UM DESENHO POR SEMANA

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quinta-feira, 28 de março de 2013

Judeu, ateu, cristão ou muçulmano: nessa Páscoa seja livre.


Na função de redator publicitário muitas vezes você se vê no limiar de despir-se totalmente de suas preferências, crenças e ideologias para imprimir um conceito, vender um produto ou serviço. Certas vezes, esse ignorar de quem você realmente é, em favor do trabalho, fica apenas próximo e as concessões que você faz não são lá muito desastrosas. Há alguns momentos, no entanto, que o confronto é claro, o choque é grande e a luta interior fica acirrada.


Em outros, há apenas a incapacidade de sair do “eu” cidadão, político, ser com alma, história e educação e vivência. Comigo isso ocorre muito claramente com a Páscoa. Não consigo ser genérico. Não há luta interior, não há conflito, eu simplesmente não consigo criar genericamente para a época da Páscoa.


E digo isso porque  hoje já o faço com o Natal. A data já foi praticamente abolida em anúncios e avisos de recesso de fim de ano. O “Feliz Natal” perde de longe para o “Boas festas”. Certa vez caprichei em um anúncio de Natal para uma empresa que logo se posicionou: “Tente (neste anúncio de Natal) não citar nada religioso, não falar sobre o natal, não queremos ofender clientes e funcionários de outras religiões.” Para mim foi um choque. Foi como dizer “Neste anúncio de chocolate, tente não mostrar muito o chocolate. Não queremos ofender quem é diabético.”  Neste anúncio da nova camisa do time tal, não mostre muito o escudo do clube, não queremos ofender os torcedores dos outros times”. Mas com o tempo fui aprendendo o jogo do “Boas Festas”, “aproveite as festas” “Curta sua família nas festas” e “fim de ano”.


Não consigo fazer isso com a Páscoa. Não achei nada para substituir “as magias”, “Delícias” “doces sensações”. “Páscoa divertida?”. Me fere. Mesmo eu não tendo cruzado o deserto pra chegar à terra prometida e não ter sido crucificado. Repito, me fere. O significado da Páscoa é tão profundo, pungente, em seus dois momentos para a história judaica e posteriormente cristã, para abordagem ser assim, toda opaca.


A data significa justificação, graça, cobertura contra condenação, salvação, liberdade. Significa doação. Não há magia, diversão. Há alegria sim, por esse livramento, mas em meio à dor. Vitória, não brincadeira. Regozijo sim, mas não um deleite material com sabor de chocolate ou bacalhau. Há problemas em comer ambas iguarias? É claro que não. Há sérios danos em fazer um agrado às crianças? Da mesma forma. O que dói é a proibição de comunicar ou mesmo de fazer alusão à origem de tudo. Não bastam as poucas matérias mais informativas dos jornais regionais por aí.


Não, não estou reclamando do mercado ou do meu ofício. Apenas relatando minha incompetência nesse fazer genérico. Expressando minha tristeza em ver algo tão bonito, diminuído. Sinto que a beleza histórica e espiritual da data, seja sufocada por boas e más intenções. Fico triste.


Entendo o drama dos que não creem. Numa época em que ouvimos e lemos todos os dias brados de “o estado é laico!”, a sexta-feira santa não deveria ser feriado. Deveria ser dia normal, significativo cultural e historicamente para todos, sim, e realmente importante espiritualmente para judeus e cristãos. Fico triste pelos que se sentem ofendidos por terem de “comemorar” feriados cristãos.   A páscoa não deveria oprimir, ofender, aprisionar ninguém. Não deveria ser obrigatória, ditatorial. É contra tudo o que ela significa: libertação, salvação, resgate.


Seja livre e não comemore a Páscoa. Seja livre e não creia nela, mas veja seu significado. Seja livre e festeje o domingo com seus familiares, vá à igreja e celebre com o seu Deus. Seja livre e tente saber mais a razão para eu falar tanto sobre liberdade. Seja livre e celebre a data na sua timeline. Seja livre e reflita no sacrifício que te fez livre. Seja livre e apenas me ignore. Mas não fique preso pelo feriado instituído, pela comida proibida, ou pela cultura que você julga que te foi imposta. Seja livre.     


Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.
João 8:36


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sobre casamento, ou melhor, sobre amor

Ontem conversava com minha digníssima esposa sobre vários assuntos e dentre eles o que o casamento tem significado nos dias de hoje. Muitos pensamentos, ideias surgiram pra falar por aqui, mas engraçado que hoje me deparei com dois posts no facebook sobre o tema. Uma ótima reflexão em texto e um video sobre uma história.

Assim por enquanto deixo aqueles pensamentos que surgiram ontem incubando somados a esses que surgiram em minha timeline.

Leia aqui
Texto "Este terceiro sujeito"  do Lucas Pedro do site Transformai-vos.

Assist aí

Vi aqui

terça-feira, 10 de abril de 2012

O sorriso de Deus


Sou meio aficionado pelo céu. E quando digo céu, não estou falando do que vai além, espaço sideral, galáxias, anos-luz, olhares curiosos e exploradores com telescópios etc. Estou falando do céu. 

De uns anos pra cá olho muito pra ele. Principalmente quando estou no carro, no banco do passageiro. Momentos de estrada me levam diretamente a ele. Azul, com nuvens, daquelas que parecem embarcações ao contrário, tão volumosas como se fossem toneladas e toneladas compactas flutuando.

É sério isso, eu não resisto. Muitas vezes fotografo com o telefone, compartilho, outras me censuro pra não encher os amigos das redes com mais uma foto de céu e nuvens.

Olho pro céu também à noite. Um dos mais perfeitos, românticos e quase clichês momentos que tive com minha amada esposa, foi num dia em que estávamos no meio de centenas de pessoas, passando pra lá e pra cá (já escrevi sobre isso aqui), nos cumprimentando, falando, falando, falando. Só nos dois percebemos a lua. E ela não era aquela, dos apaixonados, era um eclipse! Ninguém percebia, ninguém olhava. Nós até avisamos alguns, mas nada. Desistimos e ficamos nós dois no meio de todos que passavam, olhando para cima, para o céu.

Enquanto escrevo chegam a mim inúmeras ideias de como descrever esse fascínio pelo céu, mas me limitarei hoje a apenas mais uma. E ela começa com um belo comentário numa rede social perto de você.

Minha amiga Carol Ribeiro, escreveu sobre o céu que ela via diversas vezes no caminho do trabalho para casa. De repente, como acontece nos comentários de posts, a conversa seguiu e começamos a falar sobre ele.  

O céu que ela via estava nessa volta para casa, no anoitecer. O meu, nos caminhos de estrada que cortam minha cidade, geralmente antes do meio-dia. Mas existem outros céus: os noturnos, como o do eclipse da lua, os nublados que nos levam a aquela preguiça prazerosa, os noturnos que marcam chuva, como diziam os antigos, nos quais a lua está meio enevoada, e muitos outros.

Ela percebe o céu. É difícil fazer isso, porque ele está sempre lá, em cima da sua cabeça. E a gente geralmente não percebe as coisas que vê toda hora, que estão ali fáceis para nós. Como um entardecer no caminho que se faz todos os dias. Mas a Carol sempre percebe e aproveita:  

“...sabe a avenida que sai de Valinhos e entra em Campinas? Perto das antenas, à direita de quem vem, cara, cada dia é um céu mais lindo que o outro.. Aí eu lembro do que está escrito em Salmos 19:1 "Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos".(...) E é tão bom, porque se estou triste, eu me alegro, se estou alegre, transbordo, se estou preocupada, me acalmo, porque simplesmente aquele céu testemunha sobre o Deus que eu sirvo e que cuida de mim. Então, se um dia passando por ali por volta das 18h30 vocês encontrarem alguém cantando enquanto dirige na maior empolgação, provavelmente sou eu, rs..."     

Termino essa celebração celeste com minha resposta à Carol:     

“Meu sentimento é mais ou menos esse quando percebo o céu...No meio das coisas, do correr, das luzes, dos prédios, nos despercebemos do que é simples e pode nos alegrar todos os dias: a beleza de um céu encapelado de nuvens, ou um por do sol, ou ainda um céu estrelado. O riso brota nos meus lábios, acredito que como nos seus. E aí parecemos loucos . Pois realmente tudo isso que ele fez não faz sentido nessa cabecinha nossa. Basta o olhar e o sorrir, pois apesar da gente, tudo isso é um sorriso dEle pra nós”



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