UM DESENHO POR SEMANA

terça-feira, 1 de setembro de 2015

DIY - O primeiro ano do Bebê



















 

Há pouco mais de uma semana o Ruivo fez 365 dias de vida extrauterina.
Como bem disse um casal de amigos que estão um ano a nossa frente, os parabéns dever ser dados aos pais. A festa, quando se faz, é pra eles celebrarem e para os amigos e familiares verem o bebê lindo e forte em seus braços. A realização de um projeto que acontece em dores físicas e mentais desde antes do parto.

Epa, que deprê! Não, não é. É o processo de toda grande vitória, de todo grande projeto e do maior deles que é ter um filho. É assim com o primeiro ano e todos os seus outros primeiros (cólica, dente, saída, banho, resfriado, tombo etc). É assim com a primeira festa também. Principalmente quando é uma Festa de 1 ano DIY (Do It Yourself - ou faça você mesmo em bom português). Uma festa que você mesmo inventa de fazer quando não é assim um festeiro contumaz.

Quando vai fazer uma festa dessas, você se lembra daquelas nas quais já foi, as que viu na web, mistura com seus gostos, com seu orçamento e voi la! Se mata, cansa, erra, revê o custo, vai montar, cansa ainda mais, fica à base de Dorflex, mas no final olha tudo acontecendo, bonito ou até melhor do que imaginou e solta um belo sorriso no rosto.

O primeiro ano do primeiro filho para os pais é a mesma coisa. Você tem milhares de referências, próximas ou distantes. Foi visitar bebês na casa de amigos, ouviu os seus lamentos, (ou não ouviu, já que alguns não tem coragem de se mostrar frágeis) e guardou na memória. Assistiu a filmes, leu livros, foi a cursos, lembrou dos seus pais, ouvi opiniões de tudo o que é lado, misturou tudo ao seu modo de ver a vida, aos seus conceitos, suas crenças e na hora que o filho nasce tudo é parecido, mas diferente, por uma só razão: você e seu cônjuge são as pessoas que estão realizando tudo. 

Quanto mais a festa do Pedro se aproximava, mais percebíamos, o quão difícil seria. Embora o conceito da festa, o tema, a organização, os convidados (os textos também, claro) fossem todos nossos, víamos que não conseguiríamos fazer tudo sozinhos. Tudo era nossa responsabilidade, mas pedir ajuda não faz mal a ninguém.

Com o Pedro foi exatamente o mesmo. Temos nosso jeito de encarar o mundo e isso afeta a percepção do que se deve ou não fazer. Como tudo na vida, fazemos escolhas e colhemos as consequências boas e ruins delas. Na caminhada, apesar de sabermos hoje que, sim, no fim somos só nós três, contamos com ajudas que nos socorreram em diversas fases do processo de paternidade fresca. Alguns amigos, alguns familiares, um pastor.

Assim, como enxergar nos detalhes da decoração na foto de uma festa e ver que tudo estava como você imaginou, chegar ao trezentésimo sexagésimo quinto dia com um belo moleque no colo faz tudo valer a pena. E a gente olha pra trás e diz “Conseguimos!” Sim, amigo, é importante dizer (se você é pai ou mãe recente sabe do que estou falando). Com todas as incertezas da tarefa mais importante existente no mundo, você foi lá e fez. É como seguir as etapas de um trabalho e ali no meio achar o seu jeito, sua forma de fazer e criar algo novo, inédito, com a sua cara.

Esse é o sentimento: o maior DIY das nossas vidas chama-se Pedro, e há uma semana que ele tem 1 ano.

Um ano que culminou numa festa, com suor, ajudas e carinhos no processo contínuo de vida, que nem sempre é uma celebração, mas é um faça você mesmo que costumeiramente chega ao parabéns.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Dia dos Pais - O frio na barriga de um pai bebê

Minha esposa me perguntou o que eu queria fazer no meu primeiro dia dos pais.
Na hora me deu um branco, travamento do Windows clássico. Fora obviamente estar com meu filho, nada vinha a minha cabeça. Posso fazer o que os pais fazem, mas o que eles fazem no dia dos pais, principalmente com um bebê de 11 meses? Ir a um restaurante no almoço? Passear no parque? Ficar em casa com a família? Não sei. Assim como não sei mais um monte de detalhes a respeito da paternidade.

É de conhecimento geral que, enquanto mães, impostas por sua biologia e sugeridas por seu sexto sentido, nascem sabendo o que devem fazer, mesmo quando acham que não sabem, pais não tem a mesma sorte. Todo pai incipiente é um bebê-pai junto com seu filho. Para o pai – pelo menos os sinceros – criar /educar é um mistério que vai se revelando dia a dia, exatamente como a vida é para o bebê. Por isso a relação pai e filho é um aprendizado mútuo, cada um na sua persona.

Nesse momento de percepção da própria ignorância, instintivamente os homens fazem o que qualquer um faria, apelam para os seus exemplos ou a ideia que possuem do que é ser pai. Imitam padrões ou simplesmente repetem a educação a que foram expostos. Nada mais natural. 

É nesse ponto que me encontro comigo mesmo na vantagem de estar no que chamo de paternidade pura, quase virgem. Nascido numa família exemplo da mudança ocorrida nos anos 80, com o aumento crescente de casamentos desfeitos, cresci com uma relação paterna mais distante que as recomendáveis por igrejas, psicólogos e comerciais de empreendimentos imobiliários. Mas é claro, ainda tenho o inconsciente coletivo, os livros, os filmes, os mentores da adolescência, os professores da escola e os bons amigos um pouco ou muito à frente na jornada. Esse estado me permite assumir minha paternidade trôpega, com o objetivo de aprender realmente a andar e não me enganar com os andadores dos modelos que existem.

A paternidade, no fim das contas, é uma criança que enfrenta e se maravilha com o desafio do momento: se expressar, dizer o que quer, o que precisa. Calcular a que distância ficar, quando é bom estar perto, quase grudado e quando deve-se dar espaço pra não bater a cabeça. Começar com o alimento líquido, sentir nascer o dente e passar a comer alimento sólido. Se esforçar pra engatinhar, estar seguro pra ficar em pé e enfim andar. Outros desafios aparecem, mas os primeiros anos dão as pistas pro futuro.

É por isso que me sinto feliz e com um frio na barriga por esse domingo que se aproxima. Porque, ainda que eu não escale o Aconcágua ou faça um mochilão pela Tailândia, desde aquele dia em que fiquei com o Pedro sozinho no quarto da Maternidade de Campinas, tudo em minha vida é e será uma aventura. Um não saber, um experimentar pra depois perceber e aplicar na próxima viagem. E o melhor, com amor carimbado em todas as folhas do passaporte.  

  

sábado, 4 de julho de 2015

Vejo vocês no futuro - O desafio

Hoje decidi que vou desafiar meu “eu” futuro. Se você que está lendo é meu “eu” futuro, deve estar irritado comigo agora. Ou talvez esteja me agradecendo por te obrigar a fazer isso. Agora se você não é  meu “eu” futuro não sabe o que está acontecendo. Assim sendo, deixe-me explicar.
Em meio a conversas com amigos e vendo como andam as coisas com a galera jovenzona acima dos 35, percebi diversas mudanças nos participantes da faixa etária antigamente chamada de meia idade. Como todos sabem, de uns tempos pra cá as pessoas começaram a casar e sair da casa dos pais mais tarde. A formação, a pós-formação, a subida de cargo, o apê comprado e o carrão na garagem surgem antes ainda do derradeiro “ sim”, que hoje em dia nem é tão definitivo assim. Os filhos que se sucedem são poucos e chegam depois dos 34, 35 anos, quando, no caso dos nossos pais, já se estava fechando a fábrica no terceiro ou quarto.
Essas diferenças, provenientes de mudanças significativas que ocorreram com eles (nossos pais) fizeram de nós uma geração de transição. Não vou aqui nomear as gerações com letras (x, y, z).
Por essas e outras razões (por exemplo, a expectativa de vida que é maior) dizem por aí que os 40 são os novos 30. Hoje os quarentões (perdoe-me, “eu” futuro) iniciam coisas, muito além do ditado que dizia que a vida começa nessa faixa. Enquanto nossos pais pensavam no plano de carreira, na aposentadoria, nós estamos ainda tentando criar negócios, realizar projetos e, quem sabe, fazer mais uma pós. E é aí que chegamos a mim, hoje, exatamente hoje, dia 5 de julho de 2015, meu aniversário de 38 anos. Com todas essas percepções, novos começos etc, pensei se eu entraria na tal crise da meia idade, ou se já não estava nela. Se não iria viajar na maionese e me vestir como moleque, ou se de repente, ainda não tinha parado de fazer isso. Se meu caráter de artista, com recauchutagem publicitária não me fazia apenas um tiozinho metido a quase jovem de blaser com camiseta hipster, boina virada pra trás e tênis All star (por acaso eu não tenho nenhuma das peças). Se meu filho de dez meses não me fazia achar que era mais jovem ou mais velho do que eu sou e por fim, se nos próximos anos ia passar por um processo de “quarentização” (mil trezentos e dezenove perdões por isso).
Imerso nesses pensamentos tive a ideia que espero que meu “eu futuro esteja no processo de concretização enquanto me lê daqui há dois anos: pensar mais profundamente nessas questões enquanto as vivo, expressá-las em contos, poemas e de repente desenhos até o fatídico 5 de julho de 2017 e publicá-las em um livro. Calma, “eu” futuro, já que você as está ou estará vivendo  até completar seus 40 anos, pode fechar o projeto, compilado, editado e embalado até o ano 41. Assim, fica aqui o desafio triplo:
1. Para mim - viver e expressar o que acontece na perspectiva da minha idade no mundo atual, por aqui, de tempos em tempos.
2. Para meu “eu futuro - Publicar isso tudo (tenha coragem, homem, escute o moleque aqui, manda ver!)
3. Para você que honra este doidivanas, lendo esse delírio oitentista até o fim - Continuar lendo e de repente encher a paciência do “eu” futuro, que no caso será “eu” presente novamente (“que barra pesada, Doutor”) pra levar esse desafio a cabo.
Desafios lançados, aqui e agora me despeço. 
Abraços a todos e “Vejo vocês no futuro”.
Ah, parabéns pra vocês, “eu” com 39 e “eu” com 40.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Pense em mim e logo eu existo


Eu não conhecia o Cristiano Araújo. Não é que eu nunca estive com ele, eu nunca o tinha visto até aquela triste manhã para sua família, depois da qual sua foto não parou de pular na minha timeline e também em quase qualquer programa de TV.


Eu não conhecia Cristiano Araújo, eu  nunca o tinha visto. As dezenas de matérias que se sucederam nos mais diversos meios, me fizeram descobrir que eu havia escutado sim uma música dele. Uma canção que era tocada em uma novela. Lembrei da música, não lembrei de Cristiano Araújo. Eu não o conhecia, eu nunca o tinha visto.


O seu nome não me era nem familiar. Se alguém o pronunciasse pra mim, soaria como qualquer outro dos prováveis milhares de Cristianos Araújos que foram registrados nesse país. Aliás, eu nem sei se esse era mesmo o nome de batismo dele.


Cristiano Araújo seria mais um infeliz das etatísticas do violento trânsito brasileiro, não fosse a repetição dos veículos midiáticos. Veículos que todas as manhãs me mostram acidentes, mortes, gente sofrendo, mas pelas quais solto um apenas um “ai” quando a cena é mais forte ou quando se relaciona com algo mais perto de mim, como um filho, a perda da esposa etc. Mesmo assim o sentimento dura pouco e é facilmente suprimido pelos gols da rodada e as más notícias da economia na TV, ou a discussão engajada do momento nas redes sociais. E assim  a protocompaixão se dissipa. Aconteceria o mesmo com Cristiano Araújo, não fosse a repetição da notícia, inclusive do telejornal que o fazia enquanto escrevia esse texto. A repetição se dava porquê Cristiano Araujo era muito conhecido, fazia muito sucesso. Mas para mim ele não era ninguém. Cristiano Araújo, cantor de sucesso, não existia.


Mas não é porquê para  mim ele não existia que sua importância não era grande para os seus e muitos outros. Da mesma forma acontece com todos aqueles que eu também não conheço cujas vidas se encerram, são incrivelmente difícieis, ou apenas sofrem das agonias que todos nós vivemos. Assim acontece comigo para muito gente, para muitos eu não devo ser nem mesmo  uma ideia.
Existir, no caso do outro, depende da nossa conciência dele. Do nosso conhecer de detalhes, da nossa aproximação por similaridades ou do afastar pelo excesso de contrastes. O outro só existe quando temos um número suficiente de informações que ocupam um espaço relevante em nosso cérebro. Existir, a essa medida, é em certo modo uma corruptela cartesiana; se penso no outro, ele de certa forma está em mim, tenho conhecimento dele e, assim, ele é, ele existe.


Essa existência baseada na consciência é o princípio do bom e do mal no homem em relação ao próximo. Saber ou não saber, é o limite do ignorar ou amar. E está aí a base para todos os relacionamentos, sejam eles românticos, filiais, fraternos, de amizade ou de admiração. O quanto conhecemos de uma pessoa determina o quanto ela existe em nós. Esse limite é também a base para a relação com o indivíduo que se vê mas não se conhece e sofre nas ruas. É a base para a compaixão que se tem por uma pessoa que morre em seu bairro, vítima de violência, mas não para centenas que perdem a vida numa guerra civil em um país da África. A quantidade de informação determina a importância ou até a existência de um fato.

Essa é uma boa plataforma para analisarmos o papel da imprensa e da mídia sobre a existência de pessoas, situações e realidades que não chegam ou chegam pela metade até nós.
É também uma ótima plataforma para sabermos quem realmente existe pra nós e pra quem nós existimos. E a oportuna questão que cutuca a mente e que pode trazer à existência mais do que há nos limites dos nossos portões, ideologias, círculos sociais ou perfis virtuais. Basta perguntar.
E que Deus tenha misericórdia dos familiares de quem eu nem sabia da existência.

  

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Obrigado por me fazer voltar


Descrença total com a política. Desilusões com as promessas dos governantes, com nossas escolhas, com nossos amigos, descrédito com o que somos como nação. Diagnóstico desesperador, notícias cada vez piores. Não é apenas o dinheiro que encurta, ou o desemprego que bate à porta. O problema é não ver solução, reconhecer opção; é não ter lado B. Ninguém é diferente, então a solução ou a única alternativa é sermos diferentes.


Nesse contexto Ética é coisa que a gente está tão pouco acostumado a ver ou discutir que no afã de tê-la na alma e expressá-la em ações, podemos errar pela falta de costume. Parece impossível errar tentando ser ético. Mas eu caí na cilada da pureza que muitos partidos diziam (e alguns ainda o fazem) ter.


Calma, caro leitor, não ache que estou sendo pedante. Logo verás que não sou todo este libelo da virtude e da correção.


Aconteceu há cerca de uns três meses. Por conta de crises e coisas do mercado, perdi, junto com mais 13 pessoas na mesma agência e milhares no país, o emprego. Uns conseguiram algo rápido, outros demoraram um pouco mais, mas eu não. Não aconteceu e pra mim foi uma benção que conto em outra oportunidade. Foi no meio desse período que um amigo, ao saber, mandou-me uma mensagem dizendo algo do tipo:
  • Está em casa? Vai sair?
  • Tô em casa sim. Não, não vou.
  • Ok, estou passando aí daqui há pouco. Estou levando uma cesta.
  • Uma cesta? do que?
  • Uma cesta básica.

Por alguns segundos fiquei perdido. “Como eu poderia aceitar uma cesta básica? Não estava passando fome...e quem está passando fome? É como se estivesse roubando de alguém que precisa. Como ficaria...meu Deus, não posso fazer isso, seria errado”.
  • Nossa, obrigado, mas não precisa.
  • Eu já peguei, to levando aí.
  • Não seria justo ficar com ela, eu não estou precisando. Dá pra alguém que precisa mais.
  • Então pegue só o que você pode precisar e doe o resto.
  • Não, ta tudo bem mesmo aqui, tranquilo. Você deve ter aguém pra doar que precise mais, tenho certeza.
  • Não, não tenho ninguém de cabeça agora.
  • Vou pensar se conheço alguém e te falo então, ok?


E assim terminou a conversa há mais de um mês. Não falei mais com ele. Um segundo depois, da última mensagem eu estava inquieto, sem rumo, tentando me convencer “Espera um pouco, eu deveria estar bem, agi com correção! Eu fiz certo, não fiz? Eu fiz. Fiz?”
Falei com a minha esposa. Ela desvendou meus olhos para a obviedade. Eu havia sido ingrato com quem se preocupava comigo e dava tudo o que podia pra me ajudar. Eu recusei um presente legítimo. Eu usei um argumento ético para sublimar algum tipo de orgulho. Me escondi na pretensa correção, pra não me ver na situação em que eu estava. Agi errado, fazendo o certo. Ironicamente, nessa de ter a mente tranquila, estava me sentindo como se estivesse no meio das manifestações na Avenida Paulista, sendo desmascarado por ter participado de um escândalo de corrupção numa estatal.


Lembrei-me da passagem em que Jesus vai à casa de Marta e sua irmã, e Maria despeja um caro perfume sobre Ele. Judas, o tesoureiro do grupo, questiona o ato dizendo “Não seria mais útil vender e dar o dinheiro aos pobres?” Mas Jesus enxerga o coração, a alma e o ato claro e inequívoco de entrega de Maria. Vê o desejo sincero e desprendido de fazer o outro alegre, honrando-o sem nada receber em troca. Ela estava dando aquilo que era dela e não comprando, trocando, fazendo negociata.
Me vi na mesquinharia travestida de altruísmo de Judas. Sofri, sofri e sofri tentando achar um jeito de me redimir, de pedir desculpas e novamente achar graça diante de quem havia tentado levantar meu ânimo. Alguém que deu o que tinha para me ver feliz, simplesmente por que deveria ser feito, não por que eu pudesse dar algo em troca. E em todo esse tempo eu não conseguia achar o pedido de desculpas, sua forma seu jeito, seu tom. E agora eu estou aqui. Há muito deixei este blog meio de lado. Muitas ideias e assuntos vieram à minha cabeça até que decidisse voltar de verdade. Eu precisava escrever e o retorno tinha de vir com a maior sinceridade possível. Precisava ser um desmanche de mim. Como já fiz, como tem que ser. Precisava, de verdade, da verdade. E esse texto ficou martelando na minha cabeça desde então.
Parece errado pedir perdão publicamente. Mas uso o meu coração falho para que ele sirva pra alguma coisa nesse tempo tão esquisito, cético e pessimista em que vivemos. Sem mais delongas, perdão, amigo. Perdão e obrigado por desvendar meus olhos e me fazer voltar.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Pós


mundo esquisito
da certeza das coisas incertas
ninguém pode ser sabedor da verdade
Mas todos bradam suas próprias leis
"minha verdade", dizem eles, "é a minha verdade!"

mundo maluco, não do jeito cool
esquizofrênico, tudo depende
respeita-se o alheio enquanto há o wi fi
cai a conexão e o link se vai
a admiração cai
o respeito se esvai
o amor sai

mundo sem eixo
do bem ou do mal
sem corpo, sem cara, sem rumo, sem mais
em busca de qualquer coisa
que traga um ml de paz
Mas as armas estão nas mãos, no sangue e na mente
assim de todo mundo que se diz bom e carente.

mundo, vasto mundo, que nenhum nome rima mais
esqueçamos a trova
Engajemo-nos numa petição nova
num grupo, numa passeata da moda
e deixemos tudo pra trás

sexta-feira, 15 de maio de 2015

The King is gone, pela segunda vez.

Publiquei esse texto em um proto blog (que morreu após uma perda de senha) chamado oqéisso, em 2006.  
Na época B.B, King disse que não faria mais shows devido a sua saúde. Mas Lucille falou mais alto e ele continuou tocando por mais 8 anos. O texto é sobre essa despedida. Vale pra hoje.

Segundo "Blues Boy" King, sua música não é triste. Um contrassenso se pensarmos que é exatamente isso que significa o termo. Para ele o blues é a expressão de sentimentos e vivências, quer sejam felizes ou tristes. Na verdade um pouco tristonhos ficamos nós por saber que é a última vez de Lucille no Brasil. É, a Gibson ES-355 não mais terá as “poucas notas que valem por mil” como seu dono se refere ao próprio estilo, tocadas aqui. Mas não importa, é apenas um lamento de quem entrou no mundo do blues pela mão do rei. Na verdade foi pela mão do irmão. Explico.



Em casa, éramos três irmãos, e eu, o caçula, dez anos mais novo que os outros dois. Essa diferença fez-me ter a possibilidade de ser grandemente influenciado por escolhas, gostos e experiências deles. Os via, e ainda o faço, com aquela admiração de irmão mais novo que mesmo sem saber, quer chegar ao estágio dos mais velhos.

No caso da música meu irmão mais velho era o desbravador da casa. Vertentes múltiplas passaram pelos meus ouvidos através de sua experimentação. É bom frisar que ele não é músico, é um apreciador. Dos Fabfour passando por Lizt e Vivaldi e chegando a Frank Sinatra, acabei ouvindo de quase tudo na minha infância. Foi assim que conheci o senhor. B.B. King.

Mais precisamente através do disco “Live & Well” de 1969. Abre o disco uma simples e sonora apresentação: “Ladies & gentleman, the king of the blues, Mr. B. B. King”.
No entanto, posso dizer que na época estava mais interessado na capa do disco do que em seu conteúdo. Enquanto ouvia os riffs, tentava reproduzir a arte em grafite. Tinha lá meus 14 anos. Já me aventurava a pegar o violão, mas o máximo que conseguia era tocar “Pais e filhos”. Isso era o suficiente para ganhar a molecada toda, efeito só comparável a “More than Words” do Extreme com as meninas. Eu sei, eu sei, isso é irônico.

Ainda assim, digo que comecei a ouvir blues, se não foi pela porta da frente, pelo menos pela janela, afinal o que me fez ouvir B.B. King foi a influência fraterna e as feições do guitarrista tirando o melhor som e fazendo deste o próprio sentimento. Boas fontes, família e arte, seja esta última qual for.
Coloquei nome na minha Les Paul inspirado na história de Lucille. “Live & Well” foi o primeiro disco de blues que eu realmente ouvi.Não há dúvidas que o senhor King é uma daquelas lembranças primeiras sobre um determinado assunto. Por isso pra mim ele é o blues, que me desculpem Robert Johnson, Muddy Waters, Joe Lee Hooker e Steve Ray Vaughan.

Quanto ao meu irmão, hoje ele gosta muito de Renato Teixeira e Almir Sater.
Entre outras coisas, eu também.

Artigo escrito por Jean M.

Nota de 2015: 
Anos mais tarde fiz um desenho baseado na capa desse mesmo disco, veja aqui)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A Páscoa do Pedro


Pedro, meu filho, hoje com sete meses terá sua primeira páscoa, mas não sua primeira Páscoa. Pedro não entende.  O mesmo aconteceu com o seu homônimo, discípulo do Mestre, apóstolo do Salvador.


Simão Pedro teve muitas páscoas até aquele dia que mudou sua história. Suas páscoas eram genuínas, sinceras e tinham significado. Eram a história de libertação do seu povo da escravidão, um tempo de milagres, da presença do seu Deus, muitas vezes de maneira visível. Uma tradição vívida, que contava quem era aquele povo e apontava, a partir do seu passado, para o que eles esperavam para o futuro.   Um futuro longe da opressão de mais uma superpotência como a Romana.


Assim também era Pedro, o homem que após ouvir e conviver com Jesus, viu e foi o primeiro a declarar com verdade que ele era o Messias. Ainda assim o pescador não estava preparado para transformar sua páscoa em Páscoa.


Pedro só entendeu o que era a Páscoa quando foi personagem dela, quando durante ela fez algo absurdo as olhos de qualquer um. Traiu a pessoa a quem antes declarava fidelidade e divindade, negando-a para não ser pego. O pescador havia traído alguém que só falava de amor, alguém que se importava com os outros, que mostrara a nova forma de vida para o mundo. Longe dos dogmas religiosos, o que Pedro havia feito continua sendo condenável em qualquer sociedade. Pedro era como um rato que fugia primeiro que qualquer um antes do barco afundar.
Mas Pedro nisso tudo estava apenas sendo humano e mais, mostrando-nos o que é a Páscoa. Não, não estou defendendo Pedro.


Ao negar Jesus, Pedro é usado para no ensinar o significado real. Ao fazê-lo, permitiu em Cristo, já ressurreto no domingo, o primeiro exemplo de exercício da Graça. Apesar da tríplice traição do discípulo, Jesus o perdoa e mais do que isso, prova seu amor. Dá a Pedro a oportunidade de redenção e tratamento também tríplice. Jesus depois da ressurreição pergunta ao discípulo “Pedro, tu me amas? então apascenta minhas ovelhas”. Jesus não disse “não falei que você ia me negar? Pedro, como pôde? Depois de tudo…”. Pelo contrário, Jesus deu a aquele que o traíra o privilégio de uma missão “...apascenta minhas ovelhas..”


Pedro não precisou se redimir para que Jesus o amasse e demonstrasse isso. Pedro não pagou, não deu, não ajoelhou, não prometeu, não sacrificou. Pedro não fez nada externamente. Pedro se arrependeu, se derramou e o amou. Sem merecer, Pedro usufruiu do benefício do sacrifício do Cordeiro, pela sua redenção. Pedro foi perdoado, assim, de Graça. E ainda, ao declarar o seu amor, foi premiado com a confiança do Mestre.


Pedro não merecia ser tratado com tamanha misericórdia. Eu não mereço e você também não. Mas a Graça é para todos que se arrependem e o amam, desde aquele dia em que Pedro entendeu a Páscoa.
A partir de hoje e nos próximos anos, meu Pedro ruivo, vai aproveitar da páscoa, sendo ensinado por seus pais, avó e tios, mas não vai entender. Vai comer chocolate e ver os almoços de domingo. Até que um dia, na cabeça e no coração, pela Graça, crescido vai aproveitar em toda a sua plenitude o que um dia seu xará mais famoso, nos ajudou a entender: A Páscoa.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Muito velho pra amar futebol americano


No último domingo Tom Brady e seus colegas de time sagraram-se campeões no superbowl. Após uma sequência de viradas e um bloqueio incrível na última jarda do ataque dos Seahawks, os Patriotas honraram seu nome e deram orgulho azul e vermelho para todos nós.


Toda essa introdução foi redigida sem eu ter assistido a um minuto se quer do jogo, ou até mesmo lido, procurado a resenha do espetáculo por aí. Tudo o que sei da partida  foi montado dias antes e nas primeiras horas da segunda-feira, o dia seguinte do feito do marido de nosso orgulho nacional, Pelé (troca), Eike Baptista (troca), Romero Britto (troca), Paulo Coelho (troca), Gisele Bundchen.


Muito se falava disso. Em termos publicitários é o evento do ano (o engraçado é que estamos em fevereiro). São os segundos comerciais mais caros da TV mundial e eu, como redator, recebi de todas as minhas referências no twitter e no instagram, uma chuva de análises criativo-mercadológicas dos filmes que passariam nos intervalos do evento, bem como os números dos investimentos feitos. Sim, mas isso acontece todo ano.


Na verdade, uma mudança de comportamento que acontece a cada ano foi que me chamou a atenção: o aumento da quantidade de brasileiros engajados, não com o fator comercial, mas com uma dita paixão especificamente pelo New England. E para falar sobre isso estou muito confortável.


Há cerca de 20 anos comecei a assistir futebol americano. Na época, como a grande maioria dos brasileiros, na casa da minha mãe não tinha TV por assinatura e saber da existência do esporte passava por duas origens:

  • A sessão da tarde com todas as comédias românticas de highschool e seus grupinhos de sempre - os nerds, os mais ou menos, os atletas e as cheerleaders, que invariavelmente eram as garotas populares, namoradas dos membros do time.
  • Transmissão da NFL na Band, com narração de Luciano do Valle.  


A primeira, me influenciava como tudo que vem dos EUA, como produto cultural, mas não acrescentava absolutamente nada em termos do que realmente era a modalidade esportiva em questão.


Foi a segunda origem que me ensinou a respeitar o esporte. Como havia feito com o voleibol, a NBA e posteriormente a Fórmula Indy, o Sr. do Valle trazia mais um esporte distante da realidade dos brasileiros, abordando-o como cultura, como modalidade que merecia ser vista. Em suas transmissões, Luciano era didático. Foi com ele que entendi o que era uma jarda, que eram necessárias dez para alcançar o primeiro down, que um time só atacava e outro só defendia, que o quarterback era o 10 do time, que o receivers eram os  centroavantes que precisavam estar no lugar certo, na hora certa, que os wide receivers eram como pontas-de-lança, e que os zagueiros eram, bem, zagueiros. Aprendi que cada equipe tem dois times, um que defende e outro que ataca. Aprendi o mais importante, a analogia do jogo: o campo de batalha. Entendi um pouco melhor o fascínio que aquele país tem pelo esporte. Entendi também muitas das relações daqueles filmes pueris que passavam às tardes na emissora dos Marinho.


É nesse ponto que me encontro comigo mesmo nos dias atuais vendo com estranhamento o fascínio de alguns brasileiros por determinado time hoje.  Ainda que eu entenda e aprecie o jogo, respeite a qualidade pirotécnica do espetáculo e saiba de sua relevância comercial, me assusta um pouco esse envolvimento todo. Sim, amigos, cada um se diverte e admira o que quiser! Mas confesso que eu, palmeirense de nascimento, prefiro ver um #vaicurintia a um #gopats na timeline. A paixão por times geralmente vem de uma identificação que passa pela relação cultural ou familiar, demográfica, social ou ainda de prática do esporte. Aí ao ver pessoas se preparando para ver o jogo, ansiosas, uniformizadas, e eu lá sem entender, comecei a analisar os possíveis motivos.


1. Você é esposa do Tom Brady


Não, acho que você não é. Próxima.


2. A culpa é do nosso futebol

É a primeira coisa que vem à mente. Corrupção, campeonatos mal elaborados, times fracos, os melhores jogadores fora do país, monopólio de transmissão e a quase impossível tarefa de escalar um time titular na cabeça como se fazia há 30 anos. Sabe a tal da falta de amor à camisa que se diz por aí? Não é um fenômeno que atinge só os jogadores. Os novos torcedores pelo jeito também perderam o sentimento apaixonado.
Meu sobrinho de 8 anos sonha em jogar no Real Madrid, no Paris Saint Germain ou no Chelsea. Nunca pensou em defender a seleção ou jogar em qualquer time daqui.


3. É natural, agora temos acesso fácil a tudo que vem de fora.

Na época do Luciano não tínhamos acesso a 2% do conteúdo que temos hoje. Além do aumento de residências com TV por assinatura, são 22,8 milhões segundo a Anatel, passamos de uma internet incipiente para uma nuvem de informações que estão a nossa volta o tempo todo. Não existem fronteiras, como as operadoras de telefonia gostam de dizer. Hoje o produto cultural seja ele em forma de música, filme ou mesmo esporte está a mão pra quase qualquer um, na hora em que se deseja.


4. American way of life
Eita, mas esse papo é antigo, hein? Opa se é, tem pelo menos 85 anos. A admiração pelo modo de vida americano, somado ao momento de baixa auto-estima da população tupiniquim pode ser uma explicação. O sonho dourado de boa parte dos brasileiros médios (expressão perigosa) é viver como nos Estados Unidos. Não como na Dinamarca, Alemanha, ou Austrália, mas como na terra do Tio Sam. Quando se compara o poder de compra das moedas, os impostos pagos e as burocracias, o padrão é sempre os EUA. Durante as eleições, se a atual presidente ganhasse, meio Brasil iria morar em Orlando. Ninguém foi, mas sempre tem as férias pra dar aquela passeada marota na Disney e trazer muamba gourmet, quer dizer, cool, high level, VIP. Só lembrando, o time chama Patriots e o mascote é um soldado lembrando a independência do Bras...quer dizer, dos Estados Unidos da América.


5. Redes sociais e o desejo de diferenciação dos demais
(contribuição no argumento por Felipe Coelho)


Ah, o glamour das fotos, o prazer em compartilhar, o frenesi de se ver melhor. Aceitamos ser amigos de centenas de pessoas para nos mostrarmos diferentes ou melhores que elas. Tá, eu e você não fazemos isso, a final somos diferentes (opa). É como quem cita aquela banda que ninguém conhece, ou a frase filósofica daquele autor que vai te fazer parecer inteligente. Pense comigo: torcer apaixonadamente para um time que fica numa cidade de um país que não é o seu, de um esporte que você nunca praticou, com o qual você não tem uma história ou relação. Se o incipiente torcedor brasileiro que se uniformiza e comemora um título como se fosse dele, não tiver pelo menos 3 das características acima, o desejo de status e diferenciação pode ser um deles.


Tá, mas e os Patriots com isso?
Eles ganham com a globalização do nome e o consumo da marca. Da mesma forma a NFL (National Football League) e os EUA. O horário da TV fica cada vez mais caro, já que os anunciantes tem mais e mais público assistindo seus comerciais, os shows ficam ainda mais inacreditáveis e o ciclo só se fortalece.


Tá, mas e você com isso?
Eu? Eu nada. Cada um se identifica com o que acha que tem a ver consigo. Se conhecendo o futebol americano há 20 anos, com toda a influência hollywoodiana não me apaixonei por nenhum um time, não será agora que isso vai acontecer.Talvez o que escrevi aqui não explique essa paixão repentina de alguns brasileiros.Talvez apenas esteja muito velho pra me apaixonar por um time de futebol americano. Eu estou com a reles maioria, o time para o qual eu torço ainda troca as mãos pelos pés.
 







sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

JE SUIS PORTA DOS FUNDOS

Há mais ou menos um ano não assisto ao maior fenômeno do youtube brasileiro. As pessoas compartilham, me indicam, mas eu não assisto. Tudo começou com um leve desencantamento depois de grandes esquetes, quando peguei a estrutura da maioria das piadas e percebi um pouco de repetição da mesma ideia, extrapolada para situações diferentes. Um dos grandes trunfos do canal era a surpresa, o nonsense, o diferente, e naquela altura eu já sabia o que ia acontecer após os primeiros 20 segundos do vídeo. Houve uma melhora pouco tempo depois, voltei a ver. Foi então que aconteceu.
Uma esquete sobre médicos que viam a imagem de Jesus na vagina de uma mulher. É.
O pior é que eu entendi a piada. Não era uma ofensa a Jesus, mas o escracho com o ver tudo  em qualquer lugar, a manipulação da crença, os delírios de ver personalidades no pão, na forma engordurada etc.Apesar de em tese não querer ofender a fé de ninguém, achei a piada fraca, desnecessária, infantil. A época, outra esquete havia ofendido alguns grupos e o que me pareceu foi que no afã de defender a liberdade criativa, fizeram algo mais chocante, e, sem graça. 

Não pensaram em quem acredita, em quem se sentiria ofendido. Que legal, não estavam nem aí. E se você se sentisse ofendido, você era um babaca, obtuso de direita a favor da censura. Outros comediantes alegaram que piada não pode machucar. Não? Se palavras ofendem, qual a razão de toda uma representação satírica não o fazer? Por outro lado, satirizar não é isso?Com essas questões na cabeça decidi parar de assistir. Para mim havia perdido a graça. Me soava triste aquela cena. Não fiquei nervoso, mas triste. Não por Cristo, que já havia sido ofendido, cuspido, açoitado aqui na terra e não precisa de defensores, mas pelo ignorar do outro, de como vai se entender aquilo. Não uma preocupação politicamente correta, com esse ou aquele grupo, mas com o indivíduo mesmo. Sei lá, cidadania pra mim também é um pouco isso, essa preocupação com invandir o espaço alheio, respeitar quem está do lado, mesmo que eu não veja. Isso é ainda mais esperado por quem tem tanto poder de alcance nas mãos. Por isso não merecem a minha audiência, tenho essa escolha. Mas por outro lado, também não mereciam uma jornada contra eles. Sim, eles tem o direito de falar o que quiserem, de satirizar o que quiserem. Sim! Essa liberdade assiste a todos nós. É essa liberdade que nos permite professar nossa crença, nossas ideologias, tentar propagar aquilo que nos é caro, sem a preocupação de ser calado, ou preso por nossas opiniões. Eles creem que tudo deve ser dito e que ninguém deve se ofender. Que o façam! E não sejam censurados, ou ameaçados como foram absurdamente em relação a uma piada feita com a polícia. Fácil é lutar pela sua liberdade de falar, ou uma causa distante. Difícil é o fazer pela liberdade de todos, mesmo aqueles que te ofendem.

No meio da tragédia se torna óbvio o apoio a quem foi ferido. Mas e se não o fossem?
É por isso que hoje não sou Charlie Hebdo. Pela garantia do seu direito de dizer o que quiser, mesmo que eu não goste,  pour la liberté, je suis Porta dos Fundos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sobre meninos e renas


De cara alerto que as renas entraram nos título só pela referência bibliocinematográfica.
A verdade é que para fazer este texto fiquei esperando um insight até o último segundo e nada. Esperando é modo de dizer, já que nos ultimos 5 dias comecei três textos antes desse que não vingaram. Eu sabia que faltava, além do trabalho a epifania. Nada. O tema me era óbvio e depois não mais: meu filho, quem mais? O que seria mais perfeito que no dia que se comemor(ava) (sim, já que hoje é quase proibido) o nascimento de um menino Deus, falar sobre um menino homem que veio pra mudar vidas, em menor quantidade, também? Era tão óbvio que corri do tema até agora. Ele estava em outros ideais de mensagem que no fim não vingaram. Propostas interessantes, mas complexas, que esse tempo e ele próprio, o menino, não deixaram acontecer. Do texto eu havia resolvido fugir. Mas olha ele aí, o menino.
Engraçado como a gente foge de algo que é tão bom. Falar de algo lindo, de algo que faz tudo mais valer a pena, só pra ser original, só pra ser bacana, ou pra não se repetir. Às vezes a gente foge daquilo que é incrível, que nos move, que tem a capacidade de renovar nossas vidas, de trazer brilho,de produzir um amor que antes você não sabia que existia e tudo por causa do que outros vão pensar, porque muita gente já fez isso, ou porque um ou outro não vá gostar. Que coisa. O ser humano é muito esquisito. Renega aquilo que é dele por direito, por convenções, por culpa, por soberba, ou por que está preso a um jeito de ser do passado.  Às vezes renegamos algo tão maravilhoso gastando tempo, energia e emoção, com o que não importa,
Ás vezes há tanto peso dessa vida nas costas que fica difícil ver o quanto de beleza há no acontecimento mais importante da vida.

Graças a um menino que nasceu não sou mais assim, não carrego esse peso e por isso sou livre pra escrever:
Obrigado Jesus, por nascer numa manjedoura por mim, viver como homem comum por mim,  morrer como criminoso por mim e como se não bastasse tudo isso, ainda separar para mim a Cyn e me confiar o Pedro.

Um belo Natal a todos.

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