a pouco vem eliminatórias da copa...

Nota: Grande Maureen, hein? Isso é que é dar a volta por cima. Está no olimpo.
Nota 2: Marta e Giba – esses são craques para história do esporte brasileiro, não importa a cor da medalha

sábado, 16 de agosto de 2008

Oqéisso Beijing 2008 - Boletim V

"Uma gente que ri quando deve chorar", e quando chora faz todo mundo sorrir
“Eu chorei junto com ele.” Tudo bem, a frase foi dita por várias mulheres lá na empresa e elas geralmente choram mesmo. Mas foi bem emocionante. Vários ingredientes: a falta da medalha de ouro, a rapidez da prova, a comemoração alegre dos outros nadadores da delegação brasileira, o choro copioso de Cielo em contraponto com a emoção contida de Phelps com os pódios repetitivos.

Nós brasileiros gostamos disso. Choro de emoção, alegria livre, leve e solta, quebra de protocolo. Às vezes gostaríamos de ser raçudos comos os argentinos. Mas somos da alegria, não dá. Nossa emoção é diferente. Temos nossos momento de raça, de grito entalado, como o do próprio Cielo ao ver seu nome em primeiro no placar. Mas logo vem o choro e a boa bagunça que nos diferencia, que nos faz saber jogar bola como ninguém.

E é exatamente isso que se expera do futebol masculino, alegria. As mesmas mulheres que choraram com César Cielo, hoje disseram após a vitória do Brasil sobre Camarões por 2 a 0 “ué, mas eles nem comemoram”?
Cielo disse, “sabia que podia ganhar, mas não vim pressionado. Nadei com alegria!” Nos rostos do jogadores do futebol masculino não havia alegria, tava na cara a pressão que não passou nem com vitória.
Há que se pensar...


Nota1: Brasil sil sil agora com 1 de ouro e 4 de bronze. Merece mais 3 "sil sil sil"
Nota2: Vôlei masculino venceu a Polônia por 3 sets a 0

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Oqéisso Beijing 2008 - Boletim IV

Síndrome da medalha de ouro tardia
Ao fim de uma semana de jogos, começou a bater aquele desespero. O Brasil não ganhou nenhuma medalha de ouro. O público brasileiro já começa a se mexer na cadeira, e os veículos ficam meio perdidos. Depois de 3 campeões mundiais de judô ganharem o total de 1 medalha de bronze e a seleção de vôlei masculino perder pela 2ª vez seguida para a Rússsia nas últimas duas partidas, a mídia garimpa outras possibilidades de 1° lugar. Nem o queridinho deles o Tiago Pereira, mais acediado por causa dos gritos da mãe, do que pela sua real chance de ganhar medalha, correspondeu as falsas expectativas geradas pela cobertura Willy Wonka. Quem realmente tinha chance de ganhar medalhas era César Cielo. E ganhou. E aí descobriram que ele têm reais chances de ganhar ouro. Então deixa o “filho” Tiago Pereira pra lá e vamos cubrir o “nadador” César Cielo. É assim.
Outras estrelas do momento são a dupla de vôlei masculina Ricardo e Emanuel. Merecem o status, mas são considerados assim, depois de alguma dúvida colocada na seleção do Bernardinho. Em berve todo foco em Robert Scheidt
A “síndrome da medalha de ouro tardia” se manifesta na cobertura olímpica, principalmente se pensarmos que tem que valer a pena ficar acordado de madrugada assistindo os jogos, deixando complicado para as emissoras garantir audiência sem medalha.
O povo brasileiro é impaciente e as emissoras sabem disso. Cria-se então novos ídolos, novas possibilidades. Até aí tudo certo. Mas o engraçado é ver o desespero.
Nota1: Brasil sil sil ainda com 4 medalhas de bronze

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Oqéisso Beijing 2008 - Boletim III

Transmissão com âncoras Willy Wonka e repórteres Oompa Loompas
A transmissão das olimpíadas ta de doer dessa vez. Nem a Band escapa. Mesmo a agradável volta do interminável oráculo Álvaro José, conhecedor de todas as modalidades olímpicas, não salvou a cobertura da emissora paulista. Apesar dele e das boas e mal humoradas locuções de Luciano do Valle, das jocosas narrações de Sílvio Luís, a coisa está feia. A Band está com uma equipe para lá de enxuta e o Dr. Osmar comentando basquete não dá. Coitado, colocaram ele na fogueira. Aliás ta narrando vôlei de praia comentando basquete e futebol feminino...A família Saad podia diminuir o salário da Márcia e levar mais uns 3 jornalistas...Aliás, acaba logo com o programa de uma vez!
Já na Globo a alegria dos apresentadores chega a ser constrangedora. Nada de mal em ser alegre, tomara todos no mundo trabalhassem com um sorriso perpétuo no rosto. Provavelmente isso tornaria o mundo meio macabro, mas tudo bem. Já pensou todo mundo com aquele sorriso do Senhor Wonka de Johnny Depp na segunda versão do filme A Fantástica Fábrica de Chocolate? Dá medo só de pensar. Mas é isso que a equipe da Globo que está em Pequim está parecendo. Ok, legal, olimpíada, gosto muito, se pudesse ficava a madrugada toda assistindo, mas calma lá! O mundo continua o mesmo! Na verdade o mundo piorou! A Rússia de repente está em guerra com a Geórgia?! Geórgia que melhorou muito numa coisa, no vôlei de praia depois que 4 brasileiros se naturalizaram Georginos. E o melhor era o atleta com um sotaque “da mulésta” falando , “poxa eu to aqui tentando dar um pouco de alegria para o meu país que tá em guerra, mas é difícil enfrentar o meu Brasil!”.

E aí volta para o estúdio, ou para o link ao vivo direto da China, e todos com a cara do Willy Wonka . Socorrro! Não vou dormir à noite! Se eu tivesse um filho não deixaria ele ver a olimpíada pela emissora da família Marinho. Ela tira o sono. Não porquê as olimpíadas são de madrugada, mas porquê âncora com cara de Willy Wonka traumatiza. Aí só falta os repórteres cantarem “Oompa Loompa doompa dee do , i got another puzzle for you...”
Arghhhh!!!!!!!

Charlie and the chocolate factory, na versão de 1971

Nota1: Brasil sil sil agora com 4 medalhas de bronze
Nota2: A maravilhosa cidade de SBO está em festa com a medalha de Cielo nos 100m
Nota3: Vai dizer que você não se assustou na hora que carregou a página e apareceu o Johnny Depp de Willy Wonka...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Oqéisso Beijing 2008 - Boletim II

Oqé uma modalidade olímpica?

O Futebol olímpico do Brasil venceu a China hoje por 3 x 0. Dizem alguns que o time brasileiro está tentando retomar a alegria de jogar. Que bom. Então o futebol nas olímpiadas está servindo para alguma coisa. Porquê há muito perguntamos “ para que futebol nas olimpíadas?”. Em uma concentradíssima conversa com meu amigo Paulo Bisetto percebemos que existem muitas modalidades esportivas que não deveriam estar nos jogos, que só fazem inchar a competição.

Faça um exercício conosco. Pense “Grécia”. É, Grécia, mitologia, ruinas, coroa de louros, feitos notáveis. Agora pense na palavra atleta. 87% de certeza que virá a imagens das estátuas gregas. Agora imagine uma dessas estátuas jogando.... HÓQUEI DE GRAMA! Sim, existe hóquei de grama e nossos hermanos Argentinos, aliás as hermanas, são boas nisso ( como se leva a sério um país bom no hóquei de grama...)

Hóquei de grama não dá. Assim como futebol, baseball, softbol, badminton, tênis de mesa, todos os esportes de quadra, nado sincronizado, HIPISMO!Nossa, Hipismo é de matar! Se hipismo é modalidade olímpica, automobilismo tem de ser também, afinal o princípio é o mesmo, em ambos ganha aquele que consegue controlar e extrair o máximo da, digamos, “condução” e em menos tempo.

Resumindo, segundo a teoria de Bisetto e oqéisso?, fariam parte dos jogos olímpicos apenas todas as modalidades realmente atléticas, que seriam:
· Todas as provas dentro do atletismo;
· as de natação;
· ginástica artística;
· os levantamentos de peso;
· remo;
· e as lutas.
Estamos negociando arco e flecha e vela, já que se lembrarmos da Ilíada e Odisséia de Homero...

E aí, o que você acha?
Por JM
Colaborou: Paulo Bisetto


*nota1:Até o fechamento desse boletim o Brasil sil sil tinha 3 medalhas de bronze.
*nota2: A China perdeu ontem para a Coréia do sul no hóquei de grama masculino por 5 X 2. Ai, ai...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Oqéisso Beijing 2008 – Boletim I

Não, oqéisso? não ganhou passagens para a poluída, cosmopolita e olímpica Beijing - ou Pequim, como queiram - e nem tem correspondentes lá . Mas de qualquer forma inundado pela coberturta olímpica, este bolg decidiu dar seus pitacos. Seja sobre o país sede, as estrelas olímpicas, ou desempenho brasileiro, o aspecto comercial ou sobre a própria cobertura dos jogos.
Entre os posts habituais do oqéisso?, vez enquando aparecerão aqui breves impressões próprias sobre a competição, sem falar dos resultados de uma ampla pesquisa feita com mais de 6 pessoas entre amigos e familiares, e os comentários que esperamos que você faça aqui.
Se você não está vendo a olimpíada a gente conta pra você. E só as partes mais irrelevantes e legalzinhas.
E nem precisa entender mandarim ou saber as diferenças entre sabre e florete na esgrima. Aliás, nem precisa saber o que é esgrima também...

Ni Hau, Ny Rau, Nee Raul, Knee How
E para começar , meu samigos, é de matar ver vários dos jornalistas que estão no país da grande muralha, começando as transmissões ou entradas de link ao vivo, com a saudação chinesa, que quer dizer algo como “olá, tudo bem?”. A originalidade bateu e parou aí. Se a olimpíada fosse em Roma seria “Ciao”, em Nova Yorque, “hi” , na Espanha “que tal” e assim sucessivamente.
Imagine se fosse aqui , “numas quebrada” da vida . Queria ver o Tadeu Schimidt, falando pro Renato Machado no Bom dia Brasil da Globo “Firmeza? mando um Salve pros camarada aí de dentro do estúdio!”.
Por enquanto como não sei escrever o contraário de “Ni hau”, “knee How”, “ny ral” ou talvez “nin hao”, para vocês um bom e velho “até mais”!!!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sobre um craque e um torcedor, amigo, contemporâneo...



Era 1994. Eu tinha 17 anos, ele 29. Quando ele tinha cinco anos, o Brasil ganhava, no meio de uma ditadura militar, uma copa do mundo com um dos seus maiores times, no qual brilhava o maior de todos, Pelé. Quando eu tinha 5 anos o Brasil, começando a se movimentar para sair da tal ditadura, perdia uma copa do mundo, também com uma das melhores seleções de todos os tempos, na qual brilhavam Zico, Falcão e Sócrates. Nós dois precisávamos exorcizar a falta de boas memórias. Pois ele viu a vitória, mas provavelmente não lembrava, enquanto eu havia visto a derrota, mas ainda assim queria lembrar daquele esquadrão fantástico. Estávamos nós dois carentes de vitória, de bons resultados ou mesmo de bom futebol. Os dois últimos campeonatos, 86 e 90, não haviam sido justos conosco. Os bons tempos de democracia não estavam sendo igualmente felizes nos gramados. Futebol ruim, derrota para Argentina. Mas agora, era outra década, outra copa. Combinamos, ele lá e eu aqui, que alguém precisava fazer alguma coisa. Ele não disse nada, mas mesmo assim eu sabia que ele ia fazer.

E fez. Fez 1, 2, 3, 4, 5, fez 6. De cabeça no meio de uma zaga sueca, de bate pronto na frente do goleiro holandês. Até assisitiu Bebeto, seu parceiro de ataque, num gol salvador contra os norte-americanos. Na final quando ninguém mais queria bater o pênalti, sentado em cima da bola, chupando uma laranja, ele disse “eu bato”. Tinha que ser, afinal, nós havíamos combinado. Ele foi lá, bateu e fez.

O capitão era o hoje técnico da seleção brasileira. Foi um ótimo capitão. Mas não sei porquê, a lembrança de alguém segurando a taça, mais clara em minha cabeça e a do camisa 11. E aposto que muitos outros brasileiros também. Ele chorava enquanto beijava a “copa do mundo”. E o Brasil todo ria contente ao resgatar o lugar de direito da camisa amarela, no topo do mundo da bola.

Eu já não precisava mais sentir inveja de não ter visto a copa de 70. Ele já não precisava tentar se lembrar dela. Ele não precisava mais lamentar 82. Eu não precisava tentar buscar nas minhas reminiscências infantis o belo futebol da seleção de Telê. Eu agora tinha uma lembrança de vencer uma copa. Dava adeus ao orgulho de videotape, e tinha garantida para o meu futuro uma lembrança de ter visto um craque de verdade. E quanto a ele? Ele cumpriu o que me prometeu. E depois, além de outras coisas, completou o que prometeu a si mesmo, completou 1000 gols. Todos satisfeitos? Creio que sim.
É isso aí parceiro.

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