UM DESENHO POR SEMANA

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Claracidade

Quis compor para ti
A canção mais de amor
Te passar a noção
Do pra sempre vou
Que você sabe sim
Do sincero olho meu
E que o belo tem tudo a ver
Com o sorriso teu
Não tem valor mundo todo sem a luz
Claracidade, seu olhar
Para mim que achei meu lar em ti
Coração, luz e frescor
Pra mim   


Para Cyntia,
pelos 3 melhores anos da minha vida.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Noites em que estou cheia

Naquela noite eu estava cheia. Na verdade estava e não estava, como explicarei a seguir. Havia pelo menos umas mil pessoas ali, das quais apenas duas me agraciaram com a sua atenção. Engraçado, geralmente quando me apresento assim, tenho visibilidade da mídia, dos sábios e dos símplices. Mas naquele lugar não. Novecentas e noventa e oito pessoas não quiseram saber. Só tive dois espectadores. Às vezes é melhor ter a atenção total de duas pessoas do que inúmeros olhares só que distantes.

E foi assim, importei-me apenas com minha seleta e atenciosa platéia. Antes que minha parceira de palco se aproximasse, antes que nosso iluminador projetasse em mim sua sombra, decidi: “dar-lhes-ei uma atuação soberba que irá inspirá-los e modificar suas vidas para sempre”. Meus companheiros de Trupe Celeste e eu estávamos particularmente radiantes em nossa atuação naquele dia. Nada como um motivo além do simples ofício, além do dom natural para realizar alguma coisa.

Os dois da platéia ficaram atentos em nós, via-os conversando por frases curtas, elogiando-nos pela execução do espetáculo que oferecíamos. Enquanto atuávamos percebia neles um espanto pela falta de platéia ali. Como que se nada entendessem, olhavam dos lados e viam pessoas dispersas em suas preocupações cotidianas, em suas pressas, em suas programações e compromissos, num burburinho contínuo perdendo o maravilhoso fenômeno que realizávamos.

Foi nesse minuto que o meu desejo se realizou, e suas vidas começaram a mudar para sempre. Quando novamente voltaram sua atenção para nós, todos os outros que estavam ao seu lado desapareceram. Não havia mais burburinho, gente correndo para chegar em algum lugar, resolver alguma coisa ou seja lá o que for. Estavam a sós, conosco. Pelos minutos que se seguiam, os maravilhamos, os inspiramos, os excitamos, fizemos com que levitassem (sim nós somos muito bons no que fazemos, se é o que você está pensando) Fizemos com que eles apenas aproveitassem de nós e se percebessem.

No final de nossa apresentação ficou a certeza de um ótimo trabalho, vimos em seus olhos.

Como disse antes, naquela noite eu estava cheia, estava mesmo, fiquei à sombra para aparecer mais. Dei espetáculo para dois que se tornaram um, tempos depois. Sem falsa modéstia ajudei-os nisto, aliás, presto esse serviço desde o início de minha carreira. Mesmo quando me apresento de maneira mais modesta, do que naquele dia, isso acontece. Também não é todo dia que dá para gente fazer um Eclipse. O que importa é que sempre vou me lembrar daqueles dois, pois sei que eles sempre se lembram de mim, me admiram em dias, ou melhor, noites, como a de hoje.
Noites em que estou cheia.
Feliz dia dos namorados, Cyn

sexta-feira, 23 de maio de 2008

O dia em que fui feliz sem saber o porquê

Foi em 1981, dia 23 de maio, eu tinha apenas 4 anos, mas me lembro bem. Um dia feliz. Acordei logo de manhã e com toda a energia de criança, queria fazer muita coisa. Fui tomar café, e apesar dos meus apelos, minha mãe me fez comer frutas ao invés dos biscoitos recheados que eu tanto queria. Mas não fiquei bravo. Era um dia feliz, eu não sabia por que razão, mas era. Minha quadra de anos não permitia que eu especulasse muito, apenas era assim.

Após o café fui até a sala onde ficavam meus brinquedos e de cara pisei num dos meus playmobils preferidos. Havia sido esquecido no chão na última brincadeira, e agora estava esmigalhado. Olhei para os agora pedaços do brinquedo com pesar por uns 5 segundos e toquei a vida, ou seja, fui brincar. Afinal, aquele era um dia feliz.

Depois de um tempo, meu irmão chegou querendo ver TV, e é claro sem a minha presença ali, por isso começou a infernizar a minha vida, de um jeito que só irmãos mais velhos sabem fazer. Fiquei chateado por outros 12 segundos, e saí com alguns brinquedos. Pela primeira vez não chorei. Era um dia muito feliz. Não conseguia ficar triste.

E assim se seguiu o dia, com uma sucessão de momentos bons e ruins comuns a um garoto de 4 anos, todos fazendo parte de um dia feliz. Dessa forma almocei cenoura e beterraba, e do mesmo jeito ralei meu joelho ao tentar correr na garagem. Mas o clima do dia era de alegria, pelo menos para mim. Em nada havia tristeza, o lamento momentâneo de uma ralada, ou de comer alguma coisa com gosto ruim, tinham o exato tamanho que deveriam ter, ou até menos. Eram detalhes, componentes de um dia feliz.

O que havia demais naquele dia? Minha tenra idade me protegia de perder tempo pensando. Apenas fazia, agia, continuava sendo criança e aproveitava o que era bom, como se fosse o último dia. E não era. Era o primeiro de uma vida que eu iria ter no futuro, era o dia que garantia um caminho feliz.

Naquele dia fui dormir cansado e alegre como uma jornada infantil deve ser. Como toda jornada deve ser, chegando ao fim dela sentindo no corpo e na mente lembranças de tudo o que foi feito com uma sensação de contentamento.
Foi mesmo um belo dia. Era 23 de maio de 1981. Um dos melhores dias da minha vida. Hoje sei o porquê.
Parabéns Cyn, meu mais belo dia, minha “Claracidade”.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A receita de bolinho de chuva





E não é que foi difícil escrever? Foi sim. Tive mil idéias, linhas, perspectivas do assunto. Comecei vários textos, ainda na lua-de-mel foram muitos. De algumas idéias até gostei e provavelmente me servirão para posts futuros. Mas nada para agora, para o momento do casamento.
Mudança, encontro, projeto, vida, jornada, início, etapa, amor, paixão, aprendizado, conquista, pensei em todas essas palavras inerentes às núpcias. No entanto, surpreendentemente o que veio à mente mais forte foi a receita do bolinho de chuva.
É, foi isso. Me veio assim, de repente. Poderia falar aqui do nosso primeiro encontro ou do dia em que a pedi em casamento. Podia muito bem falar do nosso maravilhoso primeiro mês de namoro e também dos subseqüentes meses estranhos. Falaria do nosso primeiro cinema juntos ou mesmo contaria sobre nossas brigas. Poderia falar o quanto é difícil o processo do casamento a partir do momento em que se marca a data. Sobre como o mundo parece conspirar para o casamento não acontecer. Poderia até falar como essas dificuldades são fundamentais tanto para o sucesso futuro quanto pra desistência de outros no meio do caminho. Somando-se a isso, então, poderia falar da pressão de todos, sociedade, família, igreja. Mas também falaria da pressão quem vem de dentro, provavelmente a pior de todas.
Nada disso. O assunto que está na minha cabeça é a receita de bolinho de chuva.
Talvez fosse mais natural falar das nossas músicas, falar dos Beach Boys, do Wallflowers ou do Simoninha. Fazer uma declaração de amor, colocar uma foto nossa aqui, dizer que sou uma pessoa muito melhor hoje. Seria certo dizer que, novo no assunto, não sei o quanto a vida dois é difícil e que casamento é compromisso. Mas o que interessa é a receita...
Poderia - graças a Deus - fazer versos com os atributos físicos de minha esposa, tentar descrevê-la descendo pela nave da igreja.
Poderia dizer quem é a Cyntia, ou quem sou eu, ou ainda mais, quem hoje somos nós juntos. Mais normal seria falar das dificuldades domésticas, da troca do chuveiro ou dos problemas hidráulicos. Ou como numa entrega de prêmio, poderia agradecer a todos que nos ajudaram das mais diversas formas. Poderia falar da lua-de-mel, do hotel ou das dunas de Natal, ou da importância do protetor solar. Poderia falar o quanto custa casar, em tempo e dinheiro, fazer um manual, um gráfico, um desenho. Mas sei lá,o bolinho...
Poderia falar do prazer de ter uma casa. Poderia falar sobre a visão de ter minha própria família. Poderia falar da responsabilidade de zelar por alguém todo o tempo. Poderia falar de sexo, de amor. Poderia falar de planos para o futuro. Poderia falar que Deus gosta muito dessa história de casamento. Talvez se tivesse falado essas coisas, eu até citasse como em tudo é imprescindível o toque feminino e também a objetividade masculina, às vezes truculenta, outras necessária. Poderia pensar na maravilhosa aventura que é estar casado e dissertar sobre o assunto. Poderia, mas não vou. Vou falar sobre a receita de bolinho de chuva. Vamos lá então, a receita é a seguinte:
Bem, na verdade não tem receita, eu sei os ingredientes e talvez eu vá passando aos poucos. Agora, as quantidades você vai pegando com o tempo e a prática, nem precisará de medidas, xícaras ou colheres. Pelo menos foi assim que eu aprendi a fazer...

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