Estamos no começo do ano e chovem nos portais e blogs artigos sobre mudança de emprego, como pagar dívidas, planejamento financeiro e motivação. Sim, todo mundo de bode pós-festas oportunidade para compartilhar excelência filosófica da vida.
Sou avesso a quase tudo que é motivacional. Não
é algo bom de se ler de alguém que trabalha com Publicidade, Marketing
Promocional, ou Live Marketing como agora chamam por aí. Mas volte ao início, tem
um “quase” ali. Acho importante uma empresa motivar sua equipe, valorizar seu
funcionário (sim, funcionário), presentear, lembrar de seu aniversário, das
datas comemorativas, mostrar que ele é uma pessoa relevante e não uma peça da
engrenagem. Acho mais relevante ainda essa mesma empresa cativar o consumidor,
tomando um banho de loja, indo até ele, dando aquela olhada nos olhos, pedindo
pra valsar e não simplesmente mandando um sms.
O que eu não gosto é do discurso motivacional. Em minha opinião, os exaltados exemplos de superação, só deprimem as pessoas. Tá, não sei se as pessoas, mas comigo acontece. Saber que o cara não tem os dois olhos, os ouvidos, uma das mãos e toca guitarra melhor do que eu, não me faz querer ser um músico melhor. Me faz querer jogar minha guitarra debaixo de um trem. Calma, não vou fazer isso.
Livros motivacionais são considerados de baixa qualidade literária para um bom número de leitores. No entanto, dependendo do autor da frase, a gente deixa passar, né? Não. Eu não deixo. Chato? Opa, se sou. Mal humorado, nem tanto. Mala, certamente.
Uma frase para me animar tem que falar comigo. Parece óbvio, mas não é. Tem que vir de alguém que realmente me conhece, que se preocupa comigo, que me enxerga quando olha pra mim...que olha no meu olho e, e, e... me chama pra dançar! A motivação, senão da busca diária, do nosso estudo, esforço, aprendizado com os erros, ou dos lindos acasos e bençãos inesperadas da vida, vem do incentivo de quem realmente quer me ver melhor e não de quem quer me vender melhor, ou quer proferir palavras de sabedoria. Isso é apenas discurso. E mais: às vezes apenas serve como um antidepressivo que dali oito horas perde seu efeito. E, a não ser que eu tenha um desequilíbrio químico, eu não quero um antidepressivo, mesmo que não tenha tarja alguma. Eu quero é uma casa no campo...não, não é isso que eu quero. Eu quero uma atenção focada por cinco minutos e que depois desse papo simples você me deixe sozinho pensando pelas próximas duas semanas.
Pra me motivar quero uma ação promocional da parte de quem gosta de mim. E não precisa de projeções, de flashmobs (tá, isso é batido) ou de alta tecnologia. Basta um papo (já falei disso aqui), o interesse em me ouvir, sem querer me analisar. Pra me motivar é necessário que eu crie, faça, produza coisas boas e que alguém diga, vamos lá e não “A porta aberta da oportunidade se fecha quando você não a responde entrando por ela” ou “seu sucesso é do tamanho dos teus sonhos”. Não.
Isso tudo é pedir muito? Pensando bem, hoje em dia, é sim. Mas prefiro isso a ter que existir alguém sem olhos, pra me dizer o quão cego eu estou, mesmo vendo muito bem.
Talvez seja isso que todo consumidor também quer, hein? Não dá pra ter certeza, a não ser que
você queira ter aquela dança.
E aí, alguém motivado pra comentar?
