UM DESENHO POR SEMANA

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Tinha que ser o Chaves


Poderia contar muitos fatos sobre minha relação com a obra do senhor Bolaños, fazer uma análise da inocência ou não das piadas, do impacto latino da sua obra ou ainda uma tese socio-política sobre o seriado, mas, não, ficarei com um caso bem pitoresco, que mostra a relevância de sua obra em minha vida.


Eu tinha 14 anos. Nesse início de querer ver o que o mundo tinha para oferecer sem os olhos da mãe no cangote, minha fronteira máxima era o shopping. Creio que ainda  é assim para muitos garotos de hoje. Passava as tardes de sexta com um ou dois amigos dando voltas infinitas pelos corredores do centro de compras sem enxergar loja alguma, mas com olhos atentos nas meninas. Essa era a rotina. Rodar, rodar e rodar, olhar, ir atrás, seguir e, e, e...nada fazer.  Todas as sextas, ação igual com resultado idem. Nessas aventuras complexas como uma gaiola de hamster, vez ou outra gastávamos nosso dinheirinho doado pela mãe, com fichas de fliperama, jogando Moonwalker, Cadilac Dinossauro, Golden Axe, Double Dragon, Street Fighter entre outros clássicos arcade. Se comíamos? Tinha uma bebida de leite de soja com sabor de morango, precursor dos Ades da vida, então novidade por aqui, alfajor de uma loja de produtos naturais que eu não me lembro o nome e, pra balancear, um pouco da fritura dos risoles de Catupiry no quiosque das lojas americanas. Cada um gastava o que podia. Uns tinham mais fichas e comiam, outros ou jogavam ou comiam.


Sexta após sexta, sempre igual. Raros eram os dias em que íamos já combinados com alguém do sexo oposto. Mas aconteceu. E é desse dia que se trata esse texto.
O horário acertado com os devidos responsáveis para irmos embora era às 18h30. Mas, naquela sexta, elas estavam lá: as meninas. Íamos sair do esquema rodar, fliperama, rodar, risoles, rodar, ir embora. Não tínhamos combinado, mas elas quiseram ir ao cinema. Sem querer querendo, falamos “claro, vamos lá!”. A questão  é que a sessão começava às 17h30 e não, no Cine Serrador não passava curtas.


Percebemos no meio da sessão (“duh”) que nosso horário expiraria bem na metade do filme. Nós não poderíamos sair naquele momento, não na frente das meninas. Sem um olhar para o outro concordamos silenciosamente em ficar, sem pensar muito nas consequências. Aí rimos, vimos partes do filme, fizemos piadas, não deixamos os outros assistirem. Como qualquer adolescente que ainda está mais pra criança do que pra adulto faz, sendo ridículo achando que está abafando.

O resultado disso? Primeiro: ninguém ficou com ninguém. Segundo: mães desesperadas com o atraso de mais de uma hora e meia, mudança brusca na rotina de todas as sextas-feiras. Terceiro: tal desrespeito merecia punição. Mas, o que fazer com esses moleques classe média que não metiam medo em ninguém e cometiam sua primeira infração? A pena dos outros eu não sei, mas a minha foi severa. Um interminável mês sem assistir Chaves após o colégio. De cara pensei estar no lucro. Achei que a repreensão ia ser bem pior. Mas hoje confesso, aquele mês pra mim foi Interminável, muito mais que os infinitos 14 sem pagar aluguel. É, mãe sempre sabe o que faz. Não tinha outro castigo, tinha que ser o Chaves.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Juventude: foi o que eu vi no youPIX


Um retrato instagrâmico da juventude, de como o mercado a enxerga e de como a coisa muda mas continua a mesma. Foi isso que eu vi no YouPIX. Escrevo esse texto 4 dias depois, com as impressões mais curadas porém ainda sem intervenções externas.
O festival vale mais para a observação de como o público se comporta, quem está de olho nele e o que atrai sua múltipla atenção, do que qualquer conteúdo que possa ser ministrado em sua programação.
Vamos lá então: Um retrato da Juventude
Caótico como a rede elétrica de um show de rock mambembe, cheio de braços como um polvo, barulhenta como uma feira livre.  O evento retratava basicamente o que é o mundo jovem quase que simbioticamente conectado hoje em dia. Tudo ali acontecia ao mesmo tempo, como um browser cheio de abas abertas ou um app de smartphone que centraliza todos os seus perfis nas redes sociais. Em diversos hubs de discussão acontecendo simultaneamente, todos com caixas de som e volumes lá em cima, ninguém ouvia tudo, mas todo mundo se entendia, ou pelo menos não se importava. Como você no dia a dia que tem sua atenção dividida entre um texto que está lendo na web, a música no grooveshark e a conversa intermitente no skype. O barulho atordoante para um tiozinho de agora 36 anos como eu, nas 3 horas que ficamos ali.

Nesse conceito tudo ao mesmo tempo agora o  “palco” principal era separado unicamente por uma lona, então, mais uma vez, focar não era lá muito fácil. A primeira atração estavam os autores do fenômeno viral Leke, leke com a apresentação de um dos astros da web, Cid (Não Salvo). Óbvio que a profundidade nesse ambiente seria contraditória. Não houve. Aliás, é essa é a proposta sincera, descompromissada do site de Cid, como se sabe. Querente.
Na segunda, duas pesquisas traçavam o perfil do jovem brasileiro que acessa a internet. Para publicitários, aparentava ser o atração mais  enriquecedora do evento. Entre informações relevantes, o barulho de que vinha de fora e minhas postagens no facebook, um dado saltou aos olhos, principalmente ao observar o que estava ali ao redor no evento, mais do que propriamente na fala dos palestrantes presentes.   Jovem é jovem
Parece óbvio mas não é. Não importa a classe social, o jovem de hoje está online e busca estar cada vez mais presente, com a diferença única dos recursos que possui para esse acesso constante. Isso sempre foi assim. Os desejos básicos, os anseios mais pueris, as preocupações mais importantes, sempre foram  comuns a ricos e pobres, cristão, muçulmanos ou ateus, brasileiros ou americanos, e é claro, com o tempero diferenciador vindo de suas particularidades regionais, ideológicas e culturais. Algumas empresas perceberam isso e estão lucrando com a garotada ávida pela presença na rede. Ninguém está pronto para o que está acontecendo
Manifestações, Web celebridades, produção cultural unicamente via internet. Cada vez mais fica claro que empresas, políticos, jornalistas e sociedade civil em geral não estão prontos para o que a rede oferece ou pode causar e os lucros e efeitos que podem ser conseguidos com essa geração que já nasceu teclando. É claro que alguns são mais abertos e tentam pegar jacaré na onda sem saber onde é o tombo. Mas surfar mesmo ainda é para poucos, pouquíssimos. Participei de uma palestra há uns 10 meses em Campinas, na qual representantes de veículos minimizavam a importância das redes sociais enquanto possibilidade de retorno de mídia, anunciantes, produção de conteúdo relevante etc. Hoje vemos o fenômeno dos canais de humor no youtube, campeões em renda e atraindo anunciantes.
Assisti a dois programas Roda Viva (TV Cultura) um com o Rafinha Bastos (aqui) e outro com Marina Silva (aqui), ambos bem antes das manifestações aqui no Brasil, nos quais, entre suas questões particulares, ambos travavam uma pequena luta com os jornalistas afirmando a relevância do que já acontecia nas redes e o que poderia vir a ocorrer. Mas como diria Roberto Carlos “Todos estão surdos”. E tudo bem, isso é normal. Quando o mundo mudava com a molecada, politica, estética e moralmente nos anos sessenta ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo. Quando a rapazeada resolveu pegar guitarras nos anos 50 e acelerar o blues, também não. O que fazer com tudo isso? Isso dá dinheiro? Isso dá voto? Isso muda alguma coisa? São essas as perguntas que pipocam no cérebro de quem precisa de resultados no dia a dia.
Mais do que quem ganhará com tudo isso, como sempre na história do mundo, a provocação da juventude é exatamente a de não ser entendida de cara, ser chocante, propor mudanças sem saber quais são, agir pelo instinto, explodir coletivamente. E talvez só outra geração explique exatamente de onde vieram e pra onde foram os estilhaços. O mundo muda e nessa mudança, irônica e paradoxalmente, continua igual. Jovens gritam mudanças para os adultos responsáveis nada entenderem, e estes instintivamente rechaçarem o que vem para mexer no conforto do sofá da sala ou acabar com a certeza calmante de receber tudo do Jornal Nacional.
Buscar certezas nesse contexto é ignorar a história ou julgar-se o caolho entre os cegos. Nisso o evento You Pix foi mais do que querente: não quis dizer o que é o quê, apenas existiu, aconteceu, junto com quem está fazendo a mudança.

Ps. Ia falar das webcelebridades, mas acho que a coisa tinha que terminar por aqui. Quem sabe outro dia.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

um desenho por semana por um mundo mais bacana LXXXII

Manifestação do Passe Livre. Lendo muita coisa, vendo tanta opinião pensada, impensada, sentida e insensível, às vezes redigida outras copiada, às vezes dirigida, outras simplesmente vomitada sobre as manifestações. Penso sobre tudo enquanto a coisa acontece. Parece uma inércia só pensar. Dei-me o direito de sentir sobre tudo isso e me expressei. Isso é o bastante? Não sei. 
Meu desejo é que soe só verdadeiro.

"Tezahürü 
مظهر SP"



segunda-feira, 18 de junho de 2012

O que os games significam pra mim

O vídeo abaixo causou em mim duas sensações e me fez resolver de uma vez por todas minha relação com os games. Sorri com o passado, admirei o presente e segui em frente.


Nunca tive uma relação tão próxima como a maioria de meus amigos, seja hoje, seja na infância. Sempre gostei de jogar, tive alguns, mas nunca curti tanto quanto os outros.

Quando criança e na pré-adolescência, gastei horas jogando sim, mas não ao custo de broncas por excesso. Hoje vejo que isso acontecia não por que eu fosse obediente, mas por não gostar tanto assim daquilo.

Vi amigos chorando, xingando e violentando o atari (tá, eu tenho mais de 30 anos) pois o videogame o estava “sacaneando” ao provocar batidas no Enduro.

Vi gente que esperava, pedia, importava (isso era complicado na época) o console mais moderno pra ter antes dos outros. Vários perderam provas, ficaram de recuperação “para dar final” no Super Mario, Sonic, Prince of Pérsia ou gastaram os tubos em fichas pra aprender todos os golpes de Street Fighter  no fliperama (se você tem menos de 25 anos talvez nem saiba o que é isso) perto do colégio.

Eu nunca fui assim. Nunca terminei um jogo primeiro, nunca fiquei ávido por um console novo. Quis, mas se meus pais achavam caro, nunca me esforçava para expressar um desejo maior pela aquisição.

Tive apenas dois games: atari e um turbo game (nintendinho genérico com abertura que permitia o uso de cartuchos no padrão americano ou japonês) ambos adquiridos pelo meu irmão mais velho. E foi só.

Toda a evolução Master System, megadrive, superNES, 64 e depois os XBOX , Wii e PSs da vida foi experimentada chupinzando os amigos e colegas.








Hoje tenho amigos de minha idade, casados, alguns com filhos, que continuam curtindo muito os novos jogos, compram, parcelam, colocam na conta do mês o gasto, esperam trailers (no passado eu não entendia alguém assistir trailer de jogo) e eu não consigo gastar dinheiro com isso. Questão de prioridades? Sim, também. Mas tem o gosto, como e se aquilo importa pra você.

Do alto dos meus 34 anos, vejo os games hoje como mais do que uma indústria de entretenimento eletrônico. Eles já tem história, já fazem parte da nossa cultura e dizem muito sobre a evolução de costumes e principalmente da tecnologia dos últimos 35 anos.

Os temas dos jogos, a relação de algumas invenções com a cibernética, sua importância até mesmo em tratamentos de saúde, no desenvolvimento da indústria, a infuência na forma como utilizamos serviços bancários, nos relacionamos on line, somos impactados por uma comunicação, o que vestimos ou mesmo como nossa mente antigamente offline passou a ser perpetuamente online. Os jogos são parte importante do mundo que vivemos hoje, não dá pra fugir.

E é essa a relação que tenho com eles. Fico feliz de ter participado do seu desenvolvimento, de quando viraram indústria, de ter visto e jogado ícones como Pac Man, Donkey Kong, Mario, Double Dragon, Doom, Duke Nukem e Mortal Kombat (pra citar poucos)que hoje alimentam milhares de paródias, memes, músicas e novos produtos.
Fico feliz de entender como as coisas começaram e ver pra onde estão indo. Vez enquando assisto trailers, leio as notícias sobre o mercado e outras experimento uma partidinha de um jogo novo (tomo um coro) quando estou na casa de amigos. Penso na razão do fascínio daquilo, na história do game, no desenvolvimento, no mercado e aprendo. E aquilo é o suficiente pra mim.

Mas é claro que pra relaxar, às vezes jogo um Song Pop[zinho], ou ouço o tema do Super Mario em bluegrass, afinal, ninguém é de ferro.


E pra você, o que ele significam?

terça-feira, 5 de junho de 2012

O novo clipe do Móveis: 1 + 1= a um monte de gente

Sabe aquele povo que gosta de desenhar na parede, fazer a mesa de centro da sala a partir de uma porta que estava no lixo, vive nas redes sociais, compartilha desenhos, bandas de rock que ninguém conhece, gosta do vintage somado às benesses do mundo wireless?

"Vejo em teu olhar" uma das canções do novo álbum do Móveis Coloniais de Acajú gerou dois clipes. Um instagrâmico e colaborativo a partir de uma ação chamada #instamoveis e outro também colaborativo mas um pouco mais "offline". 

Vejo em teu olhar - #instamoveis


Um retrato em duas partes de uma parcela da juventude dos anos 2010.
Ambos retratam (sem trocadilhos) o clima de hoje desse segmento de pessoas que vai de jovens artistas e artesãos, músicos, designers, publicitários e poetas a geeks e social medias. Já ouvi alguns chamarem de "geração instagram". Já vi também outros odiarem a nomenclatura.

A linguagem é bem atual e usa muito do que se vê por aí no próprio instagram (claro), nos ambientes, objetos e  artes compartilhadas no pinterest e em diversas outras redes sociais.

Obviamente poderíamos dar milhares de exemplos de videos, fotos e ações nessa linha, mas o que chamou a atenção na música do MCA, foi exatamente que são 2 clipes diferentes, duas maneiras diferentes que retratam não apenas uma canção mas um contexto, um jeito de ser de uma época que se vê por aí, ou por aqui, de uns anos pra cá.

Vejo em teu olhar - amor. beleza.verdade


E aí conhece esse povo? Ou talvez seja melhor perguntar,  se reconhece nesse povo?
 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A geração Y em versão atualizada de abril de 2012

Como já falei disso meio que indiretamente (aqui), decidi colocar esses dois  videos sobre a famosa e atual "Geração Y".  O primeiro, da Revista Época, mostra que os jovens começam a ver  como o mundo realmente é, e a partir das crises financeiras percebem que não são última bolacha do pacote
O outro é produzido com base em pesquisa feita pela Hello Research e a boo-box, mais atrativo e divertido, bem parecido com outros já feitos por aí, como o famoso We all want to be young .

Confere aê:
Época


Hello Research e boo-box



O segundo vídeo vi no CCSP ,  o primeiro não lembro mais...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Igreja dentro de boate na Rua Augusta

"Vinde a mim todos vós que estai cansados, e eu (Jesus) vos aliviarei"  (Mt 11:18)



Como disse a moça no video, eles já são "Igreja". Bonito mesmo ver esse entendimento. Que Deus os abençoe para que não virem uma instituição, vazia, litúrgica e dogmática.

"Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso?" (At 7:48,49)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Londres sem parar para respirar

Sem pieguismo ou oportunismo, ou qualquer outro ismo, os incidentes na Inglaterra, que começaram como protestos, mexeram bastante comigo. Apesar de chegarmos ao quinto dia de saques, atos de vandalismo e confrontos, estou com o mesmo sentimento de quando vi as imagens pela primeira vez.

Escrevo esse texto ainda assustado, meio que formando uma opinião, lendo, vendo e refletindo sobre diversas teorias das mais direitistas até as mais ingênuas e infantis e tentando equilibrar isso tudo na minha mente.

Obviamente não tenho compromisso jornalístico, tudo o que vejo a respeito está nos canais disponíveis a qualquer pessoa que me lê neste momento.   Assim, hoje escrevo sem fechar um pensamento, como se colocasse minhas impressões em uma conversa mesmo e sei que raramente faço isso aqui no oqéisso.
Dentre os muitos vídeos que vi sobre os distúrbios na Inglaterra vi dois hoje que me chamaram a atenção e me fizeram escrever a toque de caixa, sem fechar o assunto.

Em um deles, um vídeocast da Folha, uma das jornalistas fala sobre não poder condenar as atitudes dos manifestantes e dá entender que protestar com saques e depredações foi uma “estratégia errada” de pessoas que foram violentadas por um modelo de vida comunicado, mas impossível de conquistar já que há desemprego e um histórico de desamparo do governo britânico às famílias então desestruturadas. (veja a baixo)


É bem claro que o correspondente que está em Londres parece ser mais comedido e cauteloso para determinar as razões de tudo o que está acontecendo (talvez até por sua maturidade). Não afirma um motivo, fala apenas das possibilidades.

Em contrapartida, outro vídeo feito in loco, no calor do acontecido em um dos bairros de onde provavelmente vêm os manifestantes, mostra a indignação da moradora do local, com os saques e roubos.  Veja:
   

A disparidade dos dois vídeos me fez refletir. Fica clara a diferença de opinião de quem está no meio do furacão e de quem está vendo de fora mas está próximo e a de quem ainda que estude o caso, está longe, distante do fato. Por essa diferença de visões muita coisa ainda será dita e discutida.

Apesar de existirem grandes diferenças sociais, contextuais, econômicas e até mesmo étnicas, tudo isso me lembra muito nossa desigualdade brasileira, a discussão sobre como tratar os meninos que assaltam nos grandes centros muitas vezes como único objetivo de alcançar um sucesso que está mais perto deles do que o que eles assistem na TV. O revanchismo dos que tem pouco, ou nada contra ‘playboys’ e seus carros, smartphones e vida perfeita aos olhos deles.

Porém vejo também que há a generalização, o esquecimento de que existem pessoas que sofrem igualmente, mas não negociam a moral mais simples e básica de lutar pelo que se quer com armas pacificas como se submeter e trabalhar para os mesmos ‘playboys’, desafogando suas dores e cansaços na crença e devoção a Deus, na arte, ou no simples e longínquo objetivo de proporcionar algo melhor para os filhos no futuro.

E em meio a tudo isso, como disse o correspondente Vaguinaldo Marinheiro, sempre há os oportunistas, sejam eles jovens que aproveitam para ganhar algo em cima mesmo, roubando, fazendo saques e se auto-afirmando, sejam os sociólogos ou jornalistas que criam teses unicamente para aparecer (alguns também na onda da auto-afirmação), ou ainda blogueiros em busca de audiência, travestidos de ombudsman do mundo.    

A única coisa que posso afirmar é que cabe a mim e a você observar, pensar e olhar todos os lados e tentar não ser enganado pela opinião dos que muito dizem ou ainda pela própria certeza baseada na situação cômoda do nosso status social e nível intelectual, seja ele qual for.

Afinal, o mundo é bem maior do que aquele que a gente vê ou experimenta em nosso dia a dia e ainda imensamente maior do que julgamos conhecer com nossa limitada e eternamente provinciana mente humana.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os Monkees eram todos

Todo mundo desatou a falar dos Beatles por causa da tourné de Sir Paul McCartney (com fim nesta última madrugada) aqui na pátria amada, idolatrada, salve, salve. Ok, é um assunto relevante mesmo, e todo mundo tem uma história sobre a influência musical, sobre os pais, avós etc. Inclusive eu, mas não é bem disso que se trata este post.

A ideia dele nasceu quando comemorava meu aniversário de casamento há um mês.
Comecei a twitar videos do youtube de músicas que falavam de amor, algumas de minhas preferidas, algumas da bela história com a minha esposa. Ao procurar God Only Knows, dos Beach Boys apareceu entre as opções de vídeos relacionados o clip abaixo.



Por mais “Beach” que fossem os caras da banda, para mim esse clipe não fazia o menor sentido, não combinava com a imagem e postura que eu sempre enxerguei neles. Mas ok, twitado God only Knows, ia mandar para a galera a próxima música, Happy Together, The Turtles

  

Uepa! Mais um  clip com os membros da banda fazendo coisas sem noção. Aí pensei, “nossa, nos anos 60 todos os clips pareciam com episódios dos Monkees” (Hein, os Monkees?)


E o que é que Sir McCartney tem a ver com tudo isso? Resolvi procurar uma referência Fabfour da mesma época
Voilà, clip do filme da música Can’t buy me Love extraído do filme A Hard day’s night, 1964



Foi aí que lembrei que não eram os clips das bandas que pareciam com os Monkees, mas os Monkees é que pareciam com os clips das bandas sessentistas. A série de TV retratava a imagem que se passava da maioria das bandas da época, com garotos esquisitos e meio sem noção, sendo perseguido por fãs e fazendo coisas totalmente nonsense. Uma fórmula que deu resultado por duas temporadas (66/67 e 67/68) e rendeu dois discos para os atores metidos a músicos.

Relatos contam que, embora os músicos de verdade torcessem o nariz para a banda, os Beatles eram fãs da série. Talvez por enxergarem ali, um pouco da suas vidas sendo retratadas de maneira escrachada, às vezes ridícula, bem longe do endeusamento midiático.

Se for pensar mesmo, era bem a cara deles.

E para terminar, se Sir McCartney viu, certamente adorou esse mashup:



sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Velha Juventude



Faltavam oito anos para eu nascer. E como quase sempre há, naquele ano existiam jovens e quando isso acontece, o mundo muda, nem que seja por algum tempo. São eles que não se importam com tudo que já existe. São eles que aproveitam tudo o que já existe. São eles que não se conformam com as coisas e que falam delas sem prevenções, sem pré-concepções e formatos, dizendo muitas vezes até sem palavras. São eles que erram muito, que arriscam muito. Naquele ano foram eles.

Sons da juventude, distorcidos como só eles souberam fazer. Resposta da juventude proporcional ao que os outros faziam por aí com canetas, moedas, muros e armas. Absurdos inimagináveis dos dois lados. Excessos, vários. Comportamento, atitude, vigor, vontade contra a do mundo. Mistura de tudo, rebeldia inócua e comum contra pais, com pitadas de revolta com o que havia de errado com o planeta.
Voz ouvida? Certamente, talvez não respondida.
Não mudaram nada. Marcaram muito. Cantaram, amaram, perderam, ganharam experimentaram, tudo demais. Fizeram tudo por curtição irresponsável também.



Ao contrário do que diz a canção dos anos 80, ninguém pode ser “Forever Young” seja na cabeça ou na alma. A juventude não é só um estado físico, e de longe não é um fator meramente etário. Ela é principalmente um período de tempo na vida de qualquer um e não pode durar para sempre. Se durasse, não seria o que é. Já ouviu aquele pensamento, “se eu fosse jovem, com a sabedoria que eu tenho hoje...”? Se alguém tem a sabedoria de uma pessoa que viveu muito não pode ser jovem. A descoberta, o excesso, o reconhecer dos limites são características essenciais da mocidade. Ninguém que sabe muito é jovem.

Engraçado, a juventude pessoal passa, mas a juventude como conceito não. Ela independe de época, das pessoas que existem, do regime vigente, da moda ou do tempo. Ela independe de você e de mim e um dia, se você ainda é jovem, a juventude vai irritar você, vai te instigar, vai te desafiar como você hoje desafia a vida.

Naquele ano de 1969 eu ainda não era. Hoje estou à beira de deixar de ser, mas ainda enxergo como é e meus ouvidos se deliciam com o barulho. Saberei que já não sou quando restar só saudade. E aí tomara que eu seja um pouco mais sábio e não brigue com o que é novo.



Atualizado em 2014:
A canção da minha série favorita, da minha juventude mais tenra, Valeu Joe Cocker, por dar voz a juventude para pelo menos 3 gerações diferentes. 



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