UM DESENHO POR SEMANA

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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Mudando o mundo - Uma fralda de cada vez

Foto: Nadia Carol Otake

Por Nádia Carol Otake

Aí não importa o que o ser humano escolha fazer com sua vida algumas pessoas tem esse desejo, de ser relevante no que faz, ter voz e trazer alguma transformação boa para esse mundo.

É óbvio que existem visões diferentes em como isso pode ser feito e alguns são bem mais radicais do que outros em suas escolhas mas no final dá no mesmo. Todo mundo deseja que o "mundo" veja o "mundo" através de seus olhos.
Como comentei em posts anteriores, o nosso desejo como família é fazer com que as pessoas tenham um relacionamento com Deus trazendo dignidade para os seres humanos que de alguma forma foram roubados do direito de se sentirem dignos na sociedade aonde vivem.
Acabamos de voltar de uma viagem ao redor do mundo aonde tivemos o privilégio de conhecer muitas pessoas e influenciar a vida de algumas delas. Confesso que quando cheguei em casa fiquei um pouco deprê pensando: "- Poxa, agora vou ficar em casa cuidando da Isabella, enquanto o Ricardo está lá fora 'ajudando a mudar o mundo!'"


Mas aí lembrei que, alguns meses atrás logo que a Isabella nasceu tive uma crise parecida, e processando a respeito tive algumas revelações e hoje decidi compartilhar por aqui.
Trabalho em um Instituto de Cinema, aonde antes de ter a Isabella, ajudei a treinar centenas de alunos de todas as partes do mundo com mídia e fotografia para que eles fossem lá fora 'dignificar' a humanidade e dar voz aos sem voz com suas fotos e vídeos. Tivemos vários resultados positivos como uma mudança de lei no Panamá relacionada adoção assim também como muitos desafios. Com essas e outras histórias vindas de várias partes do planeta a sensação que se tem é que você realmente está fazendo uma diferença nessa terra nem que seja minúscula, mas que é parte de algo.

Agora que fico mais em casa do que lá fora, as vezes bate a crise em mim e em muitas outras mães amigas minhas que se sentem da mesma maneira, de que você está perdendo algo. É como se em nossa geração fossemos treinadas de uma maneira tão individualista e egoísta que, aquilo que antes era orgulho no tempo de nossas avós e tataravós, virou vergonha e nos passa a sensação de que fomos diminuídas em nossas vida por causa da maternidade.

Fotos: Nadia Carol Otake 
A minha experiência não é muito diferente daquelas mamães que sofrem entre as palavras "carreira" e "maternidade" como se uma competisse com a outra.
Quem disse? Aonde está escrito que uma tem que competir com a outra?
Porque se pararmos pra pensar, usando meu exemplo, fotografia é apenas o meu trabalho mas isso não define quem eu sou como pessoa. É o que amo fazer e a ferramenta que uso no momento para dar luz e voz. Ser mãe está dentro de mim gravado em todas as células do meu corpo mesmo antes de dar a luz a minha primeira filha. Mesmo se perdesse meus filhos um dia, JAMAIS deixarei de ser mãe, uma vez mãe sempre mãe.

Isso mostra a importância desse papel na vida das mulheres e o fato da sociedade ocidental ter diminuído tanto ao ponto de trazer culpa ao coração daquelas que nasceram para serem mães. Seja de sangue ou de coração, não tem experiência no mundo que revele o amor MAIOR pra nós do que a maternidade. Filhos não são um peso, filhos são investimento, eles que irão definir o futuro das cidades, dos países, do mundo.
Um dia dirigindo o carro voltando de um projeto fotográfico me senti meio confusa em relação ao meu papel agora com um bebê de dois meses no colo e uma máquina no pescoço. Senti uma voz compartilhando comigo assim: "Nádia, todos esses projetos por mais que influenciem o mundo e venham impactar a humanidade, um dia eles estarão em prateleiras ou guardados em caixas e ninguém vai lembrar mais deles, eles são momentâneos, em 10 anos tudo isso que você se encontra envolvida hoje será diferente, mas em 10 anos seus filhos estarão lá, sendo preparados para amar e influenciar a próxima geração...


"Nádia, SEUS FILHOS SÃO AS FLECHAS MAIS AFIADAS QUE VOCÊ POSSUI PARA MUDAR O MUNDO, INVISTA NELES E VOCÊ NÃO VAI SE ARREPENDER..."

Tive um choque dentro do carro e comecei a pensar que tudo nessa vida passa, mas que as coisas mais preciosas que possuo hoje são os bons ensinamentos que recebi dos meus pais e as memórias que me construíram para ser quem sou hoje. É óbvio que a vida é um aprendizado sempre, estou longe da perfeição mas caminhando para ser uma pessoas melhor. É isso que desejo para os meus filhos, que eles entrem nessa jornada para descobrirem e serem TUDO o que foram criados para ser. Que eles guardem princípios bons e priorizem o que é mais valioso nessa vida: Deus, o amor e o próximo. De que eles saibam que tudo o que é material que a gente sonha em ter todo dia, vai passar, mas as memórias ficam.
Quero aprender a lançar meus filhos pro alvo daquilo que o Criador tem sonhado pra eles. E que isso seja parte da pequena porção que possa mudar o mundo. Eu não tenho controle sobre as escolhas que eles irão fazer no futuro mas eu posso lançar sementes no coração deles para que sejam inclinados a fazer escolhas boas na vida.


Sim, eu sonho com projetos fotográficos muito loucos, sonho em viajar o mundo e documentar as histórias de mulheres, orfãos e refugiados. Sonho em entrar em lugares para trazer imagens que o mundo não vê no dia a dia, sonho em documentar o dia a dia dos lugares aonde o mundo não crê haver esperança. Sonho alto e sonho louco, mas sei que nunca deixei de mudar o mundo e ser uma partícula relevante nessa história que envolve bilhões, o que mudou é a maneira como estou fazendo isso nessa fase da vida.
Mudando o mundo...uma fralda de cada vez ; )

"Como flecha nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos da juventude.
Como é feliz o homem que tem sua aljava cheia deles!"Salmos 127:4-5

Publicado originalmente aqui
Todas as fotos no instagram da Nádia

Conectada, apaixonada, pensadora, Nádia Carol Otake 
trabalha com fotografia, tradução e escrita. Do Nepal à Itália, 
culturas, línguas e viagens vêm tecendo sua jornada .
Formada em Letras, persegue os mistérios da comunicação.  
É casada com um engenheiro elétrico, com quem desde 2010 
mora no Hawaii. Trabalha com a Universidade das Nações 
e sonha em pisar todos os continentes da Terra. 
É mãe da Isabella.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Uma indignação passiva não faz verão

Hoje vai um texto de uma colaboradora especial, minha amiga Kie Magalhães. Conversando com ela sobre escrever, o processo de cada um e os assuntos que estavam esquentando a cachola, nos desafiamos a postar algo de um dia para outro: eu sobre o amor (que você pode ler aqui) e ela sobre indignação. Desafio aceito, eis o resultado que eu assino embaixo.  


Uma indignação passiva não faz verão

por Kie Magalhães


Dos diversos assuntos que povoaram a minha mente durante os últimos dias, quis o destino que me caísse um tema cascudo. Complicado escrever sobre algo cuja motivação é tão pessoal e ao mesmo tempo tão coletiva. Do momento em que decidi aceitar o desafio proposto por um querido amigo, uma canção já esquecida teimou em não sair da minha cabeça, mas permitiu uma rápida viagem no tempo.
Em meados de 1992, período em que o conterrâneo grupo Skank embalava o movimento dos Caras-pintadas com o hit In(Dig)Nação – que na verdade buscava criticar a nossa ausência de consciência política – milhares de jovens foram às ruas protestar contra o governo de Fernando Collor. Movidos pelo sentimento de repúdio aos absurdos e sucessivos escândalos do então governo, no qual depositaram suas mais sinceras esperanças de um país melhor, e inspirados em seus heróis que lutaram contra a ditadura, nossos jovens fizeram história, mas saíram de cena logo após cumprirem seu objetivo.  Não é segredo que a despeito das manifestações e todos os prejuízos que Collor significou para o país, ele tenha sido reeleito, anos mais tarde como senador. É triste relembrar os versos da canção, enquanto assistimos Renan Calheiros caminhar tranquilamente rumo à presidência do Senado.
“A nossa indignação é uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas de nossas casas".
Tento entender as diferenças desta geração que elege os mesmos corruptos que outras lutaram para banir da política e me perco nas minúcias e labirintos das leis do país. Entretanto, arrisco um palpite: nunca tivemos tanto acesso à informação e tão pouco interesse por ela. Parece-me que a informação hoje é aquela menina bonita que sorri pra gente e a gente não quer conquistar porque acha que ela está “dando mole”. 

No próximo carnaval, use uma fantasia de cidadão brasileiro, porque de palhaços, já estamos vestidos faz tempo.


É, ainda não atravessa. Nossa indignação se modernizou, ganhou as redes sociais, mas ainda não atravessa as telas de nossos smartphones e notebooks. Ironicamente, nenhuma tecnologia é capaz de materializar o nosso desejo de uma renovação política. Os políticos perderam a capacidade de se envergonhar? E nós perdemos a nossa capacidade de lutar?  Não, nós não perdemos. Mas temo dizer que perdemos a capacidade de nos educar.


“Ah, mas o governo não nos oferece uma educação de qualidade!”, bradarão inflamados.

Que geração é essa que espera do governo uma educação de qualidade como quem espera a volta do Messias?  Se o governo não oferece, o que fazer? Levantemos da cadeira! Deixemos de ser “anciosos” a espera de um milagre. A espera do Carnaval, ou da Copa do Mundo vexatória que estamos prestes a sediar.

Deixemos de ser recém-formados alienados das políticas monetárias, das mazelas do mundo, deixemos de ser analfabetos do nosso próprio idioma. Quando vamos deixar de nos escandalizar somente com as grandes tragédias que serão varridas para o esquecimento pelo novo corte de cabelo no Neymar, enquanto engolimos pacificamente as tragédias cotidianas, como a falta de atendimento e medicamentos nos hospitais, a morte de crianças vitimas da miséria do desperdício de recursos?

Vamos continuar bebendo uísque ou água de coco em um Brasil que tanto faz?
(publicado originalmente no amemgente)

Kie Magalhães tem os dois pés na publicidade, o coração no jornalismo e a cabeça na lua. Acredita que toda escrita tem uma sonoridade musical e sempre que pode, arrisca umas notas..

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A ZARA, os bolivianos e quem mais quiser explorar.


Apesar disso nunca ter acontecido antes, já estava na hora. As reflexões tuíticas do senhor Ricardo Boni sobre o caso Zara – fomentado por matéria do programa “A liga” da Band – me fizeram abrir um espaço para posts de outros autores que não eu.

As perguntas feitas pelo designer e um dos sócios da Moai Design fazem jus ao título escrito aí na testeira do blog, “Perguntar e responder para si mesmo.”
Sendo assim, vamos lá.
   
Sete questões sobre os Bolivianos e a Zara
Por Ricardo Boni

A seguir algumas questões sobre o caso “bolivianos e Zara” para você REALMENTE pensar sobre.
01) Vocês acham que não tem brasileiros em situação semelhante no Japão? No Canadá?


02) Vocês acham que a sua TV 50" foi feita por chineses que comem Qualy no café da manhã e trabalham cantando?


03) Foi a Zara quem contratou os bolivianos diretamente? A Zara terceirizou para alguém que quarterizou, foi isso?


04) As empresas tem sua parcela de culpa, mas para enfrentar chineses no ramo têxtil custo baixo de produção é crucial.


05) Ninguém irá propor um blaster-tuitaço para o "companheiro" Evo Morales oferecer trabalho além das plantações de coca?


06) Questão muito mais complexa do que parece ser: globalização, migração, economia, competitividade etc.


07) A Zara é anunciante da Band? A C&A é anunciante da Band? A Nike, a Adidas, a LG, a Samsung? Por que só a Zara?

Para esclarecer: não é uma defesa à Zara, mas sim ao pensamento crítico acima de tudo.

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